Quando os idosos se tornam a maioria da população, o mundo entra em colapso econômico e uma crise social se instaura. Enquanto jovens recorrem a tratamentos anti-idade cada vez mais avançados, velhos são jogados à margem da sociedade.

Autor: Vinícius Neves | Editora: Malê | Páginas: 280 | Ano: 2021

Nunca é pensado que haja uma proibição para algo que não pode ser controlado, porém nessa sociedade anti-idade há muitas proibições e a principal é envelhecer, pois só é pensado na estrutura econômica em que o país se encontra, ou seja, há uma busca no desenvolvimento econômico e a melhor forma de que haja uma melhora é fazendo com que as pessoas que cheguem a idade 0, equivalente a 60 anos ou mais, se entreguem à casa de Felix Mortem.

“- Ser velho é ser miserável de vida. É mendigar, arfando,um resto de fôlego para alimentar os pulmões.”

Neste cenário, nos é apresentado três personagens: Daren, Perdigueiro e Piedade, onde cada um possui uma posição na sociedade. Isso é muito importante, pois Vinícius constrói uma história com 3 pontos de vista diferentes, onde cada um ocupa seu grau de importância. 

Daren pertence ao grupo de proletários da Puer, uma empresa de cosméticos anti-idade, onde atua mais no lado publicitário; Perdigueiro é uma criança com um pai super carrasco, que o ensinou a caçar velhos (quando os mais velhos atingiam a idade 0, alguns se negavam a se entregar a casa de Felix Mortem, decidindo se refugiar nas matas e se esconder em cidades desativadas), cada captura valia uma quantia considerável; Piedade, professora, ao atingir a idade 0, negou se entregar, refugiando-se numa mata.

“- Aliás, eu tenho medo de criar alguém para este mundo. Alguém perfeitamente adaptado a ele”.

A fala acima é de Piedade, uma personagem forte e muito precisa, cujas falas e escritos tocam de uma forma surpreendente e emocionante, é impensável que os pensamentos de parte da sociedade sejam coniventes com a política atual. Essa escrita de Vinícius faz com que enxerguemos algumas semelhanças com nosso presente, nos fazendo pensar acerca de algumas políticas. Mas sua obra não tem semelhança apenas com a nossa vida real, mas caso você tenha gostado de “Onde está segunda?”, você, com certeza, amará muito mais essa história. 

“Velhos demais para morrer” possui uma boa escrita e, sobretudo, um ótimo enredo, fazendo com que sua imaginação flua de uma forma que não seja preciso fazer muito esforço, não precisa fazer uma automotivação, pois tudo foi feito de uma forma muito bem pensada e montada, não é por acaso que é vencedor na categoria Romance!

Fiquei apaixonado por este livro, inclusive favoritei, foi o primeiro do ano a ser favoritado, uma leitura que eu precisava e não sabia. Por ser tão incrível, acredito que esta obra precisava de uma edição de luxo!

Vale ressaltar que este livro foi composto inteiramente por uma equipe preta, desde o escritor até a sua produção editorial! Então, você que ainda está focado numa luta antirracista, essa é uma opção de lutar, dando apoio aos nossos, então comprem esse livro sensacional!





Resenha: Há um abismo na alma de Lolly Rachpaul. Aos doze anos, raiva e tristeza são tudo o que o garoto consegue sentir. Costumava ser diferente antes, quando Jermaine ainda estava por aqui. Mas, desde aquele tiro que silenciou a vida de seu irmão mais velho, Lolly deixou de ser uma criança alegre. Aliás, no Harlem – um bairro típico de negros e latinos em Nova Iorque – a infância passa tão acelerada quanto uma bala. Se não estiver atento o bastante, as ruas e suas gangues te engolem.


Autor: David Barclay | Editora: Plataforma21 | Páginas: 316 | Ano: 2018

 

“Não era justo terem roubado de mim quem eu pensei que estaria ao meu lado pelo resto da vida. Alguém com quem deveria passar este e muitos outros Natais.”


