Sinopse: Em 1963, Ellis e Michael eram dois garotos de doze anos que se tornaram grandes amigos. Durante muito tempo, sempre foram apenas os dois, andando pelas ruas de Oxford, um ensinando ao outro coisas como nadar, descobrir autores e livros e a esquivar-se dos punhos de seus pais dominadores. Até que um dia algo muito maior que uma grande amizade cresce entre eles. Mas então, avançamos cerca de uma década nesta história e encontramos Ellis, agora casado com Annie, e Michael não está mais por perto. O que leva à pergunta: o que aconteceu nos anos que se seguiram? Esta é quase uma história de amor. Mas seria muito simples defini-la assim.
Autor(a): Sarah Winman | Editora: Faro Editorial | Páginas: 160 | Ano: 2018

Antes de qualquer coisa acredito que preciso avisar que venho adiando a leitura deste livro há muito tempo. Por diversas vezes iniciei a leitura e acabei não dando continuidade, penso que não estava no momento certo para me envolver pela narrativa, estava buscando histórias fortes e arrebatadoras e infelizmente não conseguia me conectar com superficialidade desta obra. No entanto, após tantos meses, decidi que estava na hora e acertei em cheio, em poucas horas havia concluído a leitura.

Em "O homem de lata" iremos conhecer dois grandes amigos, Ellis e Michael. A proximidade entre os dois é nítida desde a infância, dividindo os momentos mais marcantes, sejam eles bons ou não.

A relação entre os dois é um pouco confusa, principalmente se considerarmos que nem mesmo os garotos sabiam o nível de intimidade que desejavam ter. Isso mesmo, conforme eles amadurecem descobrem que a proximidade entre eles é mais complexa e profunda do que imaginavam, mas talvez não estejam prontos para isto.


"Desde o primeiro momento em que o vi senti vontade de beijá-lo. Essa é minha introdução preferida e mais bem ensaiada para um conversa a respeito de Ellis."

O livro se divide entre as perspectivas dos personagens. Inicialmente o leitor acompanhará os dias de Ellis, que infelizmente são descritos de forma mais lenta, sem emoções e por vezes entediante. Logo na metade da obra temos o prazer de conhecer melhor Michael, um homem apaixonado e de atitude, ouso dizer que foi a narrativa do ponto de vista deste personagem que salvou a leitura, pelo menos para mim.

Ellis me cansou, suas escolhas me incomodaram e sua falta de atitude me desanimou. Esperava ver nele uma pessoa com mais vida, mas realmente ele é um homem de lata, sem coração. Infelizmente toda esta falta de ânimo tornou a primeira parte do livro cansativa.

Em compensação Michael, que tem sua trajetória menos explorada, possui uma história mais interessante. Ellis passou por dificuldades, porém Michael também e apesar de todos altos e baixos se mostrou mais humano e intenso. Acredito que se Michael tivesse tido mais espaço minha avaliação seria totalmente diferente, mas ainda me sindo cansada por Ellis.

Este livro fala sobre amor, cumplicidade e a importância de demonstrar o que se sente. Uma leitura que pode ser um pouco cansativa, mas que apresenta elementos interesses que trazem uma leveza e uma cor para as páginas. 




Sinopse: E se você descobrisse que viveu muito tempo sob perspectivas equivocadas?E que foi cruel com uma das pessoas que mais amava no mundo?Essa é a jornada...Ao sul dos Estados Unidos, numa pequena cidade do Tennessee, o pastor Asher Sharp tem de encarar o seu próprio passado após uma das mais violentas enchentes que aquelas terras já enfrentaram.Então um casal gay pede abrigo ao pastor após ajuda-lo no socorro a outras pessoas, mas perderam tudo na inundação. Asher se vê diante de um dilema, quer abrigar os dois homens mas encara a recusa de sua esposa. Um fato que vai trazer à tona histórias enterradas de sua própria vida, da rejeição ao seu irmão, que era também seu melhor amigo.Algo que o faz questionar todos os valores daquela comunidade e tomar atitudes de ruptura, que desencadeiam uma série de outros eventos.Decidido a encontrar o irmão de quem ele se afastou e nem sabe o paradeiro, desejando salvar o filho de um ambiente asfixiante, ele parte numa viagem rumo ao sul. Um percurso em que toda a sua história é passada à limpo, em meio a belas paisagens, novas amizades e descobrindo um mundo imenso, muito diferente do seu, algo que pôde ensiná-lo sobre as coisas mais profundas da vida.
Autor(a): Silas House | Editora: Faro Editorial | Páginas: 272 | Ano: 2019

Asher é um homem de bom coração, respeitado pelos moradores da cidade, pastor de uma igreja conservadora e pai de uma família tradicional. Sua vida gira em torno da devoção à Deus e do amor por seu único filho, Justin.

