Sinopse: "Uma história comovente de uma infância incomum em meio a guerra Certas vidas são tão surpreendentes que não poderiam ter sido inventadas. É o caso da vida de Julian Gruda, aliás, Jules Kryda, aliás, Roger Binet. Como é possível que aos 14 anos um menino já tenha tido tantas identidades? Que tenha vivido com tantas famílias diferentes sem ser desmascarado? Que tenha atuado como agente secreto da Resistência? Como pode ter crescido em um orfanato se tem pelo menos duas mães? E, sobretudo, onde aprendeu a falar a língua dos cães, o que causa tanta admiração em seus colegas? Ao contar em forma romanesca a história verídica de seu pai, Joanna Gruda descreve uma infância incomum, que começa em Varsóvia no início da guerra e termina na Paris liberta. Pelos olhos de Jules, desfilam diante de nós os dias mais desoladores do século passado, narrados com veracidade e vivacidade ímpares. É a guerra como se estivéssemos presentes, contada sem o menor sentimentalismo, tornando ainda mais palpável o caráter trágico desses anos sombrios. Mas este relato cativante é antes de qualquer coisa a história de um menino que preserva sua capacidade de se surpreender diante das reviravoltas do destino. Movido por uma inabalável esperança, ele nos dá uma extraordinária lição de sobrevivência.
Autor(a): Joanna Gruda | Editora: Bertrand Brasil | Páginas: 272 | Ano de lançamento: 2018

Julian é um menino que teve seu destino traçado antes de nascer. Filho de revolucionários, sua gestação foi vista pelo grupo como um empecilho para os planos do movimento. Foram necessários bons argumentos para convencer os líderes de que esta criança merecia nascer e que não representaria qualquer tipo de impedimento ou atraso para os planos dos militantes.

Nada foi fácil em sua vida e seu futuro dependeria de sua capacidade em se adaptar às mudanças constantes e inesperadas.

Sua identidade foi mudada, seus guardiões não permaneceram os mesmos por muito tempo, tão pouco seu paradeiro se tornou previsível. A todo instante algum risco surgia, mas em nenhum momento houve uma participação afetiva de seus pais biológicos.

A mãe de Julian aparecia esporadicamente como sinal de alerta. Quando tudo parecia calmo, ela surgia o levava para outro lugar com o intuito de deixá-lo à salvo de um perigo que o menino sequer imaginava existir.

O que inicialmente era uma confusão na mente da criança, passou a ser parte de sua rotina de forma a se tornar aceitável e compreensível com o passar do tempo. 

Sua facilidade em se adaptar aos grupos em que era inserido foi o que lhe salvou. Fosse na casa de uma família, em um orfanato ou apenas brincando com cães, em todas as situações ele se mostrava centrado e compreensivo, mesmo sabendo que não deveria se acostumar com tal vida, pois ela poderia mudar sem aviso prévio.

Admito que o protagonista me deixou um pouco decepcionada. Esperava menos maturidade em suas atitudes, principalmente por se tratar de um jovem que viveu sem uma perspectiva de futuro seguro. Todas as mudanças que foram impostas agregaram em seu crescimento, mas acredito que ele poderia ter sido um pouco mais parecido com uma criança normal, dotado de inseguranças e medos. Esperei ver nele traços de um menino comum, mas encontrei um mini adulto.

Com descrições na medida certa, a autora criou uma história com toques de realidade, explorando momentos históricos marcantes e repletos de crueldade que trouxeram à tona todo o sofrimento que a guerra é capaz de impor às crianças. A ambientação é ricamente construída, dando ao leitor a sensação de ter participado dos fatos narrados, ou de estar conhecendo a história a partir de alguma conversa com alguém muito próximo.

A narrativa transcorre de forma tranquila, sem elementos suficientes para transformar a leitura em algo capaz de surpreender o leitor que anseia por motivos para se ver envolto pelo livro. 

Aos que buscam uma boa história, mas que não esperam ser envolvidos por algo de tirar o fôlego, ou que não estejam ansiando por algum drama intenso e capaz de arrancar lágrima, esta é uma ótima opção. Como opto por livros que deixem marcas, infelizmente acabei me decepcionando um pouco com a evolução da trama.


Sinopse: Uma criança com o poder mais extraordinário e incontrolável de todos os tempos. Um poder capaz de destruir o mundo. Após anos esgotado no Brasil, A Incendiária volta às livrarias como parte da Biblioteca Stephen King, coleção de clássicos do mestre do terror em edição especial com capa dura e conteúdo extra. No livro, Andy e Vicky eram apenas universitários precisando de uma grana extra quando se voluntariaram para um experimento científico comandado por uma organização governamental clandestina conhecida como “a Oficina”. As consequências foram o surgimento de estranhos poderes psíquicos — que tomaram efeitos ainda mais perigosos quando os dois se apaixonaram e tiveram uma filha. Desde pequena, Charlie demonstra ter herdado um poder absoluto e incontrolável. Pirocinética, a garota é capaz de criar fogo com a mente. Agora o governo está à caça da garotinha, tentando capturála e utilizar seu poder como arma militar. Impotentes e cada vez mais acuados, pai e filha percorrem o país em uma fuga desesperada, e percebem que o poder de Charlie pode ser sua única chance de escapar.
Autor(a): Stephen King | Editora: Suma | Páginas: 644 | Ano de lançamento: 2018