Sempre fiquei enlouquecido para ler este livro por muitos motivos e, um deles, foi me enxergar na capa assim que bati meus olhos, o que é bem difícil de se encontrar, não encontramos nem descritos nas histórias, quanto mais na capa, lugar onde se tem mais destaque.


Uma parte importante de Lolly precisava ser preenchida, seu irmão fazia falta, todas vezes que estava em seu quarto e olhava para o lado, lá estava a cama desocupada de alguém que jamais voltaria, então resolveu vivenciar seu luto através da criação de Harmonee – uma cidade imaginária que está criando com os legos que ganha de presente da namorada de sua mãe.


Durante todo momento no livro, vemos uma relação de amizade muito grande, onde o autor nos mostra que, muitas vezes, precisamos de outras pessoas para enfrentar algumas batalhas e algumas injustiças. Essas amizades podem ser aquelas que sempre foram óbvias que aconteceriam e outras nem tanto, outras acabam surgindo e, quando vemos, já estamos envolvidos, nos divertindo e querendo mais e mais momentos. Assim Lolly consegue arranjar também outra maneira de preencher o vazio deixado em seu peito.

Além da criação, Rachpaul conversava com o Sr. Ali, um orientador pedagógico, que tentava entender como estava os sentimentos do menino, mas nada o deixava melhor a não ser se entreter com suas peças de lego.


Por se tratar de um infanto juvenil, o livro entrega uma leitura bem fluida e tranquila, as palavras escolhidas para compô-lo são acessíveis e essa é a parte mais importante, que mais pessoas vão poder estar tendo a experiência de Lolly, que acontece, muitas vezes, na vida real. 


“-Aposto que se fechassem todos os lugares em Nova York onde alguém foi morto não sobraria nenhum local aberto.”


Esse livro merece a atenção de todos e é necessário que nossas crianças fiquem cientes da nossa realidade, mas como diz Tupac, não deixemos que um ódio seja semeado nelas, façamos com que as gerações futuras nasçam com olhares de ocupação positiva e que consigamos mudar nosso cenário.




Sinopse: Às vezes, tudo o que você precisa é de um empurrãozinho... Georgia adora ficar jogada no sofá após o trabalho vendo tv e bebendo vinho. O que ela não gosta: de altura, de olhar sua conta bancária, de ir a encontros ou de qualquer atividade física. E ela nunca (jamais) aceitar riscos.

Autor: Olivia Beirne | Editora: Faro Editorial | Páginas: 304 | Ano: 2020

Georgia Miller tem 26 anos, designer e trabalha em Londres. Esse emprego deu oportunidade a garota sonhar planejar, mas tudo que ela conseguiu mesmo foi dividir um apartamento de quinta com uma menina estranha, além de levar uma rotina trabalhista nada agradável: a de organizar os preparativos do casamento de sua chefe, não tendo nada muito ligado a sua profissão de design.

Ao me deparar com a sinopse, aguardei uma história que me apresentasse um enredo bem triste e amargurado durante toda a trajetória da principal. A irmã de George é diagnosticada com esclerose múltipla, ficando impossibilitada de realizar algumas coisas. Com isso, George ganha uma lista de afazeres de presente da sua irmã, com a proposta de que a própria saia da zona de conforto.

Só que, muitos, assim como eu, esperam que o livro seja desenvolvido pela questão do problema de saúde da irmã de Georgia, mas tudo gira em torno da lista de afazeres, sendo uma lista, inclusive, bem interessante, fiquei curioso pra realizar algumas coisas dela, mesmo já tendo feito algumas, então pode ser que eu não esteja tanto na minha zona de conforto assim.

A autora nos apresenta uma protagonista que não é constante e, com o passar do tempo, ela vai nos deixando sempre bem claro com ocorre as mudanças, fazendo de uma forma bem detalhada, então somos levados a um acompanhamento da personagem bem gostoso, que não se torna nem um pouco maçante em momento algum.

Uma coisa me chateou bastante durante a leitura, para um objetivo da lista, na sua execução e descrição a autora foi bem gordofóbica e utilizou umas palavras que não deveriam ser ditas por ninguém, fiquei muito chateado e achei um grande furo por parte dos editores e por parte de todos que participaram na preparação do livro, até mesmo as palavras traduzidas não foram bem escolhidas a este trecho, então fiquei muito mal (penso em até fazer um vídeo falando sobre tal feito).

