O menino que falava a língua dos cães

Publicado por 18.5.18


Sinopse: "Uma história comovente de uma infância incomum em meio a guerra Certas vidas são tão surpreendentes que não poderiam ter sido inventadas. É o caso da vida de Julian Gruda, aliás, Jules Kryda, aliás, Roger Binet. Como é possível que aos 14 anos um menino já tenha tido tantas identidades? Que tenha vivido com tantas famílias diferentes sem ser desmascarado? Que tenha atuado como agente secreto da Resistência? Como pode ter crescido em um orfanato se tem pelo menos duas mães? E, sobretudo, onde aprendeu a falar a língua dos cães, o que causa tanta admiração em seus colegas? Ao contar em forma romanesca a história verídica de seu pai, Joanna Gruda descreve uma infância incomum, que começa em Varsóvia no início da guerra e termina na Paris liberta. Pelos olhos de Jules, desfilam diante de nós os dias mais desoladores do século passado, narrados com veracidade e vivacidade ímpares. É a guerra como se estivéssemos presentes, contada sem o menor sentimentalismo, tornando ainda mais palpável o caráter trágico desses anos sombrios. Mas este relato cativante é antes de qualquer coisa a história de um menino que preserva sua capacidade de se surpreender diante das reviravoltas do destino. Movido por uma inabalável esperança, ele nos dá uma extraordinária lição de sobrevivência.
Autor(a): Joanna Gruda | Editora: Bertrand Brasil | Páginas: 272 | Ano de lançamento: 2018

Julian é um menino que teve seu destino traçado antes de nascer. Filho de revolucionários, sua gestação foi vista pelo grupo como um empecilho para os planos do movimento. Foram necessários bons argumentos para convencer os líderes de que esta criança merecia nascer e que não representaria qualquer tipo de impedimento ou atraso para os planos dos militantes.

Nada foi fácil em sua vida e seu futuro dependeria de sua capacidade em se adaptar às mudanças constantes e inesperadas.

Sua identidade foi mudada, seus guardiões não permaneceram os mesmos por muito tempo, tão pouco seu paradeiro se tornou previsível. A todo instante algum risco surgia, mas em nenhum momento houve uma participação afetiva de seus pais biológicos.

A mãe de Julian aparecia esporadicamente como sinal de alerta. Quando tudo parecia calmo, ela surgia o levava para outro lugar com o intuito de deixá-lo à salvo de um perigo que o menino sequer imaginava existir.

O que inicialmente era uma confusão na mente da criança, passou a ser parte de sua rotina de forma a se tornar aceitável e compreensível com o passar do tempo. 

Sua facilidade em se adaptar aos grupos em que era inserido foi o que lhe salvou. Fosse na casa de uma família, em um orfanato ou apenas brincando com cães, em todas as situações ele se mostrava centrado e compreensivo, mesmo sabendo que não deveria se acostumar com tal vida, pois ela poderia mudar sem aviso prévio.

Admito que o protagonista me deixou um pouco decepcionada. Esperava menos maturidade em suas atitudes, principalmente por se tratar de um jovem que viveu sem uma perspectiva de futuro seguro. Todas as mudanças que foram impostas agregaram em seu crescimento, mas acredito que ele poderia ter sido um pouco mais parecido com uma criança normal, dotado de inseguranças e medos. Esperei ver nele traços de um menino comum, mas encontrei um mini adulto.

Com descrições na medida certa, a autora criou uma história com toques de realidade, explorando momentos históricos marcantes e repletos de crueldade que trouxeram à tona todo o sofrimento que a guerra é capaz de impor às crianças. A ambientação é ricamente construída, dando ao leitor a sensação de ter participado dos fatos narrados, ou de estar conhecendo a história a partir de alguma conversa com alguém muito próximo.

A narrativa transcorre de forma tranquila, sem elementos suficientes para transformar a leitura em algo capaz de surpreender o leitor que anseia por motivos para se ver envolto pelo livro. 

Aos que buscam uma boa história, mas que não esperam ser envolvidos por algo de tirar o fôlego, ou que não estejam ansiando por algum drama intenso e capaz de arrancar lágrima, esta é uma ótima opção. Como opto por livros que deixem marcas, infelizmente acabei me decepcionando um pouco com a evolução da trama.


8 comentários

Comentários
8 Comentários
  1. Ótima resenha! Fiquei curiosa para ler. Uma pena que você tenha se decepcionado um pouco com o livro.
    www.lagrimasdediamante.com.br

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  2. A história tem uma narrativa interessante mas realmente pelo que descreveu não tem um que de emoção,drama...a mãe salva a criança do perigo e ele nunca estranha o local ou pessoas a sua volta. O menino é tipo um robô né?

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  3. Eu também gosto de livros que deixem marcas, pela sinopse achei que esse seria assim, mas pela sua resenha já vi que não é, agora estou indecisa se quero ou não ler

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  4. Gostei da resenha, não conhecia o livro mas parece ser muito bom. Fiquei curiosa para ler <3

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  5. Que resenha maravilhosa, amo filmes e livros de histórias que envolvam animais, é sempre muito emocionante.

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  6. Já me indicarão esse livro, mas ainda não tive tempo de procurar ele, mas depois de ler a sua resenha, já sei que com certeza vou amar ele.

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  7. Nossa! Ja amei esse livro
    Parece ser bem profundo e intenso

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