A vida pacata da família do bom pastor é brutalmente modificada após uma enchente que desabrigou muitas pessoas da cidade, dentre os que foram atingidos pelo desastre estava um casal homossexual. Prontamente Asher abriu as portas de sua casa para os dois, seu instinto protetor não lhe permitiria deixar alguém em meio ao risco das águas que invadiam residências, porém sua atitude não foi bem vista por sua esposa, tão pouco pelos demais fiéis que o seguiam.


" - Isto é o que temos que fazer: sermos bons uns com os outros. Se alguém for diferente de você, procure conhecê-lo em vez de lhe dar as costas. Durante anos preguei que vocês deveriam julgar os outros e levá-los a mudar. Mas eu mesmo mudei minha forma de pensar. "

Há algo no passado de Asher que o perturba, um arrependimento que o corrói e que provavelmente serviu de estopim para que percebesse que estava na hora de mudar. O seu conservadorismo abre espaço para o respeito à todos, além de lhe permitir compreender que sua igreja deveria abrir espaço para todos os filhos de Deus.

A vida do protagonista vai além de sua trajetória como pastor, então não espere encontrar ensinamentos bíblicos ou algum tipo de reflexão de cunho espiritual. Sua vida desmoronou, foi impedido de ver seu filho e sua atitude diante disso pode soar um pouco duvidosa.


" - Durante toda a minha vida tentei ser um bom homem, amigão. Tentei seguir as regras e fazer tudo como manda a cartilha. Mas nesse tempo todo, fui me tornando uma pessoa dura em vez de me tornar uma pessoa melhor. "

A admiração que nutri pelo personagem ao vê-lo evoluir e enfrentar a sociedade homofóbica foi se perdendo conforme ele tomava decisões que não me pareciam corretas. Aos poucos passei a enxergá-lo como um homem imaturo, inseguro e por vezes egoísta, eu esperava que sua mudança tivesse lhe ensinado algumas coisas e mostrado que era uma pessoa muito melhor do que imaginava ser. 

O autor se utilizou de uma narrativa bem leve, pronta para ser lida em poucas horas, porém não encontrei grandes revelações que me instigassem a querer mais ou a ansiar por um final feliz. É uma história estilo filme de sessão da tarde, um drama leve com desenvolvimento ágil e sem grandes surpresas.

Para quem busca uma opção de leitura para passar o tempo, com uma pequena dose dramática e com uma leve crítica à sociedade conservadora, este livro é uma boa opção.







Sinopse: Todas as lendas têm um começo, e por trás de toda história escrita há uma verdade: o manuscrito proibido da edição original de Drácula, de Bram Stoker. O manuscrito original de Drácula, um dos maiores clássicos de horror da literatura mundial, tinha mais páginas que a versão que viria a ser publicada. Considerado "sombrio e assustador demais" para os leitores da época, um trecho foi suprimido, contra a vontade do autor. Essa primeira parte do livro nunca foi divulgada e, ao longo dos anos, apenas alguns poucos leitores selecionados tiveram acesso a ela. O atual responsável pelo espólio de Stoker, Dacre, e o escritor e roteirista J. D. Barker (Forsaken) acharam que estava na hora de contar essa história. Edição autorizada pelo espólio de Bram Stoker. Em 1868, um rapaz teve um encontro assustador com uma criatura diabólica.Armado com nada mais que uma espingarda velha e algumas relíquias sagradas, o então jovem de 22 anos foi capaz de manter aquela figura, a própria encarnação do mal, presa em uma antiga torre. O encontro durou apenas uma noite, e aquela foi a mais longa noite da vida de Bram Stoker. Durante as horas de desespero, Stoker fez um apanhado de sua vida, relembrando os momentos que o levaram até ali: a infância enferma, uma babá misteriosa, as histórias de terror que ele ouvia. Enquanto isso, era tentado, provocado incessantemente pela criatura maligna, que pretendia enganá-lo para voltar à liberdade. Mas Bram deve mantê-la ali, caso pretenda sobreviver até a alvorada.
Autor(a): Dacre Stoker e J.D. Barker | Editora: Planeta | Páginas: 432 | Ano: 2018

Bram Stoker era um menino doente, frágil e que queria ter uma vida normal como a de seus irmãos que esbanjavam saúde e liberdade. Sua doença o impedia de brincar como tantos outros garotos de sua idade, seu longo período acamado ou simplesmente isolado em seu quarto lhe cansavam, ao mesmo tempo em que lhe permitiam ter tempo para aprender a se atentar aos detalhes.

Apesar do cuidado zeloso de sua mãe e da babá da família, Ellen, o jovem vivia uma constante oscilação de sua saúde, tendo diversos momentos em que se vê diante da morte, porém tudo muda após quase ser levado por sua doença. Todos acreditaram que o tratamento utilizado por seu tio foi o responsável por sua cura, porém ele sabe que o que aconteceu naquela noite é mais complexo do que aparenta ser. A sua possível cura veio de algo sobrenatural, algo que com certeza não consegue explicar.


" - A babá Ellen trouxe você de volta dos Portões do Inferno noite passada e o resgatou do toque do Demônio. Disso tenho certeza."

