Sinopse: Slappy, um dos vilões MAIS PROCURADOS das histórias da Goosebumps, está de volta! E desta vez ele não está sozinho. Tenha muito cuidado para não se tornar um escravo de suas maldades! Jackson Stander é um bom garoto. Ele é voluntário em um centro de juventude, faz a lição de casa e não se mete em confusões. Nunca. Seus professores o adoram, seus pais confiam nele e sua irmã, Rachel, o odeia por isso. Mas sua vida perfeitinha se transforma num verdadeiro filme de terror depois que ele retorna das férias na casa mal-assombrada de seu avô, um homem que coleciona objetos macabros, como forcas e brinquedos esquisitos. 
Autor(a): R.L. Stine | Editora: Fundamento | Páginas: 104 | Ano de lançamento: 2015 | Compre aqui: Loja da editora

Comecei a ler Goosebumps recentemente, para quem ainda não viu publiquei uma resenha do primeiro livro da subsérie "os mais procurados" aqui

Neste segundo livro o leitor conhecerá Jackson, o garoto perfeito, bom filho, ótimo aluno e preocupado com o bem estar do próximo. Sabe aquele menino tão certinho que é usado pelas mães dos amigos como referência? Este ótimo exemplo é o protagonista desta história e graças a toda esta perfeição, Rachel, a irmã, nutre uma raiva constante sobre tudo que se relacione com Jackson, afinal, ninguém pode ser tão certinho o tempo todo.
Eu tenho apenas fazer o melhor possível. Acredito realmente que é mais fácil ser bom do que ser mau.
Porém nem tudo é perfeito, principalmente quando Slappy aparece pelo caminho. O que era para ser apenas uma visita ao seu avô, se torna em um encontro com a réplica de boneco de ventríloquo que possui uma história macabra. Mas relaxe, são apenas lendas que vão sendo aumentadas conforme passam de pessoa para pessoa e este boneco nem é o original, pelo menos era isso que o vovô dizia.

Ao voltar de viagem, coisas estranhas começam a acontecer, como por exemplo Slappy ter aparecido na mala de Jackson sem que tivesse sido colocado lá. Ao se dar conta de que algo estranho estava acontecendo, o garoto começa a acreditar que a história sobre o boneco é verdadeira, principalmente depois que ele começa a ouvir vozes de comando dentro de sua cabeça.

O que poderia ser pior do que ter um boneco de ventríloquo com vida própria e com uma mente maligna? Existe algo bem pior, mas eu não vou lhe contar, pois não quero estragar a sua surpresa ao conhecer a história do menino perfeito com o boneco do mal.

Esta é mais uma história rápida de ser lida, sem enrolações e que possui um suspense muito bom. Não espere encontrar grandes sustos, mas abra sua mente para a narrativa bem construída e que pode servir como introdução a novos leitores que buscam este gênero.

Continuo achando que as histórias de R.L. Stine tem uma relação muito próxima com a série de terror/suspense para adolescentes que eu assistia quando era mais nova. Vou deixar a abertura da série logo abaixo, se você é da minha "época" poderá relembrar como eram as histórias.






Sinopse: Além de enfrentar anos de bullying na escola, Charlotte Davis perde o pai e a melhor amiga, precisando então lidar com essa dor e com as consequências do Transtorno do Controle do Impulso - um distúrbio que leva as pessoas a se automutilarem. "Viver não é fácil". Quando o plano de saúde de sua mãe suspende seu tratamento numa clínica psiquiátrica - para onde foi após se cortar até quase ficar sem vida -, Charlotte Davis troca a gelada Minneapolis pela ensolarada Tucson, no Arizona (EUA), na tentativa de superar seus medos e decepções. Apesar do esforço em acertar, nessa nova fase da vida ela acaba se envolvendo com uma série de tipos não muito inspiradores.
Autor(a): Kathleen Glasgow | Editora: Planeta | Páginas: 384 | Ano de Lançamento: 2017 | Compre aqui: Amazon

Antes de qualquer coisa preciso deixar um aviso, este livro possui uma história forte, porém muito real, que pode não ser a melhor opção para algumas pessoas. O leitor encontrará momentos de dor e sofrimento nestas páginas, então caso você seja do tipo que se abala com situações reais e duras como automutilação, suicídio e uso constante de drogas, talvez esta não seja uma boa opção de leitura.

Para os que se sentem preparados, deixo um outro aviso. Vocês não irão se arrepender, pois todo o sofrimento dos personagens, em especial o da protagonista, são descritos de forma clara, sem exageros ou romantização, ao ponto de que tudo pareça ser real e que todos sejam muito humanos.


