Última parada: Auschwitz

Publicado por 24.3.20


Sinopse: Eddy de Wind chega a Auschwitz em 1943 com sua esposa, Friedel. Ele é médico e ela é enfermeira. Lá, eles são separados. Friedel vai para o Bloco 10, onde ficam os prisioneiros destinados aos cruéis experimentos médicos do Dr. Mengele. Eddy vai para o Bloco 9, onde trabalha ajudando a cuidar de prisioneiros políticos. Quando a Alemanha está prestes a perder a guerra e os russos se aproximam de Auschwitz, os nazistas fogem do campo. Em uma tentativa de cobrir seus rastros, mandam os prisioneiros sobreviventes, entre eles Friedel, a caminhar em direção à Alemanha. Mais tarde, essas caminhadas foram chamadas de Marchas da Morte. Eddy conseguiu se esconder e ficou no campo, a espera dos russos. Lá, com a memória fresca, começou a escrever sua rotina diária. Descreveu em detalhes as atrocidades que presenciou e o que ouviu de outros prisioneiros, inclusive da mulher. Até hoje, este é o único livro inteiramente escrito dentro do campo de concentração.
Autor(a): Eddy De Wind | Editora: Planeta | Páginas: 240 | Ano: 2020

Eddy tem uma dura história para contar, suas lembranças são tão dolorosas que ele opta por narrá-las como se fosse a vida de outra pessoa.


"Traumatizado, criou o personagem Hans para ser o narrador de sua própria história."


O autor não esconde fatos, tão pouco minimiza a dor que Auschwitz impôs na sua vida e na de sua esposa, mas é possível que o leitor imagine estar lendo uma ficção. Não se engane, a escrita de Eddy é muito boa e fácil de ler, a narrativa transcorre por situações tão cruéis que podemos optar por não acreditar que existiram, mas é a mais pura realidade contada neste diário.

Eddy era médico e nunca imaginou que um dia isso poderia de alguma forma poupar sua vida. Ao ser levado, junto com sua esposa, para o campo de concentração nazista, o protagonista desta história aprendeu a conviver com o medo e a insegurança.


"Sabemos que, para nós, também há um único fim, uma única libertação deste inferno de arame farpado: a morte."


Em um ambiente onde o sofrimento rondava cada corredor, cada metro quadrado, Eddy se viu separado de sua esposa, inseguro pelo futuro de ambos e temendo pela integridade de Friedel, sua amada.

É sabido que os nazistas fizeram experimentos com as mulheres, algumas foram mutiladas, outras testadas de forma mais branda, mas não menos impactante e cruel. Friedel estava a disposição dos médicos do campo de concentração, ali ela não era mais uma cidadã, tão pouco uma enfermeira com anos de experiência, era apenas uma cobaia e Eddy sofria ao lembrar disso.

Muitas pessoas tinham suas vidas nas mãos dos nazistas, eles detinham todo poder sobre cada um daqueles prisioneiros e além de Eddy e Friedel, o leitor poderá conhecer de relance a história de outras pessoas que perderam o direito a liberdade sem que tivessem cometido qualquer crime.

Este é um livro que comove ao mesmo tempo que causa revolta. Acompanhar a trajetória e a luta por sobrevivência de pessoas comuns, como qualquer um de nós, causa um misto de sentimentos. Apesar de ter encontrado nestas páginas uma escrita descomplicada e de certa forma ágil, sugiro aos mais sensíveis que leiam com calma, sem pressa, assim é mais fácil passar por esta triste história com um impacto mais leve.



2 comentários

Comentários
2 Comentários
  1. A sua resenha completa me deixou ainda mais curiosa, mas acho que eu sofreria com esta história.

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  2. Menina, já estou com vontade de ler esta história, mas preciso me preparar antes

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