A partir desta cura milagrosa Bram e sua irmã Matilda começam a investigar o que há de estranho na casa e na vizinhança. Ambos acreditam que a babá está escondendo algo, porém nem mesmo a criatividade e a mente fértil de duas crianças são capazes de adivinhar o que Ellen estava escondendo.


" - Você está sentado aí, um adulto, por minha causa, Bram. Você sabe disso, certo? Eu podia tê-lo deixado morrer naquela noite, mas não fiz isso. Eu vi o mal que o seu tio feiticeiro estava conjurando e interferi para impedir que sua mãe e seu pai fossem amaldiçoados. Você não tem ideia do tipo de problema que isso me causou, tem?"


Quando se pensa em Drácula quais são as primeiras coisas que surgem na sua cabeça? Vampiro, sobrenatural, crueldade, pactos, etc? Bom e se eu lhe disser que talvez a brilhanta história escrita por Bram Stoker não é uma mera ficção?

Este livro se propõe a mostrar uma parte da história do famoso autor que nunca foi contada. Não se trata de uma biografia, tão pouco podemos acreditar em todas as palavras que estas páginas contêm, mas a forma como se desenvolve acaba instigando o leitor a querer saber mais.

O leitor irá se deparar com uma nova história sobre algo antigo, permitindo a criação de uma nova versão para a origem deste personagem tão conhecido. Esqueça Vlad, o empalador, e permita-se conhecer o início de tudo, ou ao menos o começo do contato de Stoker com o seu personagem.


" - Meus homens receberam ordens para enterrar cada um dos pedaços em um cemitério diferente, para nunca serem encontrados. O corpo dele nunca morrerá. A alma dele sofrerá pela eternidade como membro da legião dos mortos-vivos."

A forma como o livro foi construído permite que o leitor tenha uma perspectiva mais completa sobre os acontecimentos, pois explora o relato e observação de diversos personagens, então esteja pronto para ler cartas de Matilda, diário de Ellen, medos de curiosidades de Bram, entre outros.

Ao utilizar diversos elementos sobrenaturais e inserir de forma tão intensa e sombria seres que já foram amplamente explorados, os autores resgataram nesta obra uma história de vampiro "raiz", digna de prender o leitor e deixá-lo angustiado com o que está por vir.





Sinopse: Não se deixe enganar pelas aparências.
Depois de uma manhã agitada no curso de psicologia forense, Morgan não vê a hora de voltar para casa, no Brooklyn, e trabalhar em sua dissertação. Tudo o que ela queria era ficar sozinha, mas seu noivo, Bennett, está a sua espera. Ao chegar, ela encontra a porta entreaberta. Morgan teme que algum dos seus três cães tenha fugido. Ela abre a porta com o ombro, esperando ser recebida pelos animais. Porém, nenhum deles aparece de imediato. Há marcas no chão, pegadas de cachorros.
Nuvem, o cão-da-montanha-dos-pirineus, é a primeira a vir ao seu encontro, mas sem o ânimo habitual. Seus pelos estão vermelhos de um lado, como se ela tivesse se sujado em uma parede com tinta fresca. Sangue. Morgan procura sinais de ferimentos, mas não encontra nada. Nem nos dois pit-bulls, George e Chester.
Ela avança pelo corredor, e as manchas de sangue que encontra parecem cada vez maiores. Por fim, vê Bennett caído no chão do quarto, a perna em cima da cama. Logo percebe que ele está olhando para cima. Ou estaria, se ainda tivesse globos oculares. A pele das mãos foi arrancada. E a perna em cima da cama não está ligada ao resto do corpo, ela foi arrancada.
Bennett foi atacado, destroçado e morto pelos cães. Mas como isso pode ter acontecido, se Nuvem, Chester e George são extremamente dóceis? Algo não faz sentido nessa história, e tudo fica ainda mais estranho quando Morgan, ao tentar localizar a família de Bennett, descobre que esse não era seu nome verdadeiro. Mas mal sabia ela que encontrar o noivo morto foi só o início de seu maior pesadelo.
Autor(a): A.J. Rich | Editora: Record | Páginas: 266 | Ano: 2019

Morgan está prestes a concluir seu curso de psicologia forense, mesmo sem o diploma em mãos, seu olhar já é mais apurado e os detalhes são sempre observados com cautela. Infelizmente após um dia exaustivo ela se verá diante da cena de um crime, mas não é qualquer local e sim sua própria casa.

A protagonista só precisava de um descanso, mas logo ao abrir a porta percebe que algo está errado. Marcas de sangue no chão e um silêncio estranho. O que teria acontecido ali, ela estaria em risco ou seria apenas seu noivo aprontando alguma surpresa?

Infelizmente Morgan se deparou com uma visão terrível, Bennett, seu noivo, havia sido assassinado em seu quarto, um cenário digno de um filme de terror ou de um bom suspense policial. A forma como havia morrido não era tão misteriosa, visto que as marcas em seu corpo eram claramente de um ataque canino. Seriam seus três cães responsáveis por esta tragédia, mesmo que nunca tivessem representado qualquer tipo de perigo, ou haveria algo mais assustador por trás desta morte?