Charlotte é uma jovem que enfrentou alguns problemas na vida, perdeu seu pai, sua melhor amiga e sua mãe não parece conseguir cuidar dela, o que a faz morar na rua e passar por situações complicadas e duras, que mostram para a adolescente de apenas 17 anos que a vida é mais complexa do que se pode imaginar.

Ao passar por uma experiência de quase morte, Charlie vai para uma clínica psiquiátrica e lá conhece algumas pessoas que marcarão sua existência. Tida como tímida e calada, a jovem aos poucos precisa aprender a se defender e se proteger sem contar com ajuda dos outros, já que seu período de tratamento é interrompido pela falta de dinheiro para mantê-la na instituição.

Sozinha novamente, sem apoio psiquiátrico e sem família, Charlotte viaja para outro estado, já que o único no mundo disposto a ajudá-la é um amigo que não vê há um bom tempo. Esse recomeço será marcado por dificuldades, não há um conto de fadas, nem mesmo a falsa ideia de que tudo será perfeito e que um príncipe encantado surgirá para salvar a princesa. Pelo contrário, há um romance conturbado, beirando um relacionamento abusivo, onde nem mesmo o lado bom é suficiente para suprir os maus momentos.
Ela não é um biscoito, nem um livro, nem um disco em uma prateleira. Você não pode brincar com ela e depois colocar de volta ao lugar.
De forma sincera e delicada, a autora desenvolveu uma história rica demais, daquelas que nos deixam com o coração apertado, com desejos de que tudo melhore e com sorriso no rosto a cada conquista, por menor que seja, da protagonista e de seus amigos. 

Me aproximei demais de Charlie e ouso dizer que me senti sua amiga, que queria dar conselhos, segurar sua mão em alguns momentos que lhe causariam recaída e lhe dando abrigo quando parecia que não teria um teto.

Enfim, o livro é magnífico, delicado na medida certa, mas ao mesmo tempo intenso e forte. Não há cenas desnecessárias e exageradas com o intuito de chocar o leitor, mas sim situações na medida certa ao ponto de tornar tudo muito concreto e real.

A autora se preocupou tanto em criar uma obra completa, que ao final há uma nota da mesma contando que sua história é muito parecida com a de sua protagonista. Na última página há também orientações de onde procurar ajuda.
A história de Charlie Davis é a história de mais de dois milhões de jovens mulheres nos Estados Unidos. E essas jovens vão crescer, como eu cresci, carregando a verdade do nosso passado no nosso próprio corpo.
Permita-se acompanhar Charlie, deseje sua vitória e a abrace quando for preciso, mas não deixe de se aproximar de sua história!




Sinopse: Na trama, em um dia como outro qualquer em Chester’s Mill, no Maine, a pequena cidade é subitamente isolada do resto do mundo por um campo de força invisível. Aviões explodem quando tentam atravessá-lo e pessoas trabalhando em cidades vizinhas são separadas de suas famílias. Ninguém consegue entender o que é esta barreira, de onde ela veio e quando — ou se — ela irá desaparecer.
Autor(a): Stephen King | Editora: Suma de Letras | Páginas: 960 | Ano de Lançamento: 2012 | Compre aqui: Amazon

Não sou fã de Stephen King e talvez isso tenha me afastado da leitura deste livro por tanto tempo. Havia assistido a alguns episódios da série homônima, mas não havia me empolgado com a possibilidade de ler estas quase mil páginas, porém conforme eu me distanciava da série a curiosidade pela obra que serviu de inspiração aumentava.

Posso dizer que fiz bem em esperar, pois as comparações foram inevitáveis e acredito que o livro é muito melhor, mais fluido, com situações que se encaixam melhor e fazem mais sentido. E não se assuste pela quantidade de páginas, tudo descrito na medida certa, de forma a não confundir o leitor, há até um mapa da cidade e uma lista com os moradores e suas funções.


Tudo começa em um dia comum, sem nenhum sinal de que uma grande mudança estava por vir. De forma inesperada os moradores de Chester's Mill se veem isolados do resto do mundo por uma redoma. Ninguém entra e ninguém sai, nem mesmo o vento consegue ultrapassar a barreira invisível sem diminuir sua intensidade.