Charlie é uma menina doce, educada e muito inteligente. Apesar da pouca idade ela já compreende os riscos que corre, assim como sabe que o que a distingue das demais crianças é algo poderoso demais. Por vezes ela não consegue evitar que seus pensamentos se transformem em algo ruim, mas não medirá esforços para ser uma garota normal.

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As histórias podem assustar um pouco, mas são importantes. São histórias reais.   ________________________________________________________________________


Seus pais se conheceram na faculdade e a aproximação dos dois aconteceu em um momento um pouco diferente do habitual, já que ambos eram voluntários em um experimento científico misterioso. A condição de cobaia e a confusão que sucedeu o início dos testes foram suficientes para que Andy e Vicky iniciassem uma amizade, passassem a compartilhar os efeitos indesejados dos testes e as descobertas assustadoras sobre tal organização secreta que não os deixariam em paz. 

Agora imagine, temos dois seres humanos modificados, capazes de intensificar seus sentidos e até mesmo desenvolver algumas habilidades incomuns (ler mentes, influenciar as decisões alheias, se comunicar através do pensamento, etc). Era de se imaginar que a união destes dois não resultaria em filhos comuns, não é mesmo?

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- Então essa droga foi dada a elas, e talvez tenha mudado um pouco os cromossomos dessas pessoas. Ou muito. Quem sabe. E talvez dois tenham se casado e decidido ter um bebê, e talvez o bebê tenha herdado mais do que os olhos dela e a boca dele. Não ficariam interessados nessa criança?   ________________________________________________________________________


Seguindo uma ideia um pouco óbvia, mas não menos interessante, a história deste livro mostrará que Charlie, a menina com aparência delicada, é capaz de incendiar um prédio apenas por pensar nisso. Nem mesmo os pesquisadores poderiam imaginar que seus experimentos originariam em algo tão monstruosamente forte quanto a menina.

Tudo é novo e inesperado, fazendo com que qualquer descoberta precise ser estudada e testada incansavelmente, mesmo que isso signifique que as cobaias possam perecer trancadas em uma sala, consumindo todo e qualquer sinal de energia. Se tudo é feito em nome da ciência, evolução e segurança nacional, a agência não poderia perder de vista a doce garotinha, tão pouco deixar de estudar sua capacidade de destruição.

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Talvez eles nem queiram mais nos levar vivos. Talvez tenham decidido manter o status quo. O que se faz com uma equação defeituosa? Apaga do quadro.   ________________________________________________________________________


A jornada em busca da salvação e segurança colocará Andy e Charlie em uma condição de perigo constante, necessitando que ambos se mantenham alertas e cuidadosos. Qualquer sinal de perseguição precisa ser reconhecido imediatamente, pois a segurança dos dois depende disso. Vicky pagou com sua vida e Andy se mostra disposto a seguir o mesmo caminho para proteger sua forte e ao mesmo tempo frágil filha. 

Charlie e seu pai compartilham de uma relação muito simples apesar de todo poder que possuem. Andy sabe que sua filha é capaz de destruir tudo à sua frente sem que isso a consuma, porém também compreende que a jovem menina não deve conviver com estas recordações, deseja apenas que ela possa ter uma vida normal como tantas outras crianças, mas sabe que isto não será fácil de alcançar.



Prefiro as obras mais sombrias deste autor, aquelas que tendem a desenvolver uma atmosfera assustadora e tensa, o que não é o caso desta trama que gira em torno de uma ficção científica bem elaborada. Independente da minha preferência, não posso negar a existência de elementos bem desenvolvidos, personagens ricamente construídos e bem explorados que caminham para uma conclusão não tão surpreendente, mas magistralmente executada.

Imagino que os fãs do gênero aproveitarão mais esta leitura do que eu, porém isso não significa que tenha sido uma experiência desagradável, pois mesmo encontrando momentos levemente previsíveis, a trama se constrói e evolui de forma envolvente e nem mesmo as descrições do autor, que costumam ser cansativas, atrapalham a agilidade da narrativa.