"- Meu noivo está morto. Eu encontrei ele no quarto. Ele tinha sido atacado pelos meus cachorros."

Insatisfeita com a forma como anda o processo de investigação sobre o crime ocorrido em sua residência, Morgan se apresenta determinada, centrada e disposta a descobrir a verdade, mesmo que isso signifique que muito do que acredita ser verdade não passou de uma dura mentira.

Bennett talvez não seja o noivo dos sonhos de alguém, mas de certa forma se fazia presente e se mostrava importante, porém há mais sobre sua história do que sua noiva seria capaz de imaginar e ela se esforçará para descobrir, mesmo que isso a coloque em risco.

Como uma boa leitora de suspense, comecei a traçar suposições e imaginar qual seria o grande mistério por trás daquele dia. A jornada da protagonista em busca da verdade foi confirmando minhas suspeitas e ao final me senti uma ótima investigadora, o que não significa que seja tudo muito óbvio e simples, ao menos não para quem não tem o costume de reparar em cada detalhe da história.

A leitura tende a transcorrer de forma ágil, devido ao fato da narrativa ser descomplicada, sem detalhes em excesso e com revelações constantes que dão um gás à obra, mas é claro que as maiores surpresas ficam reservadas para o final. As peças vão se encaixando perfeitamente, e mesmo que eu tenha perdido o foco em alguns momentos pensando na segurança dos cachorros de Morgan (não consegui evitar), fui completamente envolvida pelas perguntas que rondavam minha cabeça e comemorando a cada resposta que eu acertava.

Não me apeguei aos personagens, mas me culpo por isso, afinal fiquei o tempo todo torcendo pelo elenco animal (risos). O que me impede de dar nota máxima para a história nem se relaciona com o fato de eu ter sido muito rápida na investigação, mas sim por ter achado o final um pouco corrido. Eu esperava algo mais intenso, de tirar o fôlego e digno de me deixar pensando nele por um tempo, mas não foi bem isso que aconteceu. O final me pareceu rápido demais e acabou me deixando um pouco frustrada.


 
Sinopse: Narrada pela voz inocente de uma criança, uma história sobre amor, perda e instintos que permitem a nossa sobrevivência. Enquanto acampava com a família em um parque florestal, Anna, de 5 anos, acorda ao som de gritos. Um urso-negro selvagem está atacando o acampamento — e seus pais são a presa. Escondendo-se na caixa térmica com seu irmãozinho recém-saído das fraldas, eles conseguem evitar a atenção do urso e sobreviver. Sua mãe, gravemente ferida, implora às crianças que embarquem na canoa da família e remem para longe. Mas, assim que escapam, os irmãos se veem sozinhos e perdidos na floresta, tendo de enfrentar a fome e as forças da natureza. A única esperança reside no amor desmensurado que Anna nutre por sua família enquanto se esforça para manter a coragem quando mais nada no mundo parece seguro.
Autor(a): Claire Cameron | Editora: Bertrand Brasil | Páginas: 300 | Ano: 2018

Era um dia como qualquer outro no acampamento. A família de Anna era comum, composta por pai, mãe e um irmão pelo qual ela nutre uma certa implicância característica de irmã mais velha. Todos vivendo em harmonia, conforme seus hábitos e costumes de convivência, porém se soubessem que estas seriam as últimas horas que teriam juntos, talvez tivessem aproveitado melhor.

Um animal feroz os amedronta, porém a inteligência de Anna e as orientações de seus pais a colocam a salvo junto com seu irmão. Mas pense, como duas crianças pequenas sobreviveriam sozinhas após o ataque mortal de um urso em seus pais? Nada de apoio, proteção e afago, apenas uma menina de cinco anos se responsabilizando pela segurança de seu irmãozinho.

A história transcorre de forma pesada, por vezes um pouco cansativa e sem grandes emoções. É evidente os riscos que os personagens correm, bem como é louvável a capacidade de sobrevivência que desenvolvem, porém com uma narrativa um pouco mais arrastada a empolgação acaba se perdendo um pouco.

Anna é uma boa narradora, porém não me acolheu ao ponto de me deixar envolvida pela trama e ansiando por um final feliz. Não digo que tenha me incomodado com sua forma de contar a história, apenas fiquei sonolenta em alguns trechos.

Apesar disto, preciso dizer que é uma leitura interessante e bem construída, com o desenvolvimento se encaixando perfeitamente e trazendo informações úteis ao leitor, sem exageros e sem desperdício de tempo.

Este livro é narrado por uma menina de apenas 5 anos e foi inspirado em uma história real. Então preciso avisar que nestas páginas o leitor encontrará um drama um pouco mais pesado e denso, principalmente por reunir elementos mais concretos e próximos da realidade de uma criança que tenta sobreviver sozinha.








