Sinopse: Dylan não é como a maior parte dos garotos de quinze anos. Ele é corpulento, tem quase dois metros de altura e tantos pelos no corpo que acabou ganhando o apelido de Fera na escola. Quando ele conhece Jamie, em uma sessão de terapia em grupo para adolescentes, se apaixona quase instantaneamente. Ela é linda, engraçada, inteligente e, ao contrário de todas as pessoas de sua idade, parece não se importar nem um pouco com a aparência dele. O que Dylan não sabe de início, porém, é que Jamie também não é como a maioria das garotas de quinze anos - ela é transgênera, ou seja, se identifica com o gênero feminino, mas foi designada com o sexo masculino ao nascer. Agora Dylan vai ter que decidir entre esconder seus sentimentos por medo do que os outros podem pensar ou enfrentar seus preconceitos e seguir seu coração.
Autor(a): Brie Spangler | Editora: Seguinte | Páginas: 384 | Ano de lançamento: 2017

Dylan é um adolescente muito inteligente, educado e com sonhos para seu futuro, porém nada disso é notado por seus colegas, que focam apenas em sua aparência. O jovem está batendo a marca de dois metros de altura, tem muitos pelos pelo corpo e não é tão belo e atlético quanto os demais, infelizmente a puberdade não foi boa para ele. 
Já é ruim o bastante ter um metro e noventa e três e pelos suficiente no corpo para isolar termicamente uma cidade pequena. E não é só isso, eu também tenho que comprar roupas na seção de minotauros. Uniformes de tamanho padrão não me servem.
Apesar de seu bom coração, as pessoas não são boas com ele. Seu melhor amigo é um dos mais populares na escola, mas a todo instante a impressão que tive era de que esta relação era um tanto quanto tóxica para Dylan. Enquanto o grandão, apelidado de Fera, se sentia importante por ser amigo de JP, por sua vez o popular não perde a oportunidade de ridicularizá-lo. 

Após um "acidente" onde Dylan cai do telhado, sua mãe o leva para terapia, afinal, algo não anda bem com ele. A intenção era apenas machucar o pé, mas acabou com uma perna quebrada.

Logo na primeira sessão ele sente que aquele não é o seu lugar, não vê motivos para estar ali, já que não tem problema algum em sua vida. Está acostumado com tudo e jamais se machucaria de propósito. Porém ele não poderia imaginar que sua vida mudaria completamente após este primeiro encontro.

Lá estava Jamie, uma adolescente tão linda e interessante que despertou em Fera um lado que ele ainda não conhecia. Tão perfeita aos seus olhos, ele jamais imaginaria qual seria seu verdadeiro problema e sua motivação para estar naquele grupo.
Porque a melhor coisa que já segurei foi a sua mão na minha. E depois você nos meus braços.
O que começa como amizade entre eles logo passa para um estágio com sentimentos mais intensos. Um laço entre os dois está criado, o romance começa a pairar no ar, mas Dylan deixou de ouvir um detalhe importante sobre a vida de sua amada, Jamie é transgênera. O relacionamento entre os dois parecia a todo instante algo sincero e puro, beirando a ingenuidade em diversos momentos. Bem ao estilo de primeiro amor, onde todos os fatos são marcados por grandes descobertas.

As oscilações de Dylan sobre o que queria para sua vida e sobre como lidar com a grande descoberta a respeito de Jamie me incomodaram um pouco no início, mas ao pensar melhor sobre a história pude entender que era natural para ele. Apesar de ser visto como diferente durante toda sua vida, ele foi ensinado a fugir do que fosse considerado motivo para piada, afinal, as pessoas são muito más. Sua confusão poderia ser normal a qualquer adolescente que ainda está se conhecendo.
Vai se concentrar no lado bom das coisas? Ou no lado complicado?
Enquanto a Fera não tomava atitudes, Jamie mostrava ser uma jovem muito bem decidida. Disposta a ser feliz, independente do que os outros dissessem, mesmo que isso significasse passar por alguns momentos difíceis em sua trajetória. Fiquei encantada ao encontrar esta personagem tão nova, ingênua e ao mesmo tempo tão forte e madura. 

A constante luta contra o preconceito e bullying estão presentes de forma clara nesta história. Até mesmo quando os personagens não notam, o leitor é capaz de compreender que determinadas atitudes alheias são cruéis e desnecessárias.
Sinto como se estivesse presa nesse mundo onde não sei mais o que é verdade. Quando estou com você, só quero as coisas boas e fico cega demais para ver as ruins.
Extraí desta leitura muito mais do que eu imaginava conseguir, passei por diversos momentos de reflexão e em poucas horas havia chegado ao fim desta história tão bonita e ao mesmo tempo triste. Acredito, de coração, que esta leitura deveria ser obrigatória, pois através de uma história de amor a autora transmite ao leitor como pode ser difícil simplesmente querer ser você mesmo.



Sinopse: Quem são os deuses que regem os caminhos e descaminhos de Amon e Lily, os corajosos heróis da série Deuses do Egito? Por que esses deuses tramam conquistas e vinganças, envolvendo a humanidade em suas maquinações? E por que deixam nos ombros de alguns jovens mortais a responsabilidade pela salvação do mundo?Antes que Lily e Amon se encontrassem, antes mesmo que o caos dominasse o cosmos e os deuses precisassem de três irmãos corajosos para combater o mal, muita coisa já estava em jogo. Em O duelo dos imortais, vamos conhecer a história dos quatro irmãos que assistiam, com seus poderes especiais, o grande Amon-Rá no governo da Terra.
Autor(a): Colleen Houck | Editora: Arqueiro | Páginas: 112 | Ano de lançamento: 2017

Eis mais um livro que faz parte da série Deuses do Egito, mas desta vez não se trata de uma continuação da história da nossa querida Lily e seu amado príncipe múmia Amon.

O duelo dos imortais volta no tempo, digamos que volta bastante, já que nestas páginas o leitor encontrará o início de tudo. Uma época onde Ísis ainda não havia conquistado Osíris e Seth ainda não tinha poderes.
Não há razão para não ir atrás de sonhos. Todo mundo tem o direito de sonhar com algo mais.
Um livro curtinho, com pouco mais de cem páginas, mas que possui uma história tão completa e envolvente que a sensação que tive era de que havia lido algo maior. Mesmo tendo pouca páginas, Colleen conseguiu criar uma trama que se encaixa, envolve e surpreende.

A mitologia egípcia não esconde grandes segredos, então é possível que você já saiba sobre como aconteceu o romance entre Ísis e Osíris, como Seth se tornou um deus vingativo e invejoso e como Néftis acabou participando de tudo. 
Qualquer homem, mortal ou deus, sabe que não há como dar conta de uma esposa. As mulheres dão conta de si mesmas e os homens que são inteligentes saem do caminho. Mas eu não esperaria que um moleque como você soubesse disso.
Não é uma história nova, mas ganha uma nova roupagem nas mãos de Colleen e se encaixa perfeitamente à serie, mostrando como o que aconteceu há séculos entre os deuses foi fundamental para dar origem à trama de Deuses do Egito.

Uma ótima opção para quem vem acompanhando a série, ou até mesmo para alguém que apenas deseja ler algo curto, rápido e envolvente sobre mitologia. Não há necessidade seguir uma sequência, pois mesmo sendo complementar à série, ainda assim este livro se mostra independente.



Sinopse: Lily Young achou que viajar pelo mundo com um príncipe egípcio tinha sido sua maior aventura. Mas a grande jornada de sua vida ainda está para começar. Depois que Amon e Lily se separaram de maneira trágica, ele se transportou para o mundo dos mortos – aquilo que os mortais chamam de inferno. Atormentado pela perda de seu grande e único amor, ele prefere viver em agonia a recorrer à energia vital dela mais uma vez.
Nesta sequência de O Despertar do Príncipe, o lado mais sombrio e secreto da mitologia egípcia é explorado com um romance apaixonante, cenas de tirar o fôlego e reviravoltas assombrosas.
Autor(a): Colleen Houck | Editora: Arqueiro | Páginas: 368 | Ano de lançamento: 2016

Antes de qualquer coisa preciso avisar que este é o segundo livro da série Deuses do Egito, se você ainda não a conhece, então lhe indico a resenha do primeiro livro, é só clicar aqui

Lily teve sua vida transformada desde que conheceu Amon, um príncipe do Egito que ressuscita de tempos em tempos para garantir a segurança da humanidade. O envolvimento dos dois é evidente desde o início do primeiro livro, impossível acompanhar a trajetória deles e não imaginar que um sentimento puro está crescendo. Porém nem tudo são flores, ainda mais pelo fato de ele originalmente ser uma múmia e ela uma jovem rica bem viva.
Suspirando, me debrucei no parapeito e olhei o parque. Eu estava apaixonada por um cara que tinha séculos de idade e que, no momento, mofava num sarcófago decorado com desenhos complexos fabricado por Anúbis em pessoa.
Agora, separados, Lily entende que precisa seguir sua vida da forma mais normal possível. Amon foi embora e provavelmente nunca mais voltará, sua única opção é seguir a vontade de seus pais, ir para a faculdade e deixar seu amado apenas em sua memória.

O que era para ser apenas uma visita à avó, se mostrou como um momento de clareza e descoberta. Os sonhos com Amon se faziam presentes de uma forma tão real que a menina poderia acreditar que estava realmente próxima ao príncipe, podia sentir sua dor, seus medos e acompanhar sua atual trajetória. O que era uma suposição se torna verdade ao receber uma visita inesperada de Anúbis, disposto a revelar que não são apenas sonhos, que Amon corre perigo e que somente Lily poderia salvá-lo.
Às vezes são necessários sacrifícios e precisamos abrir mão da coisa que mais desejamos no mundo para que outros possam viver contentes e felizes.
Você acha que a jovem ia deixar seu grande príncipe morrer? Claro que não, a menina pode ser ingênua às vezes, mas é determinada a defender quem ama, mesmo que isso signifique colocar sua vida em risco ao aceitar passar pelo processo para se tornar uma esfinge.

Mas como salvar um príncipe do Egito, que está morto há séculos e está prestes a ser devorado em outra dimensão por um ser cruel e sanguinário? Rezar não é uma opção válida, ela precisará encontrar os deuses de perto, convencê-los de que é digna e que pode ajudar a salvá-lo.

A presença constante dos deuses nesta sequência me deixou empolgada. Gostei de ver o envolvimento deles, caracterização, personalidade e finalmente poder entender suas motivações para algumas atitudes que impactam na vida de outras pessoas. Amon-Rá sou tua fã!
Os humanos só entendem e apreciam a paz se conhecerem os horrores da guerra.
A mitologia continua forte neste livro, até acredito que foi melhor explorada do que em O despertar do príncipe, o romance está mais forte, porém há um possível triângulo amoroso sendo inserido e confesso que achei totalmente desnecessário. O envolvimento entre Lily e Amon já me bastava, afinal, era tão forte que chegava a ser contagiante com tanta cumplicidade e amor. Colleen, anota minha dica aí, tira essa ideia de triângulo amoroso da sua cabeça, não precisa!

Tirando esse detalhe que comentei acima, vi neste livro uma história completa e envolvente, com uma narrativa ágil e repleta de momentos de ação. Será difícil para o leitor sentir sono ao acompanhar a aventura da mais nova esfinge. Quando digo que esta história é completa me refiro ao fato de ter um início, meio e fim apesar de ser parte de uma série.




Sinopse: “O lugar perfeito para recomeçar”, é o que pensa Jack Torrance ao ser contratado como zelador para o inverno. Hora de deixar para trás o alcoolismo, os acessos de fúria, os repetidos fracassos. Isolado pela neve com a esposa e o filho, tudo o que Jack deseja é um pouco de paz para se dedicar à escrita.Mas, conforme o inverno se aprofunda, o local paradisíaco começa a parecer cada vez mais remoto... e mais sinistro. Forças malignas habitam o Overlook, e tentam se apoderar de Danny Torrance, um garotinho com grandes poderes sobrenaturais.
Autor(a): Stephen King | Editora: Suma| Páginas: 520 | Ano de lançamento: 2017

Jack é um homem que tinha uma vida satisfatória, uma família que o amava e um trabalho estável. O que poderia indicar que tudo seguiria bem acaba se perdendo quando este começa se entregar para a bebida. O vício o fez perder tudo, ou melhor, quase tudo, pois sua família continuou ao seu lado mesmo que fosse muito difícil apoiá-lo.

Tendo em seu histórico a bebida em excesso,  agressão ao filho e a um aluno e consequentemente a perda de seu emprego, Jack se vê em uma situação que não lhe oferece muitas possibilidades. Precisará mostrar a sua mulher e filho que ele pode se reerguer e que não fará mais a "coisa feia".
Você é iluminado, garoto. Mais do que qualquer outro que já conheci na vida. E veja que vou completar sessenta anos janeiro que vem.
Danny é uma criança ímpar, cativante, inteligente, resiliente e possui um dom especial, ele é iluminado. O garotinho é capaz de interpretar sentimentos alheios, consegue ouvir pensamentos de quem está ao seu redor, ver coisas que ainda não aconteceram e viajar dentro de sua mente para o passado. Mas não se engane, todo esse poder não o torna imune à maldade, pelo contrário, ele acaba se tornando alvo. Confesso que eu quis pegar o menino no colo e fugir com ele.


Jack consegue emprego no Hotel Overlook, seu papel é cuidar de sua manutenção até a próxima temporada, para isso ele e sua família devem ficar todo inverno isolados naquele local grandioso, mas afastado da civilização. Esta é a oportunidade que o pai precisava para se sentir útil e reunir sua família. 

Porém o hotel possui um possui um vasto histórico de assassinatos e de fantasmas, mas não qualquer tipo de espírito ao estilo Gasparzinho pedindo ajuda. Overlook quer muitas coisas, incluindo o pequeno Danny, mas não para buscar salvação e sim para aumentar seu poder.

O leitor encontrará nestas páginas uma atmosfera repleta de tensão, onde a todo instante se perguntará se alguém sairá vivo deste hotel. Overlook e seus fantasmas não medirão esforços para atingir seu objetivo, nem que para isso precisem influenciar Jack a matar sua própria família.
No Overlook, tudo tinha uma espécie de vida. Era como se algo tivesse dado corda no prédio inteiro, como uma chave de prata.
Os livros de Stephen King tendem a ter uma narrativa uma pouco mais carregada, repletas de descrições que favorecem na construção dos personagens, mas que às vezes podem deixar a leitura um pouco mais lenta. Em O iluminado esta tendência permanece. Em alguns momentos me sentia cansada, mas logo o autor dava uma levantada na trama inserindo cenas fortes e intensas. 

Preciso comentar sobre esta nova edição publicada recentemente pela Suma. Além do capricho característico da editora, este livro possui um conteúdo extra que é simplesmente incrível. 
Nesta obra o leitor encontrará um "antes do ato" e um "depois do ato", que são ótimos para conhecer a história inicial do Overlook e o que aconteceu depois do período em que a família Torrance esteve por lá. O antes e o depois acrescentaram muito e satisfizeram minha curiosidade.


Sinopse: Com acesso total aos arquivos da Casa de Anne Frank, em Amsterdam, Sid Jacobson e Ernie Colón realizaram esta extraordinária graphic novel. A partir de intensa pesquisa e cuidadosa contextualização histórica, os autores reconstituem a vida de Annelies Marie Frank, do seu nascimento, em junho de 1929, até sua morte precoce, em março de 1945, de tifo, no campo de concentração de Bergen-Belsen. Em julho de 1942, Anne, seu pai, Otto, sua mãe, Edith, e sua irmã mais velha, Margot, passaram a viver em um esconderijo em um prédio de Amsterdam para escapar dos nazistas que ocupavam a Holanda durante a Segunda Guerra Mundial. Lá, escreveu a maior parte do diário que se tornaria, nas décadas seguintes, o mais célebre testemunho dos horrores do holocausto.
Autor(a): Sid Jacobson e Ernie Colón | Editora: Quadrinhos na Cia. | Páginas: 160 | Ano de lançamento: 2017

Quem nunca ouviu falar na jovem Anne Frank que teve seu destino traçado pelo nazismo? Se por acaso você não se recorda desta menina, ou talvez não tenha mesmo ouvido falar em seu nome, esta é a oportunidade de conhecê-la e de se emocionar com sua história.


Anne desenvolveu um sonho, queria ser jornalista e escritora, pegou gosto pelas palavras logo que iniciou seu diário, onde relatava sem grandes pretensões seus pensamentos e cotidiano. O que poderia ser apenas mais uma memória de uma adolescente em fase de descobertas e dúvidas, se mostrou como um grito por socorro de uma menina que foi obrigada a deixar tudo para trás para garantir sua sobrevivência.

Em uma época onde judeus eram perseguidos sem qualquer tipo de compaixão, a protagonista desta história viu de perto a crueldade humana sem que tenha feito nada de errado, nada que sequer pudesse justificar tanto ódio.

Anne realmente existiu e esta história é real. Poderia ser uma trama de ficção, mas é o relato esperançoso de alguém que via um futuro melhor, que ansiava por liberdade e que lutava para se manter viva, um dia de cada vez.

Esta obra ilustrada traz uma riqueza de detalhes encantadora. Toda a história que eu já conhecia ganhou vida novamente através das imagens, as expressões e características dos personagens me impulsionaram a reviver a emoção da primeira vez em que tive contato com a história de Anne.


Diversas passagens nestes quadrinhos transportam o leitor ao período em que os personagens viveram, trazendo contextualização histórica e acontecimentos que explodiam em outras regiões, mas que impactavam na vida da família Frank.

Uma leitura incrível, emocionante e reflexiva. Aos que se empolgam com histórias reais, esta é uma ótima opção. Caso você seja do grupo que ainda não conhecia nossa querida Anne, não se preocupe, esses quadrinhos lhe mostrarão com clareza quem foi nossa menina.







Sinopse: Summit Lake, uma pequena cidade entre montanhas, é esse tipo de lugar, bucólico e com encantadoras casas dispostas à beira de um longo trecho de água intocada. Duas semanas atrás, a estudante de direito Becca Eckersley foi brutalmente assassinada em uma dessas casas. Filha de um poderoso advogado, Becca estava no auge de sua vida. Atraída instintivamente pela notícia, a repórter Kelsey Castle vai até a cidade para investigar o caso.
Autor(a): Charlie Donlea | Editora: Faro | Páginas: 296 | Ano de lançamento: 2017


Becca é uma estudante de pós graduação, filha de uma família rica e muito conhecida, aquele típico perfil de menina que nasceu para se destacar e brilhar em meio à multidão. Mas seria ela tão perfeita e transparente quanto se imagina? O que teria motivado seu assassinato de forma tão brutal e cruel? 

Estas perguntas são facilmente respondidas com o passar dos capítulos, porém muitas outras ficaram me rondando e para estas não encontrei uma resposta satisfatória ou até mesmo resposta alguma. Havia uma mistério em torno das investigações que eu não compreendi, a todo instante fica claro que algo está sendo escondido, mas não entendi porque isso estava acontecendo. Os segredos são revelados, mas os motivos para terem sido escondidos pela polícia não foram convincentes.
[...] Mas descobrir um segredo jamais é a chave. Descobrir por que um segredo é um segredo é o que leva a algum lugar.
A chegada de Kelsey, uma jornalista investigativa muito conhecida, à cidade movimenta toda a investigação. Ela mostra estar disposta a correr riscos em nome da verdade, não se importando em criar aliados desde que sejam úteis para solucionar alguns mistérios. Se não fosse por ela, talvez Becca tivesse sido esquecida, seu assassinato teria sido arquivado e ninguém saberia o que realmente havia acontecido.

Porém outras peças não se encaixam, como a descrição do momento de luta pela vida de Becca. Em uma parte do livro ela narrada de uma forma e ao chegar próximo ao final o autor mostra algo muito diferente, mas não como se tivessem descoberto algo novo e sim por ser narrado diferente mesmo.

Mas o que mais me deixou confusa foi o assassino em si, que ao meu ver era óbvio desde o início. Não posso contar o que encontrei sobre ele nestas páginas, caso contrário soltaria um spoiler enorme, mas ainda não estou conformada.

A narrativa que se mostra ágil, e em poucos momentos fica lenta, me prendeu às páginas enquanto ansiava por respostas. A leitura fluiu de uma forma tão intensa que em poucas horas havia concluído a história, o problema é que toda essa intensidade foi se perdendo conforme tudo ficava previsível ou não se encaixava.

A trama possui algumas falhas, algumas pontas soltas, mas no geral foi bem escrita. Os personagens se conectam bem, a investigação da jornalista também é interessante, apesar de eu ter achado tudo muito fácil pra ela. É uma boa opção para quem gosta de histórias com um suspense policial, mas está em busca algo mais simples e nada cansativo






Sinopse: O narrador deste livro é nada menos do que um feto. Enclausurado na barriga da mãe, ele escuta os planos da progenitora para, em conluio com seu amante — que é também tio do bebê —, assassinar o marido. Apesar do eco evidente nas tragédias de Shakespeare, este livro de McEwan é uma joia do humor e da narrativa fantástica.
Autor(a): Ian McEwan | Editora: Companhia das Letras | Páginas: 200 | Ano de lançamento: 2016

O que você imaginaria de uma história que gira em torno de um plano para assassinar alguém, mas com um detalhe especial, o narrador é um bebê que ainda não nasceu. Isso mesmo, conhecemos a história a partir do ponto de vista de um ser que ainda está dentro da barriga de sua mãe.

Trudy é a mãe do narrador e se vê entre dois homens, de um lado seu marido que já não mora mais com ela e de outro o irmão deste, que por sinal é seu amante. Sim, existe uma espécie de triângulo nesta história, mas um pouco diferente do que estamos acostumados a encontrar nos livros. O relacionamento entre eles não exala amor, paixão e romance, são apenas adultos que se envolvem por motivações distintas.

John, o pai, não é tão inocente quanto você possa imaginar. Muito longe de ser ingênuo, ou uma pobre vítima de um casamento fracassado, o pai se mostra determinado ao informar à sua esposa e ao seu irmão que voltará para casa acompanhado de sua nova namorada, mas para isso Trudy deverá abandonar a residência do casal e ir morar com seu amante.

Claude, o tio, é o mais frio e calculista dos três. Seu envolvimento com a cunhada inclui sexo e planos de assassinato, mas nada de romance e sonhos de serem felizes para sempre, ao menos não notei nenhuma conexão entre eles que mostrasse algo mais profundo e com um sentimento puro. O desejo de eliminar John é evidente, constante e ocupa maior parte da conversa entre eles.

Agora que você já conhece o trio de adultos, vamos ao narrador desta história. O bebê, apesar de ainda não ter nascido, não é infantilizado nesta trama. A forma como ele conta tudo o que sabe, descrevendo diálogos e situações que percebe mesmo estando dentro da barriga de sua mãe, o torna um pouco mais maduro do que eu poderia imaginar. Constantemente a impressão que eu tinha era de que quem estava narrando já era adulto, com opiniões formadas e conhecimento sobre a vida.

A história é interessante, os personagens não são muito complexos e a ideia de ter um narrador que ouve tudo e não pode fazer nada é empolgante, porém não me senti tão envolvida quanto imaginava que ficaria. Criei expectativas enormes em relação a esta obra e por isso esperava um pouco mais. Acho que se o feto fosse um pouco mais ingênuo me sentir mais convencida, mas ele aparentava ser mais experiente e culto que eu.





Sinopse: Verdadeiro clássico moderno, concebido por um dos mais influentes escritores do século 20, "A Revolução dos Bichos" é uma fábula sobre o poder. Narra a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos. Progressivamente, porém, a revolução degenera numa tirania ainda mais opressiva que a dos humanos. Escrita em plena Segunda Guerra Mundial e publicada em 1945 depois de ter sido rejeitada por várias editoras, essa pequena narrativa causou desconforto ao satirizar ferozmente a ditadura stalinista numa época em que os soviéticos ainda eram aliados do Ocidente na luta contra o eixo nazifascista.

Autor(a): George Orwell | Editora: Companhia das letras | Páginas: 152 | Ano de lançamento: 2007


Na Granja do Solar os animais trabalham como escravos sem ter nenhuma recompensa além de uma alimentação, por vezes escassa. Enquanto o proprietário do local utilizava toda a produção dos animais a seu favor, seja para manter o sustento da família e de seus vícios ou somente para se alimentar. Um cenário comum aos olhos dos leitores, mas que estava prestes a sofrer grandes mudanças.

Os porcos, que eram reconhecidos como os mais inteligentes entre os animais da granja, reuniram os demais e propuseram uma revolução, que resultaria em algo parecido com o socialismo que conhecemos, onde não mais trabalhariam para satisfazer o seu dono, mas sim a si próprio, vivendo em harmonia e compartilhando os frutos do trabalho.



O homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o suficiente para alcançar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais. Põe-nos a trabalhar, dá-nos de volta o mínimo para evitar a inanição e fica com o restante. Nosso trabalho amanha o solo, nosso estrume o fertiliza e, no entanto, nenhum de nós possui mais do que a própria pele.

Unidos eles conseguem expulsar Jones, o dono da granja, e tudo parecia se encaminhar para uma vida melhor aos animais, com direito a aposentadoria para os que se tornassem velhos para o trabalho. 


Em toda organização é necessária a existência de um líder, alguém que tenha a capacidade de comandar a grande massa, senão há tumulto. Na granja o poder ficou sob posse dos porcos, que instituíram "leis" que deveriam ser obedecida por todos.
1. Qualquer coisa que ande sobre duas pernas é inimigo.
2. Qualquer coisa que ande sobre quatro pernas, ou tenha asas, é amigo.
3. Nenhum animal usará roupas.
4. Nenhum animal dormirá em cama.
5. Nenhum animal beberá álcool.
6. Nenhum animal matará outro animal.
7. Todos os animais são iguais.

A cada passagem fica ainda mais clara a semelhança com a realidade. A criação de leis para por ordem mesmo tendo animais que não as entendiam, mas acatavam por acreditar que se o "líder" dizia ele deveria estar certo e nada era contestado. A disputa de poder entre os porcos foi digna de aplausos, visto que assim que o outro porco, Napoleão, tomou posse da granja começou a denegrir a imagem do antigo líder, o culpando por tudo de ruim que por ventura acontecesse à eles.

Sempre que Napoleão demonstrava abuso de poder, de alguma forma eu acabava o comparando aos grandes líderes que causaram guerras. O tão sonhado socialismo ficou bonito apenas no papel, já que os animais passaram a trabalhar para sustentar os desejos do líder, que passou a alterar as leis da forma que melhor lhe convinha. Acho que agora você também está fazendo ligações da obra fictícia com muito do que vê nos jornais ou estudou nas aulas de história na escola.

4. Nenhum animal dormirá em cama com lençóis.
5. Nenhum animal beberá álcool em excesso.
6. Nenhum animal matará outro animal sem motivo.
7. Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros.

Este livro me fez refletir bastante e foi impossível não desenvolver comparações com o mundo em que vivemos. A evolução e interação dos personagens, que seriam apenas animais aos olhos humanos, é rica em críticas à nossa sociedade, reforçando a ideia de que o povo esquece, se acomoda e aceita por não se achar em condições de brigar.

Lógico que não contarei o final, mas se você já conseguiu acompanhar meu raciocínio, e fez as ligações necessárias, já deve estar imaginando alguns finais possíveis. Indico este livro a todos, pois retrata a realidade de uma forma simples e direta, o que muitas vezes nós, que não somos os cavalos ou ovelhas da granja, deixamos passar batido.

As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.




Sinopse: Ela é atriz, blogueira, bagunceira e está sempre na TV. Dona de um carisma sem igual, Estopinha Rossi é a vira-lata mais querida do Brasil!Com quase 3 milhões de seguidores no Facebook, é porta-voz dos cachorros e tem como missão ensinar aos adultos o que os cãezinhos querem de verdade: um lar quentinho, petiscos gostosos e, principalmente, o amor dos humanos.
E ela conseguiu tudo isso! Recolhida das ruas, foi adotada, devolvida por mau comportamento até encontrar uma família que a ama do jeito que ela é.
Com Alexandre Rossi, adestrador e especialista em comportamento animal, Estopinha ganhou voz e hoje dedica-se a mostrar ao mundo a importância da adoção animal e a felicidade que é ter um bichinho na família.
Conheça a história da It Dog Estopinha e todos os seus segredos, do tufinho ao rabico! Você certamente vai se apaixonar por essa vira-lata.
Autor(a): Alexandre Rossi | Editora: Planeta do Brasil | Páginas: 160 | Ano de lançamento: 2017

Talvez você já tenha visto a Estopinha em algum programa de TV acompanhado seu papai, Alexandre Rossi. Mas caso não lembre de tê-la visto antes, relaxe, esta é a oportunidade de conhecer essa tombinha linda.

O livro conta a história da Estopinha de uma forma leve, descontraída e com uma linguagem fácil, afinal, quem narra tudo é a própria cachorrinha com seu jeitinho divertido e amável.

Sua trajetória é inspiradora e comovente. Sabe aquele cachorrinho abandonado na rua, passando frio e fome? Ele pode lhe dar muito amor, pode ser seu companheiro fiel, seu amigo para todas as horas e lhe dar muitas alegrias, assim como faz a protagonista deste livro.


Conhecer melhor sua história, de sua família e o envolvimento deles com a causa dos animais, me deixou encantada e emocionada. É nítida a felicidade que eles compartilham. Mesmo quando a Estopinha apronta, seus pais humanos a repreendem, mas entendem sua motivação. Sabe por que? Porque eles a enxergam como um membro da família, que precisa de carinho, atenção, amor e disciplina, mas que nem por isso ela vai andar sempre na linha. Eles entendem que não é falta de amor é apenas uma dose de rebeldia e instinto, mas que para tudo tem jeito.


O livro conta com diversas imagens que ilustram muito bem todas as passagens, os ensinamentos, toda a simpatia que a Estopinha exala e alguns momentos de rebeldia natural de filha mais velha. Além de contar com dicas muito úteis e importantes aos papais de cachorrinhos.

Espero que você, que gosta de animais, leia esse livro e se apaixone tanto quanto eu. A narrativa desta cachorrinha me fez rir em diversos momentos e me ajudou a compreender algumas atitudes do meu pequeno Marvin terrorista.







Sinopse: Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus. Também não faz ideia que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e a mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e para além dela centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel, um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. 
Autor(a): John Boyne | Editora: Seguinte | Páginas: 320 | Ano de lançamento: 2017

Esta é a terceira vez que leio esta história e posso dizer, sem dúvida alguma, que a emoção que estas páginas carregam ainda me envolvem como se fosse a primeira leitura. John Boyne construiu uma história tão rica, com personagens tão puros que não consigo me aproximar de Bruno e Shmuel sem deixar que uma lágrima caia.

Para quem não conhece ainda, esta é uma história sobre o holocausto contada de uma forma mais infantil, para não dizer pura. Não espere encontrar homens lutando até a morte, ou corpos jogados pelo chão, mas sim duas crianças em lados opostos que nada entendem sobre o que está acontecendo.
Temos que procurar fazer o melhor de uma situação ruim.
Bruno tem nove anos, é curioso e sonha em ser explorador. Obrigado a deixar seus amigos para trás e se mudar para uma casa que detesta, por causa do trabalho de seu pai para o exército, ele busca meios de se divertir em um lugar onde não existem crianças, apenas adultos e os soldados de seu pai.
Nossa casa não é uma construção, ou uma rua, ou uma cidade, ou coisa alguma tão artificial quanto os tijolos e a argamassa. O lar é onde mora a família de alguém, não é mesmo?
Do outro lado da cerca existe Shmuel, um menino da mesma idade de Bruno, mas com seu futuro traçado e seu uniforme listrado sujo. Em meio a muitas pessoas com o mesmo destino, o menino não entende o motivo de estar preso com todos aqueles outros, mas aprende da pior forma como o ser humano pode ser cruel.
Bruno, às vezes há coisas na vida que temos de fazer e não temos escolha a respeito delas.
Em meio às explorações de Bruno este acaba conhecendo Shmuel. A amizade que une os dois é tão bonita, sem rivalidade e sem a imposição de raça pura que os adultos criaram. Apenas uma amizade sincera. Cada um de um lado, criando