O que poderia ser uma história voltada para a compreensão da existência desta barreira, se mostra como algo mais complexo e rico. Deixe de lado suas especulações sobre a origem da redoma e surpreenda-se com a forma com que a sociedade local se reorganiza. A forma como os grupos são instintivamente formados e a afinidade entre seus membros, serve como meio de repensar as nossas próprias atitudes, afinal, em que grupo você estaria se fosse surpreendido por uma redoma? Seria o que busca respostas, o que impõe sua força e poder, o submisso, etc? Pense bem, pois o lado que você escolher pode ser determinante para salvar ou matar todo mundo.
Torcer pelo melhor, planejar para o pior.
É dentro desta perspectiva de sociedade corrompida que o leitor irá se aventurar e se envolver pelos diversos momentos de ação, de tal forma que a leitura poderá transcorrer rapidamente. Eu, pelo menos, conclui a leitura em pouco menos de quatro dias, não consegui abandar a história até chegar ao fim.


Não irei falar sobre cada personagem, caso contrário esta resenha ficará tão grande quanto o livro, mas posso afirmar que todos foram muito bem construídos. A personalidade de cada um é tão completa que estes parecem reais, a força de alguns é de dar inveja, porém a submissão de outros é facilmente compreendida.
Toda cidade tem as suas formigas, o que é bom, e os seus gafanhotos, que não são tão bons, mas nós podemos conviver com eles porque os entendemos e podemos obrigar que façam o que é melhor para eles, mesmo que seja preciso apertar um pouco.
O fato da redoma em si não ter sido tão bem explorada me decepcionou um pouco, de forma que ainda não consigo aceitar o final, tão pouco compreender como toda aquela empolgação durante os capítulos foi sendo reduzida ao chegar nas últimas páginas. Ao meu ver o final não foi a melhor parte desta história, mas todo o resto foi tão bom que consigo desculpar o King.

Estão esteja aberto para desvendar não somente o mistério sobre a redoma, mas sim para conhecer cada cantinho desta cidade e os segredos escondidos por cada personagem.



Sinopse: O último livro da autora best-seller de Coração e alma e À espera de Frankie. Quando Chicky Starr decide restaurar a velha Casa de Pedra, situada no alto de um penhasco na costa oeste da Irlanda, e transformá-la em um hotel, todos pensam que ela enlouqueceu. Mas, com uma reforma para proporcionar à casa lareiras, quartos elegantes e uma aconchegante cozinha, não demora muito para Chicky estar pronta para receber seu improvável primeiro grupo de hóspedes.
Autor(a): Maeve Binchy | Editora: Bertrand Brasil | Páginas: 362 | Ano de Lançamento: 2017 | Compre aqui: Amazon

Quando vi este livro admito que criei expectativas e estava na esperança de encontrar uma história gostosa, aconchegante, envolvente e delicada. Em alguns pontos a narrativa foi como eu imaginava, em outros infelizmente não.

Em Uma semana de inverno o leitor será inicialmente apresentado à história de Chicky, uma jovem que encontrou seu grande amor e que, mesmo contra a vontade de sua família, saiu da casa dos pais para viver esse romance. Esta parte da história fez com que eu me aproximasse desta personagem, acompanhasse as dificuldades que a vida colocou em seu caminho e torcesse para que ela fosse feliz.

Depois de maus momentos, Chicky volta para sua cidade natal e constrói um hotel em uma antiga casa repleta de histórias. Mas o que poderia ser um gancho para explorar a história desta personagem, se mostrou como caminho para deixá-la em segundo plano e focar na vida dos hóspedes e funcionários. Não que este seja um problema, mas senti como se tivesse quebrado minha conexão com a protagonista, eu estava pronta para me envolver e fui afastada ao precisar conhecer os demais.

Com histórias distintas, mas que em poucos momentos apresentavam algum tipo de conexão, mesmo que frágil, a autora construiu bem seus personagens, de forma a parecerem reais e possibilitando ao leitor compreender facilmente a personalidade de cada um, mas também sem aprofundamento. 


A leitura desta obra é tranquila, às vezes até calma demais. Senti falta de momentos impactantes para ficar na memória. Na realidade senti como se fosse uma história ao estilo dos filmes bonitinhos da Sessão da Tarde, aqueles que são gostosinhos de acompanhar, mas ao final não deixam algo para refletir, servindo apenas como passa tempo mesmo.

Então se você gosta de uma leitura despretensiosa, mas que lhe proporcionará bons momentos de distração, acredito que Uma semana de inverno é uma boa opção.