Sinopse: O destino de Grace Sebold toma um rumo inesperado durante uma tranquila viagem com o namorado. O rapaz é assassinado... e ela é condenada pelo crime. Depois de dez anos na prisão, surge a chance de Grace provar sua inocência ao conhecer a cineasta Sidney. Em um documentário que exibe as falhas do processo, a cineasta questiona se a condenação foi fruto de incompetência policial ou se a jovem foi vítima de uma conspiração. Antes do término das filmagens, o clamor popular leva o caso ser reaberto, mas um novo fato provoca uma reviravolta: Sidney recebe uma carta anônima afirmando que ela está sendo enganada pela assassina. A cineasta começa a investigar o passado de Grace e quanto mais se aprofunda na história, mais dúvidas aparecem. No entanto, agora, o que está em jogo não é apenas a repentina fama e carreira, mas sua própria vida.

Autor(a): Charlie Donlea | Editora: Faro | Páginas: 352 | Ano: 2018


Grace Sebold tinha sonhos, planos prestes a se concretizarem e um namorado que lhe fazia muito feliz, não fossem pequenas doses de ciúmes, podia-se dizer que eles foram feitos um para o outro. Tudo caminhava para que a jovem tivesse um futuro brilhante na medicina, porém algo aconteceu em Santa Lúcia.

O que deveria ser uma viagem para o casamento de dois amigos, se tornou inesquecível por causa de uma tragédia e não pelo amor que deveria estar presente no ar. Julian, o grande amor de Grace foi assassinado e ela se torna a principal suspeita.


"Matar alguém exige perfeição, timing e sorte. Eu esperava que esses três atributos estivessem ao meu lado nesse entardecer."


Com uma investigação mal feita e com o objetivo de encontrar logo o assassino, o júri determinou que ela era a responsável pelo aconteceu a Julian. Grace viu seu destino ser traçado no tribunal, mesmo com suas constantes tentativas de demonstrar inocência.

Anos de passaram, a jovem estudante de medicina deixou seus sonhos para trás, porém dentro da prisão construía um novo plano, o de provar de alguma forma que jamais seria capaz de assassinar quem tanto amava.

Contando com auxílio de Sidney, uma cineasta conhecida por seu programa de TV que busca investigar crimes mal solucionados, Grace terá a chance de mostrar seu lado da história através de episódios muito bem construídos e que atraem os olhares do público.

Antes mesmo de iniciarem o processo de investigação eu já tinha uma suposição de quem seria suspeito e sua possível motivação. Não fui brutalmente surpreendia, mas nem por isso deixei de aproveitar a narrativa descomplicada, envolvente e inteligente que o autor construiu.

Sidney impressiona com sua determinação e perspicácia, porém peca ao demonstrar traços de ingenuidade, principalmente quando passa a ter contato com informações que se encaixam sobre o enigma que está tentando solucionar. A personagem parece ter se convencido pela história que esta compartilhando com os espectadores e deixou de observar detalhes, sinais claros sobre o caminho perigoso em que estava se inserindo.

Grace, por sua vez não despertou meu interesse. Apesar de sua aparente inocência e pelas dificuldades que se viu obrigada a passar, não senti qualquer tipo de empatia por ela, faltou uma dose de carisma para me fazer sentir vontade de acolhê-la.

Há quem diga que este é o melhor livro do autor até o momento, mas infelizmente estou fora da parcela dos leitores que se apaixonou por cada detalhe. Acredito que muitos poderão se maravilhar com estas páginas, mas se você tem o costume de desvendar rapidamente os mistérios dos livros e filmes, talvez não se surpreenda tanto.

Você é que tipo de leitor?








Sinopse: Um serial killer com poderes paranormais está assassinando evangelistas famosos — e os vídeos de cada um deles sendo torturados ganham cada vez mais público na internet. O assassino se proclama o novo messias, e os pecadores devem temer sua justiça. O que a Sociedade de São Tomé teme, no entanto, é que ele acabe com o trabalho de séculos de manter o sobrenatural bem afastado da consciência da população, embora seres mágicos povoem o submundo da cidade.Para garantir que o assassino seja capturado e o máximo de discrição mantida, a Sociedade convoca Judas Cipriano — um padre indisciplinado, descendente de são Cipriano e herdeiro de alguns poderes celestiais. Veterano nesse tipo de caso, o padre é enviado para trabalhar como consultor da Polícia Civil e fica responsável por apresentar à jovem inspetora Júlia Abdemi o lado místico da cidade.Para resolver o caso — e sobreviver —, os dois precisarão de toda ajuda que puderem encontrar... O que inclui se unir a uma súcubo imortal, um dragão chinês traficante de armas mágicas e um gárgula que é a síntese da sociedade carioca.
Autor(a): Gabriel Tennyson | Editora: Suma | Páginas: 300 | Ano: 2018

Posterguei um pouco a leitura deste livro, pois nunca achava o momento certo para lê-lo. Imaginava que se tratava apenas de mais uma fantasia sobrenatural dentre tantas outras, com anjos caídos e santos, mas tive uma grata surpresa quando decidi me render.