Tirando isso, o enredo tinha tudo pra ser perfeito, a autora escreveu uma história bem gostosa e leve, fazendo até com que a leitura se tornasse muito divertida, abri sorrisos e dei algumas gargalhadas com Georgie.


 

Sinopse: O que acontece quando um cérebro infantil sofre um único evento traumático ou a exposição prolongada a um trauma? Como o terror, a ameaça, o abuso ou a violência afetam a mente de uma criança? E como essa mente pode se recuperar? O psiquiatra infantil, Dr. Bruce D. Perry, ajuda crianças que enfrentaram o horror inimaginável: sobreviventes de genocídio, testemunhas de assassinatos, adolescentes sequestrados e vítimas de negligência, abuso e violência familiar. Em “O MENINO CRIADO COMO CÃO”, o Dr. Perry nos apresenta em detalhes os eventos que levaram alguns de seus vários pacientes a lidarem com traumas terríveis e desenvolverem dificuldades ao longo da juventude, revelando a surpreendente capacidade de cura do cérebro. Combinando habilmente histórias de casos inesquecíveis dos seus pacientes com suas próprias estratégias compassivas e perspicazes de reabilitação, Perry explica o que exatamente acontece com o cérebro quando uma criança é exposta a um estresse extremo, revelando as medidas inesperadas que podem ser tomadas para aliviar a dor de uma criança seriamente traumatizada e ajudá-la a crescer e a se tornar um adulto saudável.


Autor(a): Bruce D. Perry MD. PHD e Maya Szalavitz | Editora: nVersos | Páginas: 316 | Ano:2020


O autor desta obra descreve de forma clara e sem floreios suas experiências enquanto psiquiatra infantil, compartilhando as mais diversas histórias envolvendo situações traumáticas, dolorosas e repletas de aprendizado.

Através de uma narrativa descomplicada o leitor é convidado a sair do senso comum, ir para fora da "caixa" e abrir os olhos para as mais amplas formas de negligência e como estas impactam a longo prazo no desenvolvido de uma criança.

Com uma linguagem acessível, sem se utilizar de vocabulário rebuscado ou termos técnicos de difícil compreensão, o autor consegue transmitir seu conhecimento e provocar intensos momentos de reflexão.

Por se tratar de uma obra que aborda um assunto tão sério e sofrido, talvez o leitor menos acostumado com este conteúdo precise ler com calma. Conhecer histórias reais de sofrimento pode acionar os mais diversos gatilhos, por isso é importante reconhecer os seus próprios limites.

Por ser algo do meu cotidiano profissional, não fui brutalmente impactada com as histórias descritas. Obviamente me vi comovida, incomodada e ansiando por justiça, porém estaria mentindo se dissesse que a leitura me causou algum tipo de desconforto maior.

É preciso que o leitor esteja ciente do que vai encontrar nestas páginas para assim estar preparado para abrir sua mente e entender que o ser humano é falho, mas que até a mais intensa dor é possível de ser amenizada.

Crianças precisam de muito amor, atenção, paciência e carinho para que se desenvolvam bem, qualquer tropeço neste caminho pode deixar cicatrizes difíceis de serem curadas, então cabe a nós, adultos, a tarefa de transformar positivamente a vida destes seres humanos frágeis.

Um livro pesado, impactante e completamente necessário.


Sinopse: Esse lugar é amaldiçoado. As palavras martelam a cabeça de Kit Gordy quando as torres da escola Blackwood surgem sobre os pesados portões de ferro. Com o passar dos dias, Kit tenta se ajustar à rotina do internato, ainda que não consiga se livrar dos frios na espinha causados pela imponente mansão e pelas histórias que rondam a propriedade. Suas colegas, então, passam a desenvolver habilidades extraordinárias, sem qualquer explicação. Os estranhos pesadelos, as vozes nos corredores escuros, as cartas de amigos e familiares que nunca chegam a seu destino: tudo isso acaba obscurecido pela magia que se esconde em cada canto de Blackwood. Quando Kit finalmente descobrir a verdade por trás daquela escola, pode ser tarde demais.