Sinopse: Quando a rainha Elyssa morre, a princesa Kelsea é levada para um esconderijo, onde é criada em uma cabana isolada, longe das confusões políticas e da história infeliz de Tearling, o reino que está destinada a governar.
Dezenove anos depois, os membros remanescentes da Guarda da Rainha aparecem para levar a princesa de volta ao trono – mas o que Kelsea descobre ao chegar é que a fortaleza real está cercada de inimigos e nobres corruptos que adorariam vê-la morta.
Mesmo sendo a rainha de direito e estando de posse da safira Tear – uma joia de imenso poder –, Kelsea nunca se sentiu mais insegura e despreparada para governar. Em seu desespero para conseguir justiça para um povo oprimido há décadas, ela desperta a fúria da Rainha Vermelha, uma poderosa feiticeira que comanda o reino vizinho, Mortmesne.
Mas Kelsea é determinada e se torna cada dia mais experiente em navegar as políticas perigosas da corte. Sua jornada para salvar o reino e se tornar a rainha que deseja ser está apenas começando. Muitos mistérios, intrigas e batalhas virão antes que seu governo se torne uma lenda... ou uma tragédia.
Autor(a): Erika Johansen | Editora: Suma de Letras | Páginas: 352 | Ano de lançamento: 2017

Criada afastada e alheia à boa parte do passado quanto ao presente de Tearling, e sem saber até mesmo coisas básicas sobre a sua família, Kelsea vive com seus "pais" adotivos, Barty e Carlin, sem ter quase nenhuma noção sobre como será o seu futuro quando a Guarda da Rainha chega para levá-la rumo ao trono.

Rainha. Lá estava aquela palavra outra vez. Kelsea tentou pensar em si mesma como uma rainha e simplesmente não conseguiu.

O reino é governado de forma que o interesse de poucos está acima até da própria vida de sua população, que vive com medo em um regime parecido com semi-escravidão.
Em seu romance de estréia e o primeiro de uma trilogia, Erika Johansen revela um retrato atemporal de uma sociedade que é moldada por traições, desigualdades sociais, abusos contra a mulher e escravidão. 

Kelsea é a mocinha da história mas uma mocinha fora dos padrões. Ao mesmo tempo que ela não se sente preparada para assumir o trono e precisa que a protejam, ela é inteligente, apaixonada por livros, tem uma aparência comum e tem os sentimentos nobres de uma verdadeira rainha. Por isso ela é uma personagem incrivelmente humana e é ao mesmo tempo mocinha e heroína, que não tem medo de enfrentar as injustiças que estão instituídas no seu reino.


A empatia que sentimos por ela só aumenta a medida que a autora constrói a evolução da personagem. Suas ações são guiadas parte por intuição e parte por magia, mas sempre motivadas pela coragem, compaixão e pela raiva diante das atrocidades cometidas em Tearling. 
A magia também é apresentada na história sutilmente e aos poucos ela se revela muito útil, mas também imprevisível, principalmente por ser motivada pela raiva.

Outro ponto que chama muito a atenção é que o presente e o passado se fundem em um tempo indefinido. Acho que saberemos mais sobre em qual época se passa o universo da história quando soubermos mais sobre a origem de Tearling.

Essa narrativa que cativa, emociona e envolve o leitor já tem sua adaptação para o cinema garantida e será produzida e estrelada por Emma Watson. Agora é esperar ansiosamente pela continuação da história, que a editora já confirmou para setembro desse ano, porque me tornei fã da autora e de Kelsea.
E acima de tudo a história nos faz refletir sobre o tipo de governante que toda nação precisa: que seja justo e tenha compaixão.
Enjoy! See you soon!





Sinopse: Um romance sobre coragem, um romance sobre Anita Garibaldi. Neste romance repleto de beleza literária e cores realistas, tão chocante quanto maravilhoso, tão particular quanto universal, Thales Guaracy olha Anita pelos olhos de Giuseppe Garibaldi, a única pessoa que testemunhou por completo a vida da revolucionária. E assim desvenda e nos apresenta, com estilo único, pessoal e emocionante, a mulher que se atira sozinha sobre o exército inimigo; que corta os cabelos do marido por ciúme e o ameaça com um par de pistolas; que abandona os próprios filhos entre desconhecidos para atravessar um país conflagrado, escondida sob as cartas de um carro de correio, até uma cidade sitiada. E que aprendeu que “as causas perdidas são as mais certas”, tornando-se uma das mais extraordinárias personagens da história, considerada a “heroína de dois mundos”, precursora e símbolo do feminismo, representação de mulher forte e independente.
Autor(a): Thales Guaracy | Editora: Record | Páginas: 224 | Ano de lançamento: 2017

