A resposta

Publicado por 19.6.20


Sinopse: Uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA.Eugenia Skeeter Phelan acabou de se graduar na faculdade e está ansiosa para tornar-se escritora, mas encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Porém, o único emprego que consegue é como colunista de dicas domésticas do jornal local. É assim que ela se aproxima de Aibellen, a empregada de uma de suas amigas. Em contanto com ela, Skeeter começa a se lembrar da negra que a criou e, aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, tem uma ideia perigosa: escrever um livro em que empregadas domésticas negras relatam o seu relacionamento com patroas brancas.
Autor(a): Kathryn Stockett | Editora: Betrand Brasil | Páginas: 574 | Ano: 2011

Muito já se leu sobre as damas da sociedade, as princesas dos contos de fadas e as delicadas moças em busca de um par perfeito, mas e sobre as empregadas? Alguém já pensou em escrever um livro contando o outro lado com aquelas personagens que não passam o dia no salão de beleza, nem mesmo estão rodeadas por cuidado? Skeeter, uma jovem privilegiada, recém formada e criada por uma empregada preta, decide dar voz à parcela da sociedade que é silenciada.

"Se alguma mulher branca ler a minha historia, é isso que quero que elas saibam. Dizer obrigada quando é de coração, quando você lembra o que alguém fez por você - ela balança a cabeça e olha para baixo, para a mesa riscada -, é muito bom."

O ano é 1962 e o risco em falar sobre igualdade racial é enorme. Skeeter sabe que está indo por um caminho sem volta, mas ela nunca foi igual as suas amigas. Mesmo tendo sido criada sob os moldes da sociedade da época a jovem tem traços revolucionários. Nada de sonhar com marido, mesmo que se apaixone. Pensar em ficar na casa dos pais até se casar? Nada disso, o plano é ir pra uma cidade movimentada e se tornar uma brilhante escritora, mas como chamar atenção das editoras? Uma boa opção seria escrever um livro contando histórias onde as empregadas relatariam como era trabalhar para famílias brancas tradicionais.


"É sempre mais assustador quando uma pessoa acostumada a gritar fala baixo."


Mas não se engane, o foco não é a carreira promissora da jovem personagem, tão pouco será explorada sua veia revolucionária. Este livro lhe mostrará muito mais, trará para o protagonismo as empregadas e suas histórias tristes, alegres, de sofrimento, de perda e de apego.


Aibellen já trabalhou para muitas famílias, se considera uma ótima babá, então quando ela acredita que as crianças brancas que cria já estão prontas para seguirem sem ela significa que é hora de encontrar outra jovem mãe que não tem muito jeito com criança. 


Criar os filhos dos outros é algo comum entre estas empregadas, suas histórias contam que seus próprios filhos foram deixados de lado devido a necessidade. As crianças brancas tinham toda atenção, enquanto seus filhos aprendiam desde cedo como o mundo os obrigava a ser forte.


"Muitas mulheres de cor precisam dar os filhos, dona Skeetet. Mandar os filhos embora, porque precisam cuidar de uma família branca."

Enquanto Aibe é mais tranquila, apesar de decidida, Minny é mais rebelde, não leva desaforo pra casa e isso a fez ser demitida diversas vezes. Meu amor por esta mulher é sem medidas, sua garra, sua forma de ver a vida e sua evolução neste livro me conquistaram de uma forma que não consigo descrever, mas se você estivesse me vendo neste momento notaria um sorriso em meu rosto enquanto me lembro desta personagem tão marcante, intensa e divertida.


Outras empregadas pretas ganham voz neste livro, algumas um pouco mais tímidas e receosas, outras mais ao estilo furacão que deixam marcas por onde passam.


"Louvenia me conta que seu neto, Robert, foi cegado no início deste ano por um homem branco, porque usou um banheiro de brancos."