Autor(a): Lois Duncan| Editora: Planeta | Páginas: 208 | Ano: 2021

A sinopse deste livro promete muitos momentos de tensão e arrepios, mas sugiro que você vá com calma e reduza um pouco as expectativas, principalmente se for o tipo de leitor que tem contato constante com obras assustadoras.

Em Por um corredor escuro, o leitor se deparará com uma trama um pouco mais adolescente. Não digo que as páginas sejam repletas de dramas típicos da idade, mas sim que a narrativa se desenvolve de forma mais leve, fluida, descomplicada e sem grandes impactos, o que se encaixa melhor em uma história mais teen.

Kit, a protagonista desta trama, não desejava mudanças, se dependesse dela permaneceria em sua antiga escola e com sua melhor amiga, mas estes não eram os planos de sua mãe, que ao sair de lua de mel decidiu que o melhor lugar para a filha seria em um internato um pouco peculiar, uma escola com um ar diferenciado, aparentemente superior às demais e que possui apenas alunas minuciosamente selecionadas. 

Não se sabe ao certo o que faz com que uma candidata se destaque diante das demais, porém se tem conhecimento de que este espaço é para poucas e especiais meninas.

Blackwood fica afastada da cidade, isolada de qualquer contato com o mundo externo. Uma casa fria, com parca iluminação e sem acesso à internet. Um local completamente diferente das escolas repletas de artigos tecnológicos da atualidade. 

Assim como Kit, outras poucas garotas passam a integrar o grupo de alunas desta escola. Aos poucos as meninas percebem que não possuem muito em comum, ao menos não em uma avaliação superficial. Cada um tem sua personalidade bem distinta da outra, além de apresentarem diversos gostos e potencialidades. Então, o que teria as igualado ao ponto de serem escolhidas?

Com o decorrer da narrativa é possível observar facilmente os pontos onde cada personagem se destaca e sua contribuição para a evolução da trama. As adolescentes reclusas nesta instituição peculiar possuem dons únicos e nunca antes explorados por elas.

Há um mistério que vive e cresce nesta casa repleta de escuridão. Há revelações que atingirão diretamente a vida e sobrevivência das jovens alunas desta escola, caberá somente a elas entenderem o que acontece ao seu redor e ir em busca de uma saída.

A história deste livro é muito fácil de ser lida e absorvida, não encontrei qualquer tipo de dificuldade que prolongasse a leitura, pelo contrário, as páginas foram rapidamente devoradas. Ouso dizer que em alguns momentos ansiei por mais detalhes e informações, determinados trechos voaram e não consegui me aprofundar da forma como gostaria, porém não houve impedimento suficiente para atrapalhar o envolvimento com a obra.

O final me pareceu um pouco corrido, mas devo isso ao meu constante interesse por querer saber mais. Caso você seja do tipo que aguarda pelo final arrebatador e marcante, talvez não se impressione tanto com a conclusão desta história, mas não acredito que chegará ao ponto de se decepcionar.

 


Sinopse: Castle Rock, na Nova Inglaterra, é um lugar tranquilo para se viver. Mas a chegada de Leland Gaunt desestabiliza a cidade através do preconceito, ódio, fraqueza e cobiça, provocando mortes e sofrimentos. Gaunt consegue isto através de uma loja de utilidades, que sempre tem algo especial para cada morador, que para conseguirem o que desejam pagam um preço simbólico para Leland, além de conceder a ele um simples “favor”.


Autor(a): Stephen King | Editora: Suma | Páginas: 656 | Ano: 2020


Castle Rock é uma cidade pequena como qualquer outra. Sem grandes movimentações, com uma população simples e com intrigas comuns de locais pequenos. Atrito entre vizinhos, disputa rasa por poder entre outras leves desavenças são o suficiente para manter a cidade viva.

Em meio a tanto marasmo, eis que surge uma novidade capaz de reter a atenção até o mais desatento. Uma loja nova e enigmática passa a ser a nova atração da cidade. Ninguém sabe ao certo o que esperar, afinal a placa não diz muito sobre o ramo a que esta loja pertence. Obviamente todo esse suspense serviu para atrair diversos curiosos.