Em Anita: Um romance sobre a coragem, o leitor será apresentado a Ana, uma adolescente que se vê obrigada a casar contra sua vontade, mas por uma boa causa, para manter a segurança e sustento de sua família. Porém engana-se quem por um momento pensar que esta jovem desistiu de seus ideais por um segundo sequer. Mesmo carregando o fardo de um casamento indesejado, a protagonista insiste em ir atrás de seus objetivos e é nesta incansável luta para ser livre que conhece Giuseppe Garibaldi, aquele a quem entregará seu coração e sua vida se for preciso.
Não é porque sou mulher que vou passar a vida pedindo ajuda, minha liberdade vai ser conquistada.
A partir de então passa a ser conhecida por Anita, o grande amor de Giuseppe, mas sem se esconder sob a sombra do amado, mostrando sua ousadia e capacidade em lutar em prol do que acredita, sem temer pelas consequências de suas atitudes diante dos guerreiros adversários. 

Uma personagem intensa, determinada e forte, que viveu momentos difíceis no decorrer de sua vida, mas sempre os encarou de cabeça erguida. Disposta a abrir mão de muitas coisas para buscar a liberdade de um povo e pela segurança de quem ama, Anita mostra que pode ser muito mais do que as pessoas imaginam. 

Através de uma narrativa rápida, envolvente e nada cansativa, o autor construiu seus personagens evidenciando seus potenciais e suas fraquezas, mostrando que por mais valentes que fossem, ainda eram humanos e possuíam algo que lhes fizesse fraquejar, mesmo que fosse por pouco tempo. Sem exagerar no romance, tão pouco na valentia diante das inúmeras batalhas,  possibilitou que a sua história beirasse a realidade, transmitindo ao leitor sentimentos reais.
Anita era uma mulher capaz de aventurar-se, de lutar sem freios, de buscar a morte por amar a vida o mais completamente. Viver pela liberdade ao lado de Anita não era um conflito, um paradoxo, uma impossibilidade; ao contrário, em vez de trazê-lo para o mundo da família, do homem comum, ela o estimulava a ser ainda mais o que era.
Sem dúvida alguma este é um livro para aqueles que admiram a bravura, que buscam histórias de força, coragem e amor, pois nem só de guerra viveu Anita, muito amor e esperança preencheram seu coração durante os anos em que esteve ao lado de Giuseppe, servindo muitas vezes como estímulo para que seu companheiro não desistisse de seus próprios sonhos.


Sinopse: Para encontrar o assassino, ele teve de se tornar um. Após encontrar o pai espancado até a morte, a vida monótona de Finn Maguire vira de cabeça para baixo. Principal suspeito do crime, o garoto de 17 anos, disléxico e com passagem pela polícia deve correr contra o tempo para limpar seu nome e descobrir quem odiava seu pai a ponto de mata-lo. À procura de respostas, Finn se infiltra no sórdido e brutal submundo de Londres, onde enfrenta novos perigos a cada passo e onde obscuros segredos familiares o levam a perceber que as pessoas em que mais confia são as que podem golpeá-lo com mais força.
Autor(a): Niall Leonard | Editora: Bertrand Brasil | Páginas: 320 | Ano de lançamento: 2017 | Compre aqui: Amazon

Finn é um adolescente sem grandes perspectivas para o futuro, trabalha como atendente em uma lanchonete, vive uma casa humilde com seu pai, um ator fracassado que passava seus dias escrevendo roteiros horríveis. Ao olhos do adolescente, sua vida é medíocre e a presença de seu pai só a torna pior, afinal, o jovem o vê como um peso inútil, incapaz de sustentar a própria casa após o abandono de sua esposa.
Apesar de não estar satisfeito com sua vida, Finn não imagina qualquer tipo de mudança positiva, tão pouco se empenha para isso. Porém sua vida vira de cabeça para baixo ao voltar para casa e encontrar seu pai morto.

Ao se tornar o principal suspeito do assassinato, o protagonista desta história precisa correr contra a tempo se quiser provar que é inocente, já que as poucas provas existentes podem incriminá-lo.

É esta busca pela verdade que prende o leitor a cada novo capítulo, pois a verdade não será descoberta de imediato, há muito caminho a percorrer e muito risco a encontrar em busca da solução para este crime terrível.
Como poderia estar tudo bem? Eu era um analfabeto funcional que havia completado o ensino médio, preso a um subemprego que não me levaria a lugar algum, e ele, um zé ninguém que passava os dias escrevendo um roteiro que nunca terminaria e que ninguém leria se terminasse.
Mesmo sendo considerado uma pessoa burra, Finn mostra que pode ser muito esperto caso tenha vontade. Sua determinação é algo a ser invejado, pois mesmo nos momentos em que poderia ter desistido e aceitado seu destino, o jovem se ergue e vai atrás do assassino do pai.