Judas Cipriano é uma pessoa única, de personalidade forte, sarcástica, divertida, homossexual e padre. Isso mesmo, ele rompe as convenções e assume sua sexualidade, usa seu humor negro como comediante e ainda tira tempo para combater entidades do mal.


"A Sociedade de São Tomé, agência da qual Cipriano fazia parte, era uma versão moderna a Inquisição e mantinha a pureza de seu propósito: impedir que as criaturas da noite se proliferasse para além do tolerável."

Há um serial killer solto pela cidade, mas apesar da crueldade com que tira a vida de suas vítimas o que mais intriga o padre e a polícia é a dificuldade de compreender como tais assassinatos acontecem e suas motivações.

Pense bem, se você soubesse que um homem teve sua tortura exposta na ao vivo na internet, mas os policiais ao chegarem no local do crime não encontram qualquer possibilidade de que o assassino tenha estado ali, isso não lhe intrigaria? Como ele teria saído se estava tudo trancado pelo lado de dentro?


" - Segundo a Igreja, a humanidade compartilha esse mundo com... coisas. Lendas sobre vampiros, demônios e criaturas similares não são fundamentadas em superstições. O mito sempre se inicia a partir de uma verdade, mesmo que uma verdade distorcida."

Este é apenas um pequeno mistério dentre tantos outros que surgirão no decorrer desta narrativa ágil, descomplicada e que apesar do peso que carrega se mostra divertida e interessante.

Cipriano tem alguns dons fora do comum, carrega em seu sangue o que alguns chamariam de dádiva e outros de maldição e que em alguns momentos nem ele sabe definir. Unindo sua capacidade de comunicação com seres sobrenaturais e de outras dimensões, com sua sagacidade investigativa, ele acaba compondo a equipe de trabalho que busca prender tal serial killer.

Mas ele não está sozinho, Júlia é uma inspetora inteligente, sagaz e que possui um dom que ainda não foi capaz de compreender. Há mais a ser revelado sobre seus antepassados do que ela é capaz de imaginar.

Mesclando elementos de diversas religiões e crenças a história prende o leitor às páginas, proporcionando a todo instante situações únicas e surpreendentes, como a motivação do assassino que se vê como justiceiro, afinal suas vítimas se utilizaram da fé alheia para tirar vantagem.


"Você prometeu cura, mas entregou enfermidade. Tirou a prosperidade de pais desesperados e seus filho foram presenteados à mote. Por isso o Senhor te devolverá sua porção em dobro - disse o anjo da máscara de ferro."

Todas as vítimas foram escolhidas por terem algo em comum, ambas se utilizavam do nome de Deus para enriquecer, mesmo que isso significasse criar a ideia de uma falsa cura e promessas ilusórias de salvação. Os falsos profetas serão julgados e é possível que não haja misericórdia na escolha da punição.

Acredito que eu precise deixar alguns avisos importantes sobre esta obra. O leitor encontrará trechos fortes e pesados, um choque de realidade no que diz respeito a alguns líderes religiosos e como não poderia ser diferente, um palavreado não tão rebuscado e contido.



Sinopse: Uma história contemporânea, comovente e incrivelmente honesta sobre como encontrar forças para se libertar de relacionamentos tóxicos.Grace quer sair de casa. Ela se sente sufocada pelo padrasto agressivo e pela mãe obsessiva, que a faz esfregar o chão até toda a poeira (que só ela enxerga) sumir. Quer ir embora da cidadezinha onde mora, na Califórnia, pequena demais para seus sonhos. Quer fugir da vida que leva e se tornar uma artista em Paris, uma diretora de teatro em Nova York… qualquer futuro que seja distante do medo e da solidão que sente.Então ela se aproxima de Gavin: charmoso, talentoso e adorado por todos da escola. Quando os dois se apaixonam, Grace tem certeza de que aquele romance é bom demais para ser verdade. Mas as suas amigas enxergam um outro lado do garoto — controlador e perigoso —, que, com o tempo, vai transformar o relacionamento dos dois em uma prisão da qual Grace será incapaz de escapar sozinha.
Autor(a): Heather Demetrios | Editora: Seguinte | Páginas: 416 | Ano: 2018

Este não é mais um belo romance, nem mesmo posso dizer que seja leve, divertido e descontraído. A vida de Grace está longe de ser perfeita e suas escolhas, mesmo que não sejam as melhores, são com o intuito de sobreviver da forma como aprendeu.

A mãe de Grace assume um papel submisso e conformado diante de um relacionamento conturbado, agressivo e que não a faz bem, porém conforme a leitura transcorre é possível compreender o que a levou a aceitar viver em tal desarmonia, mesmo que em alguns momentos isso pareça difícil de legitimar.


"Garotas não se apaixonam por cretinos manipuladores que as tratam como merda e a fazem questionar seriamente suas escolhas. Elas se apaixonam por cretinos manipuladores (que as tratam como merda e as fazem questionar seriamente suas escolhas) que elas acham que são príncipes encantados."

