A pérola que rompeu a concha

Publicado por 7.2.18


Sinopse: Filhas de um viciado em ópio, Rahima e suas irmãs raramente saem de casa ou vão à escola em meio ao governo opressor do Talibã. Sua única esperança é o antigo costume afegão do bacha posh, que permite à jovem Rahima vestir-se e ser tratada como um garoto até chegar à puberdade, ao período de se casar. Como menino, ela poderá frequentar a escola, ir ao mercado, correr pelas ruas e até sustentar a casa, experimentando um tipo de liberdade antes inimaginável e que vai transformá-la para sempre. Contudo, Rahima não é a primeira mulher da família a adotar esse costume tão singular. Um século antes, sua trisavó Shekiba, que ficou órfã devido a uma epidemia de cólera, salvou-se e construiu uma nova vida de maneira semelhante. A mudança deu início a uma jornada que a levou de uma existência de privações em uma vila rural à opulência do palácio do rei, na efervescente metrópole de Cabul. 
Autor(a): Nadia Hashimi | Editora: Arqueiro | Páginas: 448 | Ano de lançamento: 2017 | Compre aqui: Amazon

Como começar a falar deste livro que me fez dormir mais tarde para poder concluí-lo? Poderia falar tantas coisas, exaltar meu encantamento com a escrita da autora, ou até mesmo comentar sobre meu envolvimento com as personagens, mas sinto que ainda assim não conseguiria transmitir os sentimentos que esta leitura me proporcionou.

Rahima é apenas uma criança e tem sonhos como qualquer outra, porém sabe que não é um ser livre e que sua segurança e bem estar depende de um homem. Assim como suas irmãs, ela é obrigada a abandonar a escola, pois não é seguro deixá-las na rua quando a todo instante meninos e homens podem persegui-las. Agora com todas em casa o dia inteiro e sem um herdeiro homem para ajudar, é preciso encontrar uma alternativa para ampliar a renda da família, já que o pai não é mais capaz de suprir a necessidade todas as mulheres da casa.

A única saída seria transformar Rahima em uma bacha posh, uma menina que passaria a ser vista como menino. Seu cabelo foi cortado, nome trocado e atitudes moldadas para parecer o mais masculino possível, somente assim ela poderia retornar à escola e conseguiria algum emprego, mas não se engane, o fato de ter se tornado um "menino" não significa que estará a salvo, tão pouco que poderá proteger suas irmãs. Uma hora elas deverão casar e serem as empregadas da família de seus respectivos maridos, nenhuma delas poderá escolher o seu príncipe encantado, tão pouco poderão esperar com o "viveram felizes para sempre". 

Deixe-me explicar como as coisas são por aqui. Eu sou seu marido e esta é a sua casa. Quando eu pedir alguma coisa, você obedece. Em troca, receberá proteção e terá o privilégio de ser esposa de Abdul Khaliq.

Esta não é uma realidade exclusiva da pequena protagonista, não pense que isso é algo novo, sua trisavó passou por situações muito parecidas.

Décadas separam Rahima de sua trisavó Shekiba, mas o poder do homem sobre a mulher não mudou. A narrativa é intercalada, mostrando a história destas duas mulheres criadas para servir. Impossível não tecer comparações entre as épocas e observar que os anos passaram, falsas liberdades foram criadas, mas no fundo o medo ainda faz parte da vida destas mulheres.

Rahima-jan, lembre-se de que na vida há tufões. Eles vêm e viram tudo de cabeça para baixo. Mas ainda assim você tem que levantar, porque a próxima tempestade pode estar na outra esquina.

A trajetória destas duas meninas é envolvente, emocionante, digna de arrancar lágrimas dos mais sensíveis e causar aquele aperto no peito de qualquer leitor que se permita conhecer de verdade estas personagens.

O fato de elas não desistirem, não faz com que seu destino seja menos doloroso, conturbado e inseguro. Enquanto escrevo estas linhas recordo momentos da história e a emoção volta a se fazer presente.

Foi terrível. Mas foi como tinha que ser. Quando você discorda de pessoas poderosas, tem que estar preparado para perder tudo.

Sem dúvida alguma é um livro que eu desejaria que todos lessem, até mesmo os que não são tão interessados em histórias fortes, pois é evidente que esta ficção pode ser a realidade de muitas mulheres. O sofrimento é real e a esperança brota até mesmo quando não se vê luz.


9 comentários

Comentários
9 Comentários
  1. Adorei a resenha, me fez entrar no clima do livro, que aliás parece ser excelente. É uma realidade triste que tantas mulheres ainda passam nos dias de hoje em alguns países.

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  2. Olá
    Okha todo livro que se passa no Afeganistão são lindos.
    Todos, uns mais emocionantes outros menos, mas invariavelmente são lindos.
    Vou cm toda certeza procurat este pois amei a resrnha.
    Bjss

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  3. Amei a historia de Rahima!Deve ser maravilhoso o livro,que ja me encantou pela sua resenha!Perfeito!

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  4. Parece ser uma ótima historia!gostei da resenha!

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  5. A história me prendeu quero muito ler

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  6. Eu amei a resenha gosto muito de histórias baseadas em fatos reais e essa história parece ser bem esse caso...as mulheres árabes,muçulmanas realmente sofrem com essa questão do sexismo em seus países são histórias muito tristes gostaria muito de ler esse livro...A editora Arqueiro está de parabéns com essa narrativa e você em nós envolver com sua resenha...A pérola que rompeu a concha anotarei essa indicação de leitura bjs

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  7. Temática diferente e curiosa...achei bem interessante e sua resenha excelente
    Gostei, muito legal.
    Blog ArroJada Mix

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  8. Gentche... que resenha babadeira!
    Esse livro eu curti muuuito!

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  9. Adorei a resenha, nunca tinha ouvido falar da autoraça ou do livro, mais pela sinopse parece ser muito bom

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