O autor reservou algumas reviravoltas nesta trama que me surpreenderam, pois se encaixavam muito bem ao mistério e faziam muito sentido, porém não há aquele envolvimento ao ponto de tirar o fôlego do leitor. Há ação suficiente para não entediar, porém a mesma é um tanto quanto superficial, sendo capaz de atender as expectativas dos apaixonados pelo gênero, mas dificilmente será mais do que o leitor esperava.




Sinopse: Quinn Porter é um guitarrista de meia-idade que nunca conseguiu deslanchar na carreira. Enquanto aguardava sua grande chance na música, foi um marido e pai ausente, e jamais conseguiu estabelecer um vínculo afetivo com o filho, uma criança obcecada pelo Livro dos Recordes e algumas peculiares coleções.Quando o menino morre inesperadamente, alguém precisa substituí-lo em sua tarefa de escoteiro: as visitas semanais à astuta Ona Vitkus, uma centenária imigrante lituana. Quinn assume então o compromisso do filho durante os sete sábados seguintes e tenta ajudar Ona a obter o recorde de Motorista Habilitada Mais Velha. Através do convívio com a idosa, ele descobre aos poucos o filho que nunca conheceu, um menino generoso, sempre disposto a escutar e transformar a vida da sua inusitada amiga. Juntos, os dois encontrarão na amizade uma nova razão para viver.
Autor(a): Monica Wood | Editora: Arqueiro | Páginas: 352 | Ano de lançamento: 2017


Quando vejo livros que falem sobre crianças ou animais, já me preparo psicologicamente para a intensidade de sentimentos que a história me proporcionará. Ao contrário do que eu poderia esperar, este não foi um desses livros que me fazem chorar e sofrer com as perdas, mas mesmo assim me tocou de uma forma muito positiva e deixou sua mensagem.


A narrativa foi tão envolvente que eu nem percebi que o MENINO não foi nomeado, sua presença era tão marcante que seu nome não foi necessário para estabelecer sua história, tão pouco se mostrou necessário para que eu pudesse compreender seu legado. Apenas agora, ao escrever este post, que notei que não sabia o seu nome.


Ona é uma senhora sozinha, todos de quem ela era próxima já faleceram. Acostumada com sua vida solitária, sem a presença de amigos ou parentes, a simpática senhora vê seus dias mudarem após a chegada deste menino, que poderia ter sido apenas mais um escoteiro sem graça e preguiçoso que sempre enviam para sua casa.  Viciado em recordes e listas, o jovem escoteiro conquista o coração desta senhora de 104 anos. O que era para ser apenas uma boa ação promovida pelo seu grupo, se transforma em uma amizade pura, sincera e que ultrapassa a barreira da idade.

A relação entre os dois é doce, mas sem causar aqueles momentos chatos repletos de frescura. Ona trata o menino como se fossem amigos de verdade.  O envolvimento destes dois personagens é tão grande, que a senhora centenária decide deixar sua rotina pacata de lado para se aventurar com o Menino e suas listas em busca de um título no livro dos recordes. Me senti tão próxima dos dois que não consigo falar sobre essa amizade sem abrir um largo sorriso. Em meio aos encontros dos dois o leitor vai se aproximando dos personagens, compreendendo seus gostos, manias, vícios e conhecendo suas histórias.
Sabe, ao londo da vida a gente vai conhecendo tanta gente. Os anos vão passando e passando... Mas tem certas fases, certas pessoas que ocupam muito mais espaço que outras. Na memória da gente.
Porém o destino acaba pregando uma peça em Ona, que já estava entusiasmada com sua nova amizade. O jovem não apareceu mais em sua casa, apesar de continuar a sua espera, a senhora passa a duvidar que este tenha sido realmente um bom garoto, até ser surpreendida pela visita do pai do escoteiro que se oferece para cumprir os deveres que seu filho havia com ela, já que este havia morrido de forma inesperada.

A morte do menino de 11 anos não representa o fim, mas um recomeço. Após esta grande e impactante perda, o pai do garoto, que até então era um pouco ausente, se aproxima de Ona apenas para cumprir seu dever, mas acaba se envolvendo mais do que o esperado e passa a conhecer mais sobre seu próprio filho e amadurecendo no decorrer dos capítulos.

Talvez você esteja pensando agora que esta é uma história triste, trágica e dramática ao extremo, mas preciso lhe dizer que Um menino em um milhão passa longe destas características, o que encontrei foi uma lição de vida, de amor e de amizade. 