Apesar de toda a complicação que a família traz para sua vida, Grace tem do seu lado duas amigas muito próximas e que a protegem sempre que possível, porém tal cuidado talvez não seja suficiente para impedi-la se envolver com Gavin, um garoto bonito e inteligente por quem Grace é apaixonada.

Esta grande paixão trará a ela muitos momentos de alegria e felicidade que jamais seria capaz de imaginar ter em seus dias, mas há algo de estranho em Gavin. Tão perfeito, amoroso, romântico, mas muito possessivo. O conto de fadas ganha um rumo sombrio quando as escolhas de Grace passam a serem feitas por seu namorado e quando sua autonomia começa a ser questionada.


"Percebo qual é o problema. Não é o seu ciúme, os mundos diferentes em que vivemos, as regras dos meus pais, mas o fato de eu ter me tornado um dente-de-leão. Você da um sopro e eu vou para todos os lados."

Diante de um relacionamento abusivo e que repete a história de sua mãe, Grace por vezes acredita ser normal e não questiona as atitudes grosseiras do jovem bonito por quem se apaixonou, mesmo que suas amigas lhe alertem sobre o que está acontecendo.


"É o nosso aniversário de um ano de namoro, mas acordei hoje desejando estar morta."

Neste livro o leitor encontrará situações em que acreditará que faria diferente, mas conhecendo o contexto e o histórico de Grace fica difícil criticá-la ou censurá-la, pelo menos eu senti vontade de acolhê-la e dar um longo abraço. Mas não se engane, ela não é tão frágil quando faz transparecer, esta menina que se vê como um patinho feio tem uma força enorme que está adormecida.

A história contada nestas páginas é envolvente, mas que para alguns pode não ser fácil de absorver, principalmente para quem prefere romances doces e perfeitos. Este traz algo mais real, concreto e marcante, bem parecido com o que infelizmente vemos aqui fora dos livros.

Não bastasse as reflexões que esta obra traz, a autora ainda deixa uma nota interessante, revelando que quando adolescente viveu uma história parecida e passa um recado importante que eu acredito que deveria ser repassado àquela amiga que você sabe que precisa de um apoio, mesmo que ela não perceba. Há também uma lista de telefones e sites voltados para o atendimento e acolhimentos de mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência. Um livro completo!


"Quem quer que você seja, saiba que as coisas ficam melhores. Só é necessário dar o primeiro passo. Você consegue."



Sinopse: Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.
Autor(a): Angie Thomas | Editora: Galera Record | Páginas: 378 | Ano: 2018 - 8º edição


Starr é uma adolescente negra que mora em um bairro pobre e comandado pelo tráfico. Seu pai, Maverick, já fez parte dos King Lords, um grupo de homens perigosos e envolvidos com diversos crimes, mesmo que atualmente ele seja apenas o dono do mercadinho ainda é respeitado e temido por alguns.

Quando criança a jovem protagonista teve seu primeiro contato com a morte. Sua melhor amiga foi assassinada enquanto brincavam despreocupadas na rua. Estavam elas se divertindo como qualquer outra criança, mas toda a alegria foi brutalmente interrompida por tiros vindos de um carro desconhecido.

Este fato terrível fez com que os pais de Starr decidissem que precisariam proteger seus filhos, assim os colocaram em uma escola afastada e composta por pessoas brancas com um poder aquisitivo mais elevado. Continuariam residindo na periferia, mas ao menos as crianças teriam a oportunidade de conhecer uma realidade diferente enquanto se afastam do mundo das drogas.

"Meus pais não me criaram para ter medo da polícia, só para ficar esperta perto de policiais. Eles me disseram que não é inteligente se mexer quando um policial está de costas para você."


A passagem de Starr pela nova escola é capaz de proporcionar uma profunda reflexão no leitor, pois será possível observar de perto a dura realidade enfrentada pela protagonista. Esta precisa interpretar um papel para não ser vista com olhares carregados de pena ou desprezo. Esta dupla personalidade é cansativa, confusa e cruel, ainda mais depois que a jovem vê seu segundo melhor amigo, Khalil, ser morto por um policial que o julgou como criminoso devido à sua cor da pele.



"Só fica perguntando sobre Khalil, como se ele fosse o motivo de estar morto. Como ela disse, ele não puxou o gatilho contra ele mesmo."

Starr começa a questionar a atitude de alguns colegas que antes considerava normal. Ao sair da bolha de proteção em que seus pais a colocaram, a adolescente passa a enfrentar as situações de cabeça erguida, mesmo que em alguns momentos se sinta magoada e ferida. 

A jornada em busca de justiça para Khalil é inspiradora e faz brotar um fio de esperança, mesmo que seja angustiante ver a árdua luta de Starr por direito à voz.


" - Como eu falei, ninguém gosta de vender drogas - diz ele. - Eu odiava aquela merda. De verdade. Mas odiava ver minha mãe e minhas irmãs passarem fome, sabe?"