Sinopse: Um livro de suspense que explora as complexidades do casamento e as verdades perigosas que ignoramos em nome do amor. Aos 37 anos, a recém divorciada Vanessa está no fundo do poço. Deprimida, morando no apartamento de sua tia, ela não tem filhos, dinheiro ou amigos verdadeiros. Ao descobrir que Richard, seu rico e carismático ex-marido, está prestes a se casar de novo, algo dentro de Vanessa se quebra. A partir de agora, sua vida irá revolver em torno de uma única obsessão: impedir esse matrimônio. Custe o que custar. Na superfície, Nellie se parece com qualquer outra jovem bela e sonhadora que veio para Manhattan começar sua tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. Em sua mente, perdura um segredo que a fez fugir de sua cidade natal e que a impede de caminhar em paz quando está sozinha. Ao conhecer Richard – bem sucedido, protetor, o homem dos sonhos – ela finalmente começa a sentir-se segura. Ele promete protegê-la de todos os males, para o resto de sua vida. Mas, de repente, ela começa a receber ligações misteriosas. Fotografias em seu quarto são movidas de lugar. O lenço que ela planejava usar em seu casamento desaparece. Alguém está perseguindo a, alguém quer o seu mal. Mas quem?
Autor(a): Greer Hendricks e Sarah Pekkanen | Editora: Paralela | Páginas: 352 | Ano de lançamento: 2018

Vanessa é muito mais do que uma mulher apaixonada que foi trocada pelo marido. Tenho receio de falar muito a seu respeito e começar a disparar spoilers, então irei me deter aos fatos que acredito que você deva saber para iniciar a leitura desta obra. Então prepare-se para encontrar algumas incógnitas nesta resenha, mas saiba que é por um ótimo motivo.

Preciso dizer que me senti enganada durante boa parte desta história. Acreditava estar lendo apenas o relato de uma mulher devotada ao seu marido, mas que precisou superar o fato de ter sido trocada por outra e passou a segui-la. Constantemente tive a impressão de estar diante de um diário sofrido de alguém que amou muito, mas não soube superar a perda.

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"Tento dizer a mim mesma que também é a última vez que faço isso. Que vou deixá-la em paz. Seguir em frente. Seguir em frente para onde?, minha mente me questiona."
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Confesso que tal possibilidade estava me deixando entediada. Ansiava por alguma movimentação, algum momento que ao menos agitasse a narrativa, mas não poderia ter imaginado uma revelação tão intensa ao ponto de me fazer duvidar do que havia lido.

As duas mulheres desta trama são mais parecidas do que possam imaginar, seus destinos se cruzaram por algum motivo. Talvez nem tudo seja mero acaso, mas até um plano cuidadosamente arquitetado reservará surpresas assustadoras e perigosas.

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"Não esqueça que, mesmo quando não estou presente, estou sempre com você."

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Quem seria Nellie? Uma mulher doce e encantadora que abandonou tudo pelo amor de sua vida, ou uma jovem encantada com a possibilidade de compensar todo sofrimento que a vida lhe reservou?

A narrativa segue ao redor destas duas mulheres e em alguns momentos o leitor se aproximará da antiga esposa e em outros se verá diante de uma devoção cega da atual noiva. 
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"A verdade é o único caminho para seguir em frente."
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Sabe aquele romance dos sonhos, digno de algum conto de fadas? Talvez ele não tenha um final tão belo e radiante como nos desenhos da Disney, a realidade pode ser muito mais cruel e doentia do que podemos imaginar. 

Caso inicialmente você comece a sentir uma leve sonolência e, assim como eu, acredite que nada de grande acontecerá, saiba que precisa chegar até a segunda parte desta história, é ali que tudo realmente começa e impulsiona o leitor a querer saber se haverá algum tipo de consequência e qual será a verdade por trás de tanta perseguição.
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"Eu estava a mais de mil quilômetros de casa, mas alguém ainda estava me monitorando."

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Saiba que este livro traz momentos de abuso psicológico, traumas, medos e inseguranças, mas que apesar de uma realidade dura não exagera nos fatos, tão pouco fantasia ou romantiza algo. Esteja preparado para se envolver por estas páginas intensas, mas que também podem lhe fazer refletir sobre alguns relacionamentos reais e as marcas que eles deixam.



Sinopse: Amber Patterson não aguenta mais. Está cansada de ser uma ninguém: uma mulher sem graça e invisível que não se destaca na multidão. Ela merece mais – uma vida de dinheiro e poder como a que Daphne Parrish, a deusa loira dos olhos azuis, tem e não valoriza. Para todos na pequena cidade de Bishops Harbor em Connecticut, a socialite e filantropa Daphne e seu marido Jackson, o magnata do mercado imobiliário, são um casal que parece recém-saído de um conto de fadas. A inveja de Amber poderia consumi-la por dentro... Se ela não tivesse um plano. Amber usa da compaixão de Daphne para se inserir na vida da família – o primeiro passo de um esquema meticuloso para destruí-la. Em pouco tempo, ela se torna a amiga mais próxima de Daphne, vai para a Europa com os Parrish e suas duas belas filhas, e se aproxima de Jackson.No entanto, um fantasma de seu passado pode destruir tudo que ela construiu e, se seu segredo for descoberto, seu plano perfeito pode ir por água abaixo. 
Autor(a): Liv Constantine | Editora: Harper Collins | Páginas: 432 | Ano de lançamento: 2018

Daphne Parrish é uma mulher incrível, há quem a veja como um ótimo exemplo. Inteligente, linda, envolvida com causas sociais e parte de uma família perfeita. Seu casamento dos sonhos é digno de capa de revista, ou de algum belo filme de romance, já que é casada com Jackson, um homem rico e que não mede esforços para agradá-la, a mimando constantemente assim como faz com suas duas filhas.