Imagine quão interessante seria se deparar com um lugar que promete ter exatamente o que o você mais deseja, mesmo que você ainda nem saiba qual seu maior anseio.

Leland Gaunt é um astuto comerciante, com uma lábia capaz de convencer qualquer pessoa ao apresentar objetos únicos e perfeitos, exatamente como comprador poderia querer. Há algo estranho, mas o encantamento pelas maravilhas vendidas por este simpático senhor não deixam dúvidas sobre seu bom caráter.

Minha mãe sempre disse que devemos desconfiar do que vem muito fácil. Se os moradores de Castle Rock a conhecessem seriam um pouco mais espertos e desconfiados, mas infelizmente foram facilmente levados pelo deslumbre.

Leland, como um bom negociador, tem todas as cartas nas mangas. Ao oferecer o que o comprador mais deseja, solicita sempre algo em troca, mas se engana quem possa imaginar que este almejava enriquecer. O preço era modesto, desde que acompanhado por um acordo, o de o comprador pregar uma peça em alguém. Algo bobo, uma brincadeira sem maldade.

Uma brincadeira aqui, outra lá e as intrigas que era leves passam a assumir uma proporção catastrófica. Ameaças e consequentemente agressões passam a fazer parte da nova rotina desta pequena cidade, mas a pergunta que fica é: como Leland tem tanto poder sobre as pessoas?

O leitor encontrará nestas páginas descrições sobre situações que beiram a crueldade, outras realmente são bem terríveis. Pessoas e animais inocentes não são poupados, nem mesmo a inocência de uma criança será mantida intacta. Estas descrições são características marcantes das obras do autor, então caso você não esteja acostumado ou prefira algo mais leve, sugiro pular para outra leitura.

Stephen King trouxe para a sua obra o lado obscuro do ser humano, que quando instigado tende a se mostrar insano e vingativo. Nesta narrativa ágil e envolvente, o leitor verá um toque de sobrenatural, afinal Leland não é um simples vendedor manipulador, há mais a se descobrir a seu respeito, mas o caos e a destruição ficarão sob responsabilidade dos humanos normais e reais.


 

Sinopse: Em um país dividido pela Dobra das Sombras – uma faixa de terra povoada por monstros sombrios – e no qual a corte real está repleta de pessoas com poderes mágicos, Alina Starkov pode se considerar uma garota comum. Seus dias consistem em trabalhar como cartógrafa no Exército e em tentar esconder de seu melhor amigo, Maly, o que sente por ele. Quando Maly é gravemente ferido por um dos monstros que vivem na Dobra, Alina, desesperada, descobre que é muito mais forte do que pensava: ela é consegue invocar o poder da luz, a única coisa capaz de acabar com a Dobra das Sombras e reunificar Ravka de uma vez por todas. Por conta disso, Alina é enviada ao Palácio para ser treinada como parte de um grupo de guerreiros com habilidades extraordinárias, os Grishas. Sob os cuidados do Darkling, o Grisha mais poderoso de todos, Alina terá que aprender a lidar com seus novos poderes, navegar pelas perigosas intrigas da corte e sobreviver a ameaças vindas de todos os lados.

 

Autor(a): Leigh Bardugo | Editora: Planeta | Páginas: 288 | Ano: 2021


Alina, uma jovem órfã, que acredita piamente que seu destino era ser cartógrafa. Ok, ela não era das melhores e sabia disso, mas também não avistava qualquer possibilidade de ser útil de outra forma. Comum, singela e sem ambições, a jovem só queria seguir sua vida sem ser notada.

Maly, seu amigo de infância, demonstra ser completamente o oposto. O jovem órfão se destaca por onde passa, seja por sua aparência ou por seu trabalho impecável, digno de ser aplaudido por sua capacidade como rastreador. Não há o que ele não possa encontrar.

A jovem protagonista desta história, Alina, descobre no pior momento que tem poderes capazes de a tornarem uma lenda. O capacidade de conjurar o poder da luz, algo nunca visto antes, nem entre os Grishas mais habilidosos. 