Relatos de abuso, violência, perdas e dor são frequentes neste livro, contudo a forma como tudo é conduzido traz uma certa leveza à narrativa. Não digo que a dor destas mulheres é menosprezada, tão pouco que o racismo seja romantizado, nada disso, o livro coloca o dedo na ferida mesmo, mas estas mulheres tão fortes também possuem uma vida fora da casa dos patrões, se encontram na igreja, conversam sobre assuntos diversos e até se sentem motivadas para efetuarem mudanças.








Extra:
O filme Histórias Cruzadas foi baseado na história deste livro. Normalmente adaptações não me parecem dignas da história original, contudo neste caso é diferente. A atuação de Viola Davis e Octavia Spencer, estão ótimas como Aibelleen e Minny.



Viola e Octavia foram indicadas a prêmios importantes como Óscar e Globo de ouro, sendo a segunda premiada em ambos como melhor atriz coadjuvante.



8 comentários

Comentários
8 Comentários
  1. Oi oi querida,
    essa obra é linda. Tanto o livro como o filme tem um enredo, cenário e conta com personagens fortes que nos contam histórias lindas. Amei a sua resenha, e me sinto muito triste por não ter lido esse livro antes de ter visto o filme. Mas amei relembrar a história, e lendo as suas palavras me senti tocada novamente pela escrita da autora. Espero futuramente ter a oportunidade de ler essa obra maravilhosa.

    Beijoss, Enjoy Books

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  2. Oi Alê, tudo bem?

    Caraca, eu não conhecia esse livro e fiquei chocada com o enredo. que sensacional!!! Achei muito interessante o foco não ser a moça rica que normalmente acontece, me entristece saber que muitas coisas não mudaram ainda :(

    Gostei da sua resenha!

    Beijinhos,
    Ani
    www.entrechocolatesemusicas.com.br

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  3. Olá, como vão as coisas?

    Eu já assisti a adaptação cinematográfica e conta com atrizes maravilhosas e que eu amo, mas nunca li o livro. Recentemente, eu descobri que o enredo é um pouco problemático, pois retrata meio que um caso de white savior, ainda que a intenção da personagem não tenha sido egoísta. Acho que uma das atrizes até se pronunciou sobre o assunto recentemente.

    Abraços!
    www.acampamentodaleitura.com

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  4. Eu lembro do Bruno Miranda falando desse livro a muito tempo atras, acho que ele ainda tinha blog na epoca...É um historia que chama muito minha atenção e deve ser um tanto dificil a leitura....O filme ja comecei a assistir algumas vezes, mas nunca consigo terminar ou assisti-lo inteiro. Quero ler e assistir em breve. Adorei sua resenha

    https://quemevcbrubs.blogspot.com

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  5. Olá, tudo bem? Realmente pensando por esse lado, acho que temos pouquíssimas histórias que retratam essa perspectiva, o que me deixa extremamente curiosa em conhecer apesar dos assuntos fortes. Com certeza também teria o sentimento de encontrar mulheres fortes e guerreiras ao longo das páginas. Dica anotada!
    Beijos

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  6. Eu não conhecia essa obra e confesso que nunca li nada com essa perspectiva. Fiquei realmente curiosa, ainda mais após sua resenha. Vou adicionar na listinha de futuras leituras. Ah! Adorei saber que o livro inspirou um filme. Também não conhecia, mas já vou buscar.

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  7. Oi, tudo bem?
    Eu não conhecia esse livro ainda, mas já ouvi falar muito bem do filme. Confesso que não sei se leria, porque não é muito meu estilo de leitura. Porém, tenho muita vontade de assistir ao filme. Os temas abordados são fortes, mas muito necessários e fico feliz que tenha gostado tanto da leitura. Talvez depois de assistir ao filme, eu me anime a ler também né? Mas de qualquer forma, amei a sua resenha.
    Beijos!

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  8. Oi!
    Estava pensando enquanto lia sua resenha, nunca li nada referente a depoimentos de empregadas, vejo isso como uma falha. Pois acho que elas têm muito mais a contar do que qualquer pessoa. Maravilhosa sua resenha, foi muito valioso e instrutivo seu post e saber sobre esse livro. Parabéns pela resenha, obrigado pela dica, bjs!

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