Toda perfeição desperta curiosidade e inveja em muitas pessoas, mas nenhuma delas parece ser tão afetada pela felicidade da família Parrish quanto Amber, uma mulher vinda de uma realidade mais humilde, com um histórico de dificuldades que variam de abuso à condições financeiras. Não é de se admirar que seus olhos brilhassem ao se deparar com tanto luxo e amor que exalavam daquela enorme casa.

Enquanto Daphne brilha na alta sociedade, Amber se aproxima com cautela e precisão. Nada pode dar errado no plano da mulher humilde que sonha em ter poder, respeito e dinheiro, então nada é feito ou dito sem que haja um interesse genuíno por trás. 
Uma pequena dica: sempre estou dez passos às frente de você.
A tática de Amber parece surtir ótimos resultados, agora parte do seleto grupo de amigos íntimos da família Parrish, sua presença passa a ser notada e o próximo passo deve ser tomar o lugar daquela mulher ingênua que acredita ter encontrado uma nova grande amiga.

Confesso que até metade do livro estava pensando em como escreveria esta resenha, pois Daphne se mostrou frágil demais. A todo instante era possível observar que as atitudes de Amber eram claras, nem havia tanto empenho em esconder seu real interesse naquela suposta amizade, mas mesmo assim a bela e perfeita Sra Parrish parecia estar cega diante de todas as artimanhas construídas.
Eu adorava ter de novo uma melhor amiga. Não tinha percebido o quanto estava solitárias até Amber chegar.
Então chego à metade do livro e sou brutalmente surpreendida. Aquela história que aparentava ser apenas mais uma dentre tantas outras, onde mulheres totalmente diferentes disputam o amor do perfeito homem, se apresentou como um thriller intenso e que fazia muito sentido.

Minha visão sobre Daphne mudou totalmente e passei a admirá-la. Obviamente não posso contar o motivo, mas acredito que se você fizer como eu e seguir em frente, verá que esta trama tem muito mais a oferecer do que aparenta logo de cara.

O leitor que se permitir ser envolvido por esta narrativa, que inicialmente soa como entediante e mais do mesmo, não irá se arrepender e verá que os personagens são muito mais complexos e interessantes do seria possível imaginar. Acredite, este livro tem muito mais para lhe oferecer do que apenas uma intriga boba entre duas mulheres.
Ela teria a sua sentença de morte bem aqui, em Connecticut.
A vida dá muitas voltas e a Sra Parrish fará questão de lhe mostrar como é possível se manter em pé.


Sinopse: Uma história sobre amizade e sobrevivência, magia e encantamento, beleza e terror.Maresi chegou à Abadia Vermelha quando tinha 13 anos, durante o Inverno da Fome. Antes disso, só ouvira rumores e fábulas sobre o lugar. Em um mundo onde garotas são proibidas de estudar ou seguir seus próprios sonhos, uma ilha habitada apenas por mulheres soava como uma fantasia incrível. Agora Maresi vive ali e sabe que é real. Ela está segura.Tudo muda quando Jai, com seus cabelos emaranhados, cicatrizes e roupas sujas, chega em um navio. Ela fugia da crueldade e dos perigos escondidos em sua terra natal – mas os homens que a perseguem não vão parar por nada, até encontrá-la.Agora as mulheres e meninas da Abadia Vermelha terão que usar seus poderes e conhecimento ancestral para combater as forças que desejam destruí-las. E Maresi, assombrada por seus próprios pesadelos, deve confrontar seus mais profundos e terríveis medos.
Autor(a): Maria Turtschaninoff  | Editora: Morro Branco| Páginas: 200 | Ano de lançamento: 2018

As Crônicas da Abadia Vermelha # 1


A Abadia Vermelha é um local que oferece proteção e conhecimento às meninas que ali buscam auxílio. Independente da causa que as levem até o local, todas são acolhidas e ensinadas da mesma forma. Até mesmo a criança mais jovem terá sua existência respeitada, bem como a garantia de que aquele é seu novo lar.


Algumas meninas buscam a sabedoria que envolve a Abadia, outras encontram ali seu porto seguro e a única alternativa de sobrevivência. Maresi se encaixa mais no segundo perfil, já que sua família a enviou com o intuito de protegê-la das dificuldades que enfrentaria.

Mesmo envolta pela magia da ilha e por seu interesse pelos livros, a jovem protagonista não vislumbra ocupar uma posição importante entre as demais. É feliz dentro do que crê ser seu papel, mas não imagina representar algo além de apenas mais uma jovem simpática e acolhedora.