"Por centenas de anos, a Dobra das Sombras tem feito o trabalho dos nosso inimigos, fechando nosso portos, sufocando-nos, tornando-nos fracos. Se você for uma verdadeira Conjuradora do Sol, então o seu poder poderia se a chave para abria a Dobra ou até mesmo destruí-la."


Darkling (acredito que pelo nome você consiga imaginar o que ele conjura, né?) é o oposto de Alina, um tanto quanto misterioso e com um poder imensurável. Sua aproximação com Alina é inevitável, a união dos dois ditará o futuro de Ravka. 

Os Grishas são conhecidos por seus poderes, sendo a maioria aprimorado, estudado e treinado desde muito cedo. Alina está um pouco atrasada em relação aos demais, mas seu poder é algo tão grandioso que não seria possível ignorá-la e mandar que retornasse para o seu trabalho como cartógrafa. 

Sabe aquele tipo de livro gostosinho de ler que faz com que você não sinta as horas passar? Sombra e ossos é capaz de lhe fazer mergulhar pelas páginas e lhe envolver ao ponto de não perceber o tempo voar. As aventuras de Alina, bem com a evolução dos personagens, é algo que desperta o interesse no leitor.


"Eu queria tão desesperadamente pertencer a algum lugar, a qualquer lugar. Estava tão ansiosa para agradá-lo, tão orgulhosa de guardar seus segredos. Mas nunca me preocupei em questionar o que ele realmente queria, qual seria sua verdadeira motivação."


Sabe o bendito triângulo amoroso? Sim, pode revirar os olhos caso não goste, mas tem um pouco neste livro. Acalme o coração, nada que se postergue ou cresça, é apenas um grão de areia no deserto, nada capaz de impactar no desenrolar da trama. Agora, se você é fã de triângulos, melhor não criar expectativas.

Através de uma narrativa ágil, com ação na medida certa e uma boa dose de magia, o leitor será imerso em uma realidade onde há uma linha tênue entre o bem o mal, onde relações de afeto e amizade podem salvar centenas de pessoas ou simplesmente mergulhar tudo na escuridão.




 


Sinopse: Ela está mentindo para descobrir a verdade. Quando Jessica Farris se inscreve para um estudo conduzido por um grupo de psicologia, ela pensa que tudo o que precisa fazer é responder a algumas perguntas, receber seu dinheiro e ir embora. Mas à medida que as perguntas ficam mais invasivas, Jess começa a sentir como se soubessem o que ela está pensando... e, pior, o que está escondendo. Conforme a paranoia de Jess aumenta, fica claro que ela não pode mais confiar no que é real em sua vida e o que são experimentos manipulados pelo grupo de pesquisa. Agora, presa em uma teia de incertezas, Jess rapidamente aprende que algumas obsessões podem ser mortais.


Autoras: Greer Hendricks e Sarah Pekkanen | Editora: Faro | Páginas: 368 | Ano: 2021


Jessica, uma jovem maquiadora, decide entrar para um grupo de pesquisa comportamental. O assunto em si não chama sua atenção, contudo a possibilidade de reunir um dinheiro extra para suas despesas a faz abrir mão de qualquer insegurança e assumir o papel de Participante 52.


"Dinheiro tem importância vital para você. Parece ser a base do seu código de ética."


O experimento consiste em uma dinâmica de perguntas e respostas, todas com o intuito de averiguar sinais de moral e ética, porém Jess não imaginava que se abriria completamente para um estranho, até seus segredos mais íntimos e seus traços de personalidade que insiste em esconder podem ser revelados em um leve descuido.

Ao se destacar durante a pesquisa, Jess desperta o interesse de uma bem sucedida e renomada psiquiatra, a pessoa responsável por criar tal experimento.

Dra. Shields parece ser perfeita, saída de alguma capa de revista. Sua beleza se destaca tão bem quanto seu currículo. Seu reconhecimento no mundo acadêmico a colocou em um patamar de dar inveja. Impossível nutrir qualquer tipo de desconfiança diante de uma profissional tão respeitada e íntegra, mas seria ela realmente tão espetacular?

