O sol ainda brilha

Publicado por 27.7.20


Sinopse: Em 1985, Anthony Ray Hinton foi preso sob duas acusações de assassinato no estado do Alabama, sul dos Estados Unidos. Atordoado, confuso e com apenas 29 anos de idade, Hinton sabia que se tratava de um erro de identidade e acreditava que a verdade provaria sua inocência, acabando por libertá-lo rapidamente.Mas sem nenhum dinheiro e sujeito a um sistema de justiça que operava de maneira diferente para um homem negro e pobre do Sul, Hinton foi condenado à cadeira elétrica. À medida que compreendia e aceitava o próprio destino, ele decidiu não apenas sobreviver, mas também encontrar uma maneira de viver no corredor da morte, tornando-se luz na escuridão – para si mesmo e para seus colegas detentos.
Autor(a): Anthony Ray Hinton | Editora: Vestígio | Páginas: 320 | Ano: 2019

Tudo começou em 1985, eu nem era nascida ainda, mas mesmo assim a história se manteve muito atual. Ray era um jovem preto, pobre, com poucas oportunidades na vida, mas muito amado por sua mãe. Apesar das dificuldades que a vida lhe apresentou, se esforçou para se manter de cabeça erguida, porém cansado de trabalhar tanto e nunca conseguir adquirir algo pra chamar de seu, acabou tendo um deslize, se arrependeu e pagou por isso.

O que Ray não poderia imaginar era que mesmo tendo decidido voltar a ser aquele filho do qual sua mãe se orgulhava, trabalhando em escalas noturas exaustivas, ele seria apontado como responsável por cometer assassinato.


"Meu único crime era ter nascido negro, ou ter nascido negro no Alabama. Para onde eu olhasse no tribunal, via rostos brancos - um mar de rostos brancos."

As provas o inocentavam, mas a sua cor foi usada como motivação para condená-lo. Mesmo declarando insistentemente sua inocência, sua voz não foi ouvida, seu álibi não foi considerado e seu advogado branco não demonstrou interesse em realmente lutar pela absolvição de seu cliente.

A sentença foi dura e clara. Anthony Ray Hinton caminharia rumo à cadeira elétrica, sua vida seria encurtada e sua morte serviria como pagamento por um crime que ele não havia cometido. Como as pessoas que o julgaram conseguiriam dormir tranquilas sabendo que um inocente teria sua vida ceifada? Infelizmente a vida de Ray não parecia valer muito diante do júri branco.


"Eu não estou preocupado com aquela cadeira elétrica. Você pode me sentenciar a ela, mas não pode tirar minha vida. Ela não lhe pertence. Eu não pertenço a você. Você não pode pôr as mãos na minha alma."

O protagonista desta história relata seus dias de angustia, medo, incerteza, vergonha e esperança. Sim, no meio de todo o turbilhão em que foi inserido, ele sonhava com o dia que conseguiria provar sua inocência e que voltaria a poder abraçar sua mãe.

A justiça não foi justa para Ray. Anos se passaram, diversas apelações foram feitas, muitos prazos foram cobrados e mesmo assim a corte não se mostrava disposta a dar a ele mais uma chance. Hinton não queria acordo, nem redução de pena, não aceitaria nada menos do que o reconhecimento de que a justiça falhara com ele.


"Na realidade, eu acho que não foi você. Mas não importa. Se não foi você, foi um dos seus irmãos. E você vai levar a culpa."

Este não é um livro grosso, porém é pesado. Carrega a história de um homem que passou três décadas preso, tendo que conviver com a injustiça por causa de sua cor. Uma leitura capaz de despertar o senso de justiça do leitor, a empatia pelo próximo e a vergonha pela sociedade em que vivemos e com o nosso silêncio diante do racismo.

Eu queria falar muito mais sobre esse livro, ele me prendeu de tal forma que não percebi o tempo passar. Me vi imersa no sofrimento de Ray e a cada página eu ansiava para que o sofrimento dele fosse cessado.


"Você precisa saber que é responsável pela maneira como trata os outros, mas não é responsável pela maneira como os outros tratam você."

Por favor, leia este livro. Eu entendo que talvez não seja uma leitura fácil e que nos tira da nossa zona de conforto, mas LEIA! 

Leia pela sociedade, pelos nossos filhos, leia pela necessidade de mudança. Mesmo tantos anos após a prisão de Ray, temos muitos como ele passando pela mesma situação.





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