Nós não somos capazes de sentir a dor alheia, tão pouco conseguimos mensurar o sofrimento que as pessoas ao nosso redor sentem, porém tem algo que está ao nosso alcance e que pode amenizar todo o peso carregado por quem acaba sentindo na pele o desprezo da sociedade. Podemos usar da empatia, do respeito, do olhar crítico sobre os absurdos que vemos, como muitas outras atitudes que podem parecer pequenas, mas que fazem uma grande diferença.



"Engraçado. Os senhores de escravos também achavam que estavam fazendo diferença na vida dos negros. Que os estavam salvando do 'jeito selvagem africano'. Mesma merda, século diferente. Eu queria que as pessoas parassem de pensar que gente como eu precisa ser salva."

"O ódio que você semeia" surge para dar uma sacudida no leitor, o tirando do comodismo e do conforto proporcionado por histórias com finais felizes ou fantasiosos. Esta obra é carregada de sentimentos que sufocam ao mesmo tempo em que despertam um lado justiceiro. 


Ainda me sinto extasiada com esta história, não consegui fechar o livro e deixar para trás tudo que li, por isso fui assistir ao filme homônimo. Confesso que apesar de muito bem feito e de ter se mantido o mais fiel possível ao texto original, o longa não me conquistou da mesma forma que as páginas intensas e carregadas de ensinamentos me proporcionou.




Sinopse: Deprimida após sofrer um aborto espontâneo, Fig Coxbury passa seu tempo em praças observando as crianças que poderiam ser a sua filha. Até que uma menininha brincando com a mãe desperta uma obsessão. Logo, Fig se vê mudando de casa e de bairro não por necessidade, mas porque a casa vizinha oferece tudo o que ela mais deseja: a filha, o marido e a vida que pertence a outra pessoa.
Autor(a): Tarryn Fisher | Editora: Faro | Páginas: 256 | Ano: 2018

Fig é uma mulher misteriosa, com um ar conquistador muito forte, determinada e um tanto quanto manipuladora, mesmo que de forma inconsciente acaba conseguindo o que quer.

"Eu faço suposições demais, sabe? Minha mente é feito um computador com milhares de janelas abertas ao mesmo tempo. Tenho uma inteligência superior, é por isso. Gente muito inteligente pensa o tempo todo, a cabeça está sempre tomada por pensamentos brilhantes."

Tudo se intensifica quando ela conhece uma criança linda e passa a segui-la. Não contente em observar toda a rotina da pequena Mercy, Fig se aproxima de tal forma da família da menina que passa a integrar o círculo de amizades do casal Darius e Jolene.

"Consultei uma médium logo depois que todas aquelas coisas horríveis aconteceram. Ela me disse que um dia eu toparia com a alma da minha filha e que eu saberia que era ela."



Darius é um homem sedutor, inteligente e manipulador. Aos poucos o leitor vai conhecendo melhor suas imperfeições e questionando algumas de suas atitudes. Eu pelo menos senti desprezo pelo personagem em alguns momentos. 

Já Jolene representa o papel da mulher "ideal". Se desdobra em mil para dar conta da casa, filha, marido, trabalho, amigos, vida social e etc. Nunca deixando de ser bela, magra e inteligente. 

A família de Mercy é exatamente o que Fig tanto sonhava em ter. Jolene era o modelo perfeito em quem ela poderia se inspirar, porém seu lado obsessivo a impediu de ser parecida, pois ela desejava ser exatamente igual.

Em determinados momentos a estratégia de Fig me assustou, não por se tratar de algo envolvendo terror ou elementos sobrenaturais, mas por ter reconhecido nela algumas atitudes de pessoas com as quais já convivi. Sabe quando aos poucos alguém começa a querer muito ter o que você tem? A protagonista desta história é justamente a pessoa que se dispõem a desejar a vida alheia.


"A Fig era uma pessoa fácil de lidar. Eu a classifiquei como psicopata na primeira vez em que a vi, o que significava que ela era seria charmosa e simpática  e que conquistar a nossa afeição era parte do jogo."



A narrativa apresenta revelações interessantes e que agregam ao desenvolvimento da trama, porém algumas passagens ocorrem de forma mais superficial e previsível, no entanto é possível se prender às páginas ao ponto de perceber o tempo passar. A linguagem é descomplicada, sem elementos desnecessários e aborda de uma forma clara a convivência com uma pessoa com toques de psicopatia.

Gostei muito da relação de amor e ódio que vivenciei com os personagens e principalmente da sensação de proximidade que senti com Jolene, mesmo que eu tivesse sentido uma leve vontade de sacudi-la.

Confesso que eu desejava um final impactante e que me proporcionasse um momento de satisfação, algo que fizesse com que eu me sentisse "vingada", porém não foi bem isso que encontrei. Infelizmente foi algo mais morno, previsível e sem qualquer grande revelação.

Contudo acredito que valha a pena usar um tempinho do seu dia para conhecer esta história, só não se empolgue com o final e fica tudo certo.