Porém tudo muda com a chegada de Jai, uma jovem que fora enviada pela mãe com o intuito de protegê-la da fúria de seu pai. Após ter visto sua irmã ser enterrada viva para salvar o nome de sua família, o medo e o perigo a rondam até que a matriarca opta por dar adeus à sua última filha. Melhor nunca mais a vê-la, mas acreditar que está em segurança, do que mantê-la em seu lar que representa risco constante à sua vida.
Eu não sabia se minha mãe acreditava que a Abadia fosse além de um mito. Mas ela sabia que, sem Unai, eu nunca poderia corresponder às expectativas de meu pai. E alguém que matou uma vez, não hesita em matar de novo.
Maresi narra cada momento da história através de suas recordações, permitindo ao leitor a criação de um laço com a protagonista que não omitirá fatos por mais dolorosos que possam ter sido, ou por mais belos e inacreditáveis que possam parecer. Aquela vida tranquila e regrada muda totalmente com a chegada de Jai, todo o perigo que a perseguia fora da ilha encontra uma maneira de adentar em espaço sagrado, trazendo risco à todas e criando um novo ciclo na Abadia.
Ainda posso me lembrar vividamente de certas coisas que eu preferia esquecer. O cheiro do sangue. O som de ossos sendo esmagados. Não quero trazer tudo à tona outra vez. Mas preciso. É difícil escrever sobre a morte. Mas não há desculpa para não fazê-lo.
Com uma narrativa envolvente, rápida e intensa, Maresi prende o leitor que deseja conhecer o poder das jovens da Abadia Vermelha. Toda a sabedoria da ilha não ficará restrita à biblioteca com livros tão antigos que mal podem ser lidos. 

O encantamento que a obra possui ultrapassa a fantasia e explora a força da mulher. Exaltando em diversos momentos a união, amizade, respeito e compaixão, provando que independente da situação e da idade, as moradoras da Abadia têm muito do que se orgulhar.

Não espere encontrar belas e delicadas donzelas que vivem reclusas, estas mulheres passarão por situações que causariam medo em qualquer um, mas não desistirão diante dos homens que ameaçam suas vidas. Se houver necessidade de sacrifícios para garantir que as demais tenham chance de sobreviver, elas não hesitarão. 

Imaginei algumas formas de encerrar esta resenha, mas nenhuma parece ser digna o bastante de representar o que realmente senti durante a leitura. Mas faço questão de dizer que Maresi entrou para minha lista de preferidos do ano.




Sinopse: Em 1890, depois de um escândalo que afetou sua reputação, Charlotte Pauly deixa Berlim e vai lecionar para a pequena Emily, em Chalk Hill, uma mansão vitoriana nos arredores de Londres. Charlotte logo percebe uma estranha atmosfera na antiga casa. A menina de 8 anos é sempre atormentada por pesadelos e visões fantasmagóricas da mãe, que se afogou no rio da propriedade em circunstâncias misteriosas. Quando Charlotte tenta saber a respeito da morte de Lady Ellen, o pai de Emily, Sir Andrew, reage com hostilidade. Com tudo envolto em um grande mistério, somente com a ajuda de Tom Ashdown, um jornalista londrino designado para investigar o caso, é que Charlotte poderá verificar o que há por trás dos fenômenos sobrenaturais que assolam a mansão e descobrir uma trágica verdade escondida nas paredes de Chalk Hill...
Autor(a): Suzanne Goga | Editora: Jangada | Páginas: 424 | Ano de lançamento: 2017
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Charlotte Pauly é uma professora dedicada, esforçada e com ótimas recomendações, porém um pequeno incidente abalou sua reputação e a única alternativa viável para se manter na atividade seria se mudar. Agora distante do local onde os boatos ganharam força, a profissional irá se deparar com situações estranhas relacionadas à menina que será sua aluna.

Emily é vista como uma criança tímida e frágil que exige muito cuidado, principalmente após a morte misteriosa de sua mãe. Super protegida pelo pai, a menina tem aulas em casa e apesar de já ter 8 anos ainda vive sob os cuidados constantes de uma babá. Nem mesmo seus cabelos são penteados sem auxílio.

Pauly encontra nesta família a oportunidade de reorganizar sua vida e seguir em frente, porém não esperava se deparar com um mistério fortemente presente na residência de Chalk Hill. 

Não é nenhum crime não saber uma coisa, mas é tolo se acomodar na ignorância.

Sua jovem aluna afirma ver sua falecida mãe. Inicialmente o medo a cerca e lhe deixa insegura durante a noite, mas logo se acostuma e anseia pela chegada da hora de estar perto da mulher que era apenas uma vaga lembrança.

Apesar da ambientação bem construída, trazendo à tona uma atmosfera sombria em torno das aparições da falecida Lady Ellen, o que paira realmente no ar é a dúvida sobre o que seria real ou imaginário. Estaria a menina tendo contato com o sobrenatural ou seria apenas mais um caso intenso de alucinações? A necessidade de descobrir o que realmente acontece com Emily movimenta a narrativa e dá gás à leitura.

