As estrelas sob nossos pés

Publicado por 2.7.21



Resenha: Há um abismo na alma de Lolly Rachpaul. Aos doze anos, raiva e tristeza são tudo o que o garoto consegue sentir. Costumava ser diferente antes, quando Jermaine ainda estava por aqui. Mas, desde aquele tiro que silenciou a vida de seu irmão mais velho, Lolly deixou de ser uma criança alegre. Aliás, no Harlem – um bairro típico de negros e latinos em Nova Iorque – a infância passa tão acelerada quanto uma bala. Se não estiver atento o bastante, as ruas e suas gangues te engolem.


Autor: David Barclay | Editora: Plataforma21 | Páginas: 316 | Ano: 2018

 

“Não era justo terem roubado de mim quem eu pensei que estaria ao meu lado pelo resto da vida. Alguém com quem deveria passar este e muitos outros Natais.”


Sempre fiquei enlouquecido para ler este livro por muitos motivos e, um deles, foi me enxergar na capa assim que bati meus olhos, o que é bem difícil de se encontrar, não encontramos nem descritos nas histórias, quanto mais na capa, lugar onde se tem mais destaque.


Uma parte importante de Lolly precisava ser preenchida, seu irmão fazia falta, todas vezes que estava em seu quarto e olhava para o lado, lá estava a cama desocupada de alguém que jamais voltaria, então resolveu vivenciar seu luto através da criação de Harmonee – uma cidade imaginária que está criando com os legos que ganha de presente da namorada de sua mãe.


Durante todo momento no livro, vemos uma relação de amizade muito grande, onde o autor nos mostra que, muitas vezes, precisamos de outras pessoas para enfrentar algumas batalhas e algumas injustiças. Essas amizades podem ser aquelas que sempre foram óbvias que aconteceriam e outras nem tanto, outras acabam surgindo e, quando vemos, já estamos envolvidos, nos divertindo e querendo mais e mais momentos. Assim Lolly consegue arranjar também outra maneira de preencher o vazio deixado em seu peito.

Além da criação, Rachpaul conversava com o Sr. Ali, um orientador pedagógico, que tentava entender como estava os sentimentos do menino, mas nada o deixava melhor a não ser se entreter com suas peças de lego.


Por se tratar de um infanto juvenil, o livro entrega uma leitura bem fluida e tranquila, as palavras escolhidas para compô-lo são acessíveis e essa é a parte mais importante, que mais pessoas vão poder estar tendo a experiência de Lolly, que acontece, muitas vezes, na vida real. 


“-Aposto que se fechassem todos os lugares em Nova York onde alguém foi morto não sobraria nenhum local aberto.”


Esse livro merece a atenção de todos e é necessário que nossas crianças fiquem cientes da nossa realidade, mas como diz Tupac, não deixemos que um ódio seja semeado nelas, façamos com que as gerações futuras nasçam com olhares de ocupação positiva e que consigamos mudar nosso cenário.



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