Inicialmente a narrativa me pareceu um pouco lenta, demorei um pouco para assumir o papel de leitora voraz, mas conforme a trama começou a se desenrolar e apontar para descobertas intensas e interessantes, minha atenção passou a ser totalmente dirigia ao livro.

O leitor encontrará nestas páginas uma narrativa que intercala a visão da Dra. e da Participante 52. A forma como seus caminhos e pensamentos se entrelaçam é capaz de envolver o até o leitor mais distraído. 

Outros personagens são inseridos na medida certa, uns possuem papéis de maior destaque que outros, porém todos participam de forma importante para os diversos acontecimentos que preenchem estas páginas.

O que deveria ser apenas uma pesquisa, assume o controle sobre a ingênua protagonista. Vidas podem correr perigo, relacionamentos podem chegar ao fim e verdades podem vir à tona. Até a mais simples e ingênua resposta é capaz de causar uma avalanche.


"Só há uma pergunta a que preciso responder: qual dos dois é mais perigoso?"


Confesso que o final poderia ter sido mais avassalador, ao menos eu me vi tão empolgada que acabei ansiando por mais tiro, porrada e bomba. Não digo que tenha sido um final ruim, apenas queria mais do que me foi entregue.




 

Sinopse: O livro de Maria da Penha Sobrevivi, posso contar relata a vida da autora que sofreu uma cruel, dolorosa e covarde violência. Maria da Penha oferece sua história generosamente a toda sociedade, como uma forma de contribuir com transformações urgentes, pelos direitos das mulheres a uma vida sem violência. História que muito tempo depois a tornou protagonista de um caso de litígio internacional emblemático para o acesso à Justiça e para a luta contra a impunidade em relação à violência doméstica e familiar contra as mulheres no Brasil. Ícone dessa causa, sua vida está hoje também simbolicamente subscrita e marcada sob a lei nº 11.340 ou lei Maria da Penha. Neste livro, Penha compartilha de forma ímpar sua história de vida - tão particular e ao mesmo tempo tão comum à de tantas mulheres que levam no corpo e na alma as marcas visíveis e invisíveis da violência. Este livro proporciona muito mais do que a história de violência contra uma mulher. Revela um fenômeno social, político, cultural e ideológico que afeta de forma grave e desproporcional muitas mulheres.


Autor(a): Maria da Penha Maia Fernandes | Editora: Armazém da Cultura | Páginas: 212 | Ano: 2010


Acredito que você já saiba quem é Maria da Penha, caso não conheça sua história, ao menos conseguirá associar o seu nome à lei que visa garantir a segurança das mulheres no nosso país.

Eu, que muito já ouvi falar a respeito desta figura tão importante, admito que não conhecia sua história a fundo. Desconhecia o envolvimento de suas filhas, ainda pequenas, em todas as situações de violência doméstica vivenciadas.

Através de relato da própria Maria, o leitor transita por situações tensas, repletas de insegurança e medo. É possível que talvez a linguagem utilizada não seja tão simples ou acessível, mas independente das palavras floreadas, a narrativa consegue ser ágil. O que pode fazer com que o livro não seja devorado rapidamente é o teor mais pesado do que é revelado.

Maria da Penha, uma jovem, bonita, inteligente e com recursos financeiros suficientes para garantir até mesmo o sustento de seu namorado, viu seu relacionamento perfeito sofrer uma drástica mudança. O jovem universitário doce, carinhoso e prestativo, Marco, se transformou em um homem agressivo, instável e perigoso, capaz de lhe fazer temer por sua segurança.


"Muitos me parabenizavam por namorar uma pessoa tão atenciosa, gentil e prendada. Certa vez, a mãe de uma colega chegou a lamentar que Marco não tivesse escolhido a sua filha como namorada."


Nem mesmo as filhas do casal estiveram à salvo. Constantemente Marco descontava sua raiva e frustrações nas três pequenas meninas, não se importando com as necessidades das mesmas, nem mesmo com a pouca idade das crianças.