Eu realmente gostaria de me aprofundar mais nesta resenha, mas tenho receio de que acabe contando mais do que devo e não gostaria de estragar a experiência de leitura. Quero mesmo que você, leitor, se envolva por esta trama tão delicada e que tem tanto a lhe mostrar, então leia de mente e braços abertos.









 
Sinopse: Nós é um romance distópico escrito entre 1920 e 1921 pelo escritor russo Ievguêni Zamiátin. A história narra as impressões de um cientista sobre o mundo em que vive, uma sociedade aparentemente perfeita mas opressora, e seus conflitos ao perceber as imperfeições dele, ao travar contato com um grupo opositor que luta contra o "Benfeitor", regente supremo da nação. O livro só adentrou legalmente a pátria-mãe do autor em 1988, com as políticas de abertura do regime soviético, devido à censura imperante no país.
Autor(a): Ievguêni Zamiátin | Editora: Aleph | Páginas: 344 | Ano de Lançamento: 2017

Passada a guerra dos 200 anos a ordem foi estabelecida e não há mais do que reclamar. Não há mais sofrimento de nenhuma forma, nem mesmo aquela antiga bobagem chamada amor. Sonhos então, nem pensar! Tudo é muito concreto, científico e realista ao extremo. Não se perde mais tempo com "bobagens", já que tudo passou a ser organizado com o intuito de promover uma sociedade onde todos colaborem com o que possuem de mais útil.

Nesta realidade nomes já não são tão importantes, pois todos são meros números. Cada número possui sua função na sociedade e a desempenha com muito cuidado, atenção e interesse, pois não há outra coisa a fazer além daquela a qual foi designado.
Está claro: já não há motivos para a inveja, o denominador da fração felicidade foi reduzido a zero, a fração converte-se em magnífico infinito. E o que para os antigos era fonte de inumeráveis e tolar tragédias em nossa sociedade foi convertido em harmoniosas, agradáveis e úteis funções do organismo, assim como o sono, o trabalho físico, a ingestão de alimentos, a defecção etc. 
Também não espere encontrar casais andando pela rua, correndo atrás de seus lindos filhos ou se preocupando em como pagar as contas do mês. Estou falando de um mundo realmente tido como perfeito, sem qualquer preocupação, mas também sem sentimentos. 

Não há liberdade e esta não é questionada. O Benfeitor é o detentor de todo e qualquer poder que possa existir, até mesmo o de ser reeleito sem eleições. Isso mesmo, não há a necessidade do suspense de uma votação se ele sempre será o escolhido por ser o melhor para a nação.

Espero que neste momento você já tenha compreendido a leve crítica aos regimes totalitários e ditatoriais, a comparação durante a leitura se torna inevitável. Por mais que se trate de uma ficção onde diversos momentos se apresentam como apenas uma história, é impossível não encontrar elementos reais e críticos.

Esta história é narrada pelo protagonista, D-503, um homem satisfeito com sua vida e sua função. Não questiona, não reclama e a qualquer sinal de expressão de sentimentos ele pensa estar doente. Por mais que pareça ingênuo e alienado, o personagem é carismático e leva o leitor a querer conhecer mais do seu cotidiano e suas descobertas. Porém este homem tão certinho encontrará em seu caminho pessoas "desajustadas" e com desejos que fogem do estabelecido pelo Estado Único.
Mas não é sua culpa, vocês estão doentes. O nome dessa doença é: IMAGINAÇÃO.
Demorei um pouco para concluir esta leitura, mais por motivos pessoais e acadêmicos do que por causa da narrativa, que por sinal é ágil e de fácil compreensão, fugindo daquela ideia de clássicos com escrita complica e cheia de frescura. 

O autor desenvolveu bem seus personagens e a evolução dos acontecimentos vai se mostrando interessante, porém não me senti tão envolvida quanto esperava. O protagonista me cansou um pouco, talvez na verdade sua ingenuidade tenha me cansado, infelizmente eu esperava mais dele e de suas atitudes e este é o único motivo que me impediu de dar as cinco estrelas para obra, mas saibam que apesar deste detalhe a leitura vale muito a pena.