Por que Lady Ellen havia tirado a própria vida? O que haveria por trás da janela aberta à noite e das visitas que Emily supostamente recebia?

Admito que eu estava preparada para uma leitura incrivelmente assustadora, mas me deparei com um suspense interessante e um mistério que beirava um pouco mais o lado investigativo do que propriamente o do medo. Talvez o fato de eu ter esperado ansiosamente por momentos de susto, acabei me decepcionando um pouco com o rumo que a história estava levando.

O rio a levou. Ela dizia que não gostava de morar próximo ao rio, que à noite podia sentir que ele a chamava e chamava. Ele a fez sentir medo e a atraiu. Foram os espíritos que fizeram isso.

A conclusão se mostrou marcante e apesar de me apresentar respostas satisfatórias e que faziam muito sentido, não deixou de manter um certo ar de mistério no ar, dando a impressão de que nem toda história tem um final concreto e bem resolvido, sempre há algo a mais que não ousamos imaginar.







Sinopse: Durante uma missão no Iraque, o fuzileiro Logan Thibault encontra, enterrada no chão, uma fotografia de uma linda jovem sorridente. Logo depois, ele experimenta uma súbita onda de sorte – ganha todos os jogos de pôquer e até sobrevive a um confronto mortal. A explicação parece ser uma só: a foto que ele encontrou se transformou em seu amuleto.Ao voltar para casa, nos Estados Unidos, Logan não consegue tirar a jovem da cabeça e empreende uma jornada ao outro lado do país para encontrá-la. Na viagem, conhece Elizabeth, uma mulher divorciada, mãe de um menino, e é pego de surpresa pela forte atração que nasce entre eles.


Autor(a): Nicholas Sparks | Editora: Arqueiro | Páginas: 304 | Ano de lançamento: 2018
Compre aqui: Saraiva - Amazon

Logan Thibault é um homem que chama atenção por sua beleza, simpatia e carisma, porém guarda consigo uma história que opta por manter secreta na nova cidade em que passa a residir.

Durante a guerra ele encontrou a foto de uma mulher que despertou sua atenção, após tê-la deixado por um tempo no mural de avisos sem que qualquer outro soldado a tomasse para si, nosso protagonista decide que a carregará consigo. De certa forma tal imagem representa muito a ele, chegando a possuir um ar místico, como uma espécie de talismã.


Porém ele não se contentará em apenas se sentir com sorte ou protegido. Seu apego a tal foto o colocará em uma longa viagem em busca da bela moça retratada naquele pequeno papel, encontrando resultados que não poderia imaginar e colocando sua vida em um rumo diferente do planejado.


Thibault encontra Elizabeth, uma mulher encantadora, mãe exemplar e profissional dedicada. Muito interessante e determinada, a personagem representa um papel importante na trama, porém ela não é apresentada apenas como uma mulher bonita capaz de encantar o coração do mais novo morador da cidade, ela é tida como uma pessoa forte e que sabe exatamente o que quer para sua vida e de seu filho. Nada de menininha frágil a espera do príncipe encantado. 


Não sou o tipo de leitora que se apaixonada logo de cara por romances, mas posso afirmar sem qualquer hesitação, que as histórias escritas por Nicholas Sparks possuem o poder de me prender às páginas ao ponto de me fazer suspirar, ou nos casos mais fortes, deixar que uma lágrima caia. 


Um homem de sorte foi a primeira experiência desagradável que tive em relação ao autor. Não digo que seja uma história ruim ou que seus personagens tenham perdido o encanto, mas pela primeira vez eu me senti cansada com a narrativa que parecia não caminhar a lugar algum.


A aproximação entre Logan e Elizabeth é previsível, não que em outros livros do autor o relacionamento dos mocinhos não beire o clichê, mas neste casal eu senti uma certa ausência de química, envolvimento e paixão. Não consegui me convencer pelas causas que os aproximaram, tão pouco desejei que vivessem felizes para sempre.


Como em toda história de Sparks há um ponto na trama que prende a atenção do leitor. Neste instante prendi a respiração, o coração acelerou e eu me senti novamente imersa pelas palavras dos autor, mas infelizmente este choque não foi o suficiente para apagar todos os outros momentos mornos que encontrei.