"Nada satisfazia Marco, nada o agradava. Eu vivia tensa, procurando evitar que as crianças quebrassem algum brinquedo, fizessem alguma traquinagem ou descumprissem alguma ordem do pai.


A família de Maria também não era bem recebida, as ordens eram claras e nenhum parente da vítima deveria frequentar a casa, nem mesmo para uma visita breve. Mesmo sem presenciarem os atos de crueldade, era evidente que havia algo errado, algo que merecia atenção. 

A luta por sobrevivência e pela liberdade exigiu de Maria coragem, paciência, foco e muita frieza, afinal não deve ter sido fácil ver suas filhas sofrendo nas mãos do homem de deveria protegê-las, além de viver com a presença constante do medo.

Se engana quem imaginar que após tanta dor tudo foi brevemente solucionado. O crime que mudou completamente a vida de Maria, o que a colocou em uma cadeira de rodas, levou quase duas décadas para condenar o culpado. Faltando poucos meses para o caso prescrever, após mais de 19 anos, finalmente Marco estaria diante de uma sentença.

Este livro deveria ser leitura obrigatória. Suas poucas páginas são capazes de provocar os mais diversos sentimentos, desde revolta, medo, empatia, esperança, etc. Esta é uma história que poderia ter tido um terrível final e infelizmente outras mulheres não conseguem sobreviver em situações semelhantes.



Sinopse: Seu caçula tem um ataque de birra no meio de uma loja? Seu filho em idade pré-escolar se recusa a se vestir? Seu filho mais velho fica emburrado no banco em vez de jogar no campo? As crianças conspiram para tornar as vidas dos pais um eterno desafio! Não – são apenas os cérebros em desenvolvimento deles dando as caras.

 

Autores: Daniel J. Siegel e Tina Payne Bryson | Editora: nVersos | Páginas: 240 | Ano: 2015


A quem não sabe, ou não lembra, eu, Alessandra, tenho um filho de um ano. O motivo dos meus sorrisos e uma das causas do meu primeiro fio de cabelo branco.

Independente da idade, criar um mini ser humano exige dentre tantas coisas, conhecimento. Sim, amor é fundamental, mas compreender as causas que desencadeiam reações de choro e medo, por exemplo, facilita muito na hora de estimular a criança a reagir da melhor forma diante das situações.

"O ritmo de amadurecimento do cérebro é influenciado pelos genes que herdamos, mas o grau de interação pode ser exatamente o que podemos influenciar no trabalho diário de criação de nossos filhos."

Engana-se quem pensa que este livro traz um manual sobre como ter a criança perfeita. Durante a leitura fui percebendo que o objetivo real era contribuir para que a criança tivesse as melhores experiências possíveis, mesmo em situações que podem ocasionar traumas. 

"Crianças falam e compartilham mais quando estão construindo alguma coisa, jogando cartas ou andando de carro do que quando nos sentamos, olhamos diretamente para elas e pedimos-lhes que se abram."

Compreender a forma como funciona o cérebro em constante desenvolvimento dos nossos pequenos, se torna fundamental para que os pais também tirem de si algumas culpas. Nem sempre temos a resposta certa ou conseguiremos utilizar as melhores técnicas criadas por renomados profissionais, mas está tudo bem. Somos os melhores que podemos ser. Culpas, lamentações ou qualquer outro sentimento negativo não ajudarão.

Este é um livro que pode contribuir muito, pois agrega conhecimento sem ser cansativo. Os autores se utilizaram de exemplos simples, claros e capazes de observarmos no nosso cotidiano. Isso facilita muito o entendimento, pois permite que o leitor se reconheça conforme for virando as páginas.

Posso dizer que me sinto preparada para todas as fases que meu filho ainda vai passar? Claro que não, mas me sinto mais segura nas minhas ações, pois agora consigo visualizar melhor o que pode desencadear algumas reações e sei que existem meios de reverter quando for necessário.

Relaxe, não se preocupe em sair decorando cada linha deste livro. Permita conhecer seu filho e se precisar de uma ajudinha vá até as últimas páginas, os autores foram geniais ao criarem um resumo útil e dividido por faixa etária.