Sobrevivi... posso contar

Publicado por 19.3.21


 

Sinopse: O livro de Maria da Penha Sobrevivi, posso contar relata a vida da autora que sofreu uma cruel, dolorosa e covarde violência. Maria da Penha oferece sua história generosamente a toda sociedade, como uma forma de contribuir com transformações urgentes, pelos direitos das mulheres a uma vida sem violência. História que muito tempo depois a tornou protagonista de um caso de litígio internacional emblemático para o acesso à Justiça e para a luta contra a impunidade em relação à violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil. Ícone dessa causa, sua vida está hoje também simbolicamente subscrita e marcada sob a lei nº 11.340 ou lei Maria da Penha. Neste livro, Penha compartilha de forma ímpar sua história de vida - tão particular e ao mesmo tempo tão comum à de tantas mulheres que levam no corpo e na alma as marcas visíveis e invisíveis da violência. Este livro proporciona muito mais do que a história de violência contra uma mulher. Revela um fenômeno social, político, cultural e ideológico que afeta de forma grave e desproporcional muitas mulheres.


Autor(a): Maria da Penha Maia Fernandes | Editora: Armazém da Cultura | Páginas: 212 | Ano: 2010


Acredito que você já saiba quem é Maria da Penha, caso não conheça sua história, ao menos conseguirá associar o seu nome à lei que visa garantir a segurança das mulheres no nosso país.

Eu, que muito já ouvi falar a respeito desta figura tão importante, admito que não conhecia sua história a fundo. Desconhecia o envolvimento de suas filhas, ainda pequenas, em todas as situações de violência doméstica vivenciadas.

Através de relato da própria Maria, o leitor transita por situações tensas, repletas de insegurança e medo. É possível que talvez a linguagem utilizada não seja tão simples ou acessível, mas independente das palavras floreadas, a narrativa consegue ser ágil. O que pode fazer com que o livro não seja devorado rapidamente é o teor mais pesado do que é revelado.

Maria da Penha, uma jovem, bonita, inteligente e com recursos financeiros suficientes para garantir até mesmo o sustento de seu namorado, viu seu relacionamento perfeito sofrer uma drástica mudança. O jovem universitário doce, carinhoso e prestativo, Marco, se transformou em um homem agressivo, instável e perigoso, capaz de lhe fazer temer por sua segurança.


"Muitos me parabenizavam por namorar uma pessoa tão atenciosa, gentil e prendada. Certa vez, a mãe de uma colega chegou a lamentar que Marco não tivesse escolhido a sua filha como namorada."


Nem mesmo as filhas do casal estiveram à salvo. Constantemente Marco descontava sua raiva e frustrações nas três pequenas meninas, não se importando com as necessidades das mesmas, nem mesmo com a pouca idade das crianças.


"Nada satisfazia Marco, nada o agradava. Eu vivia tensa, procurando evitar que as crianças quebrassem algum brinquedo, fizessem alguma traquinagem ou descumprissem alguma ordem do pai.


A família de Maria também não era bem recebida, as ordens eram claras e nenhum parente da vítima deveria frequentar a casa, nem mesmo para uma visita breve. Mesmo sem presenciarem os atos de crueldade, era evidente que havia algo errado, algo que merecia atenção. 

A luta por sobrevivência e pela liberdade exigiu de Maria coragem, paciência, foco e muita frieza, afinal não deve ter sido fácil ver suas filhas sofrendo nas mãos do homem de deveria protegê-las, além de viver com a presença constante do medo.

Se engana quem imaginar que após tanta dor tudo foi brevemente solucionado. O crime que mudou completamente a vida de Maria, o que a colocou em uma cadeira de rodas, levou quase duas décadas para condenar o culpado. Faltando poucos meses para o caso prescrever, após mais de 19 anos, finalmente Marco estaria diante de uma sentença.

Este livro deveria ser leitura obrigatória. Suas poucas páginas são capazes de provocar os mais diversos sentimentos, desde revolta, medo, empatia, esperança, etc. Esta é uma história que poderia ter tido um terrível final e infelizmente outras mulheres não conseguem sobreviver em situações semelhantes.


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