Sinopse: Um romance inconfundível de Kurniawan, combinando folclore, sátira e a formação da Indonésia. A vida da prostituta mais procurada da fictícia Halimunda, Dewi Ayu, e das quatro filhas é marcada por estupros, incestos, assassinatos e fantasmas – muitas vezes vingativos. Astuta, destemida e engenhosa, Dewi levanta-se do túmulo após 21 anos para contar a própria história e desvendar alguns mistérios. Mas talvez a principal razão para o forte desejo de voltar à vida seja visitar sua quarta filha, a quem ela deu à luz antes de morrer. Seu nome é Beleza, mas foi abençoada com a feiura que Dewi tanto desejou para afastar a família da maldição da beleza. 
Autor(a): Eka Kurniawan | Editora: José Olympio | Páginas: 447 | Ano de lançamento: 2017

Se ao ler a sinopse a cima você imagina que esta história possa ser, em algum momento, engraçada devido ao fato de se tratar de uma sátira, preciso lhe dar um aviso logo no início desta resenha. A beleza é uma ferida passa longe de ser uma narrativa com momentos engraçados e descontraídos, mas isso não a torna decepcionante.

O autor não mede palavras e descrições para apresentar ao leitor a vida dura de Dewi Ayu, a prostituta mais conhecida e desejada da região. Engana-se se por acaso você imagina que encontrará uma narrativa pautada nos bordeis, luxuria ou alguma outra coisa do gênero, o lado contado desta história é outro, é o do impacto que a guerra causou na vida de todos, incluindo o sofrimento das belas mulheres, assim como as consequências de atos de pessoas no passado podem se fazer presente por diversas gerações. 
Os bebês começaram a morrer e, depois, os velhos. A doença também matou jovens mães, crianças, mocinhas - qualquer um podia morrer a qualquer momento. O terreno atrás das celas foi transformado em cemitério.
Dewi era linda, uma menina com um futuro tão lindo quanto sua aparência, porém nem tudo são flores, principalmente se você vive em um momento de guerra e seu país está sendo invadido. É preciso abrir mão de muitas coisas para se manter viva e a protagonista deste livro sabe muito bem disso.

Não há lamentos que comovam nesta história, mas há uma realidade dura e forte que fará com que o leitor anseie por boas notícias. Mesmo se por acaso não se apegar aos personagens, ainda assim terá elementos suficientes para se sentir compadecido com a dor do próximo.

Dewy teve três lindas filhas, uma mais bela e sedutora que a outra, mas estavam fadadas à infelicidade, perdas, sofrimento e até mesmo ao estupro, afinal, eram estonteantemente maravilhosas e isso era o suficiente para despertar o desejo dos homens, desde os mais doces até os mais cruéis. Por mais que elas trilhassem seus caminhos, ainda assim o futuro talvez não fosse tão perfeito como sonhavam.

Não há maior maldição do que dar à luz fêmeas bonitas, num mundo de homens perversos como cães no cio.
Mas então surge uma quarta filha, Beleza, que ao contrário das irmãs nasceu muito feia, horrível ao ponto de assustar quem a visse na rua, porém era do jeitinho que sua mãe queria. Cansada de por no mundo mulheres lindas e sofredoras, Dewi, que não conseguiu se livrar da quarta gravidez, decidiu que então rezaria para que a caçula nascesse muito feia e se livrasse da maldição da família.

Talvez você esteja imaginando que as personagens exalam tristeza e que será impossível controlar as lágrimas, mas não foi isso que o autor trouxe para esta obra. Dewy é cheia de vida, até depois de morta, suas filhas não abaixam a cabeça diante das dificuldades e sofrimentos, tão pouco os demais personagens que surgem nesta história se mostram ansiosos por piedade.
- Casar com alguém que não se ama é muito pior do que viver como puta - dizia ela à filha menor.
Eu posso ficar aqui por horas escrevendo sobre cada um dos personagens, suas próprias histórias, medos, sucessos, derrotas, etc, mas acabaria entregando toda a intensidade e detalhes desta história, que apesar de cruel, é muito envolvente, pois o autor construiu seus personagens com maestria e nenhum foi deixado de lado, afinal, por trás de cada ser humano há uma trajetória e história a ser conhecida.

Mas mesmo me limitando não posso deixar de contar que existe um fator sobrenatural nesta história. Os fantasmas do passado não abandonam os personagens, há muito o que se desvendar para compreender o impacto que cada ação do passado causou na família de Dewi.

Sem dúvida alguma é uma narrativa muito bem escrita, bem amarrada, com personagens complexos e que se conectam ao decorrer dos capítulos.

É verdade que talvez o leitor acabe sentindo o peso das passagens mais tensas e fortes, então se você costuma ficar impressionado demais com histórias que não medem palavras, tão pouco floreiam o sofrimento ou que não romantizam relacionamentos, talvez este não seja o livro certo para você. Agora, se choques de realidade, personagens humanos e histórias que poderiam ser reais em diversos momentos lhe agradam, só posso sugerir para que leia logo A beleza é uma ferida.