Sinopse: Um amor proibido, uma traição terrível, uma agressão selvagem. Um romance de força impressionante, que nos faz mergulhar nas contradições do Mississippi pós-Segunda Guerra Mundial.Ao descobrir que o marido, Henry, acaba de comprar uma fazenda de algodão no Sul dos Estados Unidos, Laura McAllan, uma típica mulher da cidade, compreende que nunca mais será feliz. Apesar disso, ela se esforça para criar as filhas num lugar inóspito, sob os olhos vigilantes e cruéis de seu sogro. Enquanto os McAllans lutam para fazer prosperar uma terra infértil, dois bravos e condecorados soldados retornam do front e alteram para sempre a dinâmica não só da fazenda, mas da própria cidade. Jamie, o jovem e sedutor irmão de Henry, faz Laura de repente renascer para a vida, enquanto Ronsel, filho dos arrendatários negros que trabalham para Henry, demonstra uma altivez que não será aceita facilmente pelos brancos da região.
Autor(a): Hillary Jordan | Editora: Arqueiro | Página: 272 | Ano de lançamento: 2018
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Nesta história o leitor conhecerá duas famílias diferentes e ao mesmo tempo muito parecidas. Em ambas é possível reconhecer o respeito e carinho entre si, o desejo por um futuro próspero e a necessidade em se adaptar às mudanças. Mas há algo que as torna completamente diferente aos olhos da sociedade, a cor de sua pele.
Desprezo: era isso que aquele pessoal sentia por nós. E fazia questão de anunciar.

De um lado a família dos McAllan precisará deixar o pouco de conforto que possui para que possam ter sua própria fazenda. Vivendo agora em uma casa pequena, sem luz elétrica ou água encanada, distante da cidade ou de qualquer contato com as belas lojas, Laura, a mãe desta família, terá que se adaptar e conduzir os cuidados da casa da melhor forma possível, mesmo que para isso precise aguentar a acidez de seu sogro que insiste em querer lhe dar ordens e não mede suas palavras racistas proferidas aos que os rodeiam.

De outro a família Jackson que já está acostumada com os baixos recursos e com os olhares de desprezo, tentará seguir sua vida normalmente. Sempre de cabeça baixa, aceitando qualquer tipo de ofensa e acreditando que o lugar que ocupam na sociedade é o de servidão.


Na Alemanha, eu era um libertador, um herói. No Mississipi, era apenas um preto empurrando um arado. E, quanto mais me demorava ali, mais me tornava somente isso.

Pappy McAllan é um senhor grosseiro, preconceituoso e que se acha sábio. Suas constantes investidas contra as pessoas negras se tornam absurdas e chocam o leitor, já que em nenhum momento ele demonstra ter um pingo de arrependimento ou dúvida sobre suas atitudes. A forma como ele trata os membros da família Jackson é capaz de abalar a confiança do leitor na humanidade.

O que já parecia ruim passa a se tornar pior quando dois soldados voltam da guerra e se tornam amigos. Mas o que poderia ter de tão estranho nisso? Simples, um deles era filho de Pappy e o outro era Ronsel Jackson, um negro que colocou sua vida em risco para salvar o país, mas que ao retornar à sua cidade é tratado com desprezo.


Pouco importava que tivéssemos atendido ao chamado para lutar a guerra deles: para os brancos, ainda éramos apenas crioulos.  E os soldados negros que haviam morrido, apenas crioulos mortos.

Através de capítulos curtos, intercalando a narrativa ágil e envolvente dos personagens, é possível compartilhar dos sentimentos dos mesmos, assim como se envolver pela trama ao ponto de não perceber o tempo passar. Todos são interessantes à sua maneira, há o que demonstrará todo o lado amargo e cruel da sociedade e do racismo, mas nem toda essa maldade será capaz de tirar o brilho desta obra.

Este não é o livro mais pesado sobre racismo, tão pouco o mais cruel que já li, mas nem por isso perde seu valor ou deixa de ter uma história intensa e emocionante. Conhecer os fatos pela visão dos personagens envolvidos dá à trama uma realidade muito maior, a proximidade com cada ato, sentimento ou pensamento enriquecem a obra e envolvem o leitor.

Mudbound não é um mero romance, tão pouco um simples drama, mas sim um livro que traz uma reflexão sobre o racismo e como por vezes as pessoas tendem a aceitar o que lhes é imposto. Sem dúvida alguma este livro entrará para a lista de preferidos de 2018!



Sinopse: Certa vez ouvi alguém dizer que “quem realmente ama não desiste nunca’’, e essa frase causou um turbilhão de conflitos dentro de mim. Por que tentamos o tempo todo nos convencer de que o amor é de fato permanecer? Ficar, somente por não termos coragem de partir?Às vezes ir embora se torna necessário: você se envolve em uma relação abusiva, que só consegue te fazer mal. Você se vê insatisfeito em uma relação, mas ainda assim insiste em acreditar que tudo vai melhorar. Ou quando você ama tanto alguém que não consegue aceitar o fato de que a maior prova de amor que podemos ter é deixando o outro ir. Eu já desisti algumas vezes, mesmo querendo tanto ficar, porque aprendi que não adianta um só querer. É preciso ter muita coragem pra desistir de alguém que você ama pra caramba só porque não faz mais sentido. É preciso acreditar que onde não existir reciprocidade, a gente não deve demorar.

Autor(a): Iandê Albuquerque | Editora: Planeta | Páginas: 200 | Ano de lançamento: 2018
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Quando iniciei a leitura esperava encontrar apenas textos aleatórios sobre relacionamentos que não deram certo. Confesso que a acreditava que estas páginas me proporcionariam meros momentos de distração e que encerraria a leitura normalmente, sem que nada de grandioso ficasse comigo após fechar o livro.

Fui positivamente enganada. Nestes textos curtos o autor me fez recordar de momentos em que precisei levantar e sacudir a poeira, situações em que me via acomodada ou presa a algo que não me fazia bem. Apesar de aparentemente o livro ser mais voltado para relacionamentos amorosos entre casais, vi nele muito sobre amizades que já tive.

Não espere encontrar um manual elaborado sobre empoderamento ou a fórmula perfeita para ser feliz. O que o autor traz é ainda maior e mais enriquecedor. Suas palavras representam o que muitos de nós pensamos ou vivemos.

Perder alguém dói muito, mas se perder por alguém é uma dor sem comparação.

Em alguns momentos tive a sensação de estar ouvindo as confissões de algum grande amigo, em outros parecia estar lendo cartas que por algum motivo não tive coragem de enviar. A identificação com o que foi relatado nestas crônicas se deu de forma imediata, logo no início já pude notar que esta seria uma leitura que me prenderia e conquistaria minha admiração.

Esta obra é repleta de bons sentimentos, alguns palavrões necessários e muito aprendizado sem aquela carinha de autoajuda que costumam mostrar a direção exata que devemos seguir.

E desculpa, meu bem, mas essa pessoa linda e maravilhosa por fora e por dentro não nasceu pra ser contatinho de ninguém, nasceu pra ser mozão!

Um livro que fala sobre sentimentos de forma descontraída, sem dramas e exageros, que preenche o pensamento do leitor com as mais sinceras palavras, proporcionando reflexões incríveis e recordações marcantes.




Sinopse: A chegada de Olav, um garoto de 12 anos, a um orfanato nos arredores de Oslo causa grande desconforto a todos que vivem lá. E mais ainda à rígida diretora da instituição, Agnes Vestavik, que vê algo aterrorizante no olhar do menino: puro ódio. Quando Agnes é encontrada morta com uma faca de cozinha cravada nas costas – e Olav desaparece –, o caso vai para a investigadora Hanne Wilhelmsen, recentemente promovida a inspetora chefe da Polícia de Oslo.

Autor(a): Anne Holt | Editora: Fundamento | Páginas: 264 | Ano de lançamento: 2017

Olav é um garoto diferente dos demais, não apenas pela sua aparência assustadora devido ao seu tamanho robusto, mas sua personalidade também é vista como incomum, principalmente por sua mãe que desde seu nascimento o observa e nota que precisa de ajuda.



Eu estava sentada com um menino de 3 anos me encarando e tinha mais medo dele do que jamais tive de seu pai alcoólatra. 

A constante busca por auxílio com o serviço social colocaram a pequena família de Olav no caminho de um orfanato. Aparentemente a mãe não teria condições de criar um jovem com tendências à violência e um temperamento tão forte que ameaçava as crianças ao redor. Seria ele apenas uma criança incompreendida e que vivia em seu próprio mundo?

Sempre quando ele demonstrava ser bom em algo, dominar alguma coisa, eles conseguiam transformar em algo negativo que geralmente era culpa minha.

Aos poucos o leitor terá a possibilidade de conhecer este menino incompreendido, porém no meio de tantas descobertas há um assassinato. 

Agnes, a diretora rígida e que tentava colocá-lo nos moldes que acreditava ser o correto, tem sua vida ceifada após ser atacada por alguém em sua própria casa. Nenhum dos moradores do orfanato viu algo suspeito, tão pouco possuem provas para incriminar alguém, porém o jovem rebelde desaparece e passa a fazer parte da investigação conduzida pela polícia.

Você não faz a menor ideia de como ele é ou como vivencia o mundo. Ele fugiu porque odiava ficar lá. Ele queria vir para casa! Para casa, entende? Aqui! Pode não parecer muito uma casa, mas eu sou a única pessoa que Olav ama no mundo.

Olav tem uma história de vida conturbada, mas seria possível que um garoto com tantos medos fosse capaz de ter coragem suficiente para assassinar a diretora do orfanato? Será que ninguém mais naquela casa teria motivações mais concretas?

Admito que minhas perguntas foram respondidas rapidamente e desconfiei dos personagens certos, porém quando acreditei que tudo já estava solucionado nesta minha mente de apaixonada por romances policiais, surgiu algo capaz de me chocar e fazer repensar a orientação da minha própria investigação.

A leitura que na maior parte do tempo transcorreu de forma morna e sem grandes revelações capazes de me deixar boquiaberta, ganhou fôlego nas últimas páginas, exatamente quando eu imaginava que não teria nada de novo e capaz de me surpreender.

A narrativa é descomplicada, por vezes pode provocar uma leve sonolência, mas apresenta elementos suficientes para manter o leitor acordado, principalmente com a proximidade do final. Capaz de provocar um misto de sentimentos, confesso que ainda não sei se estou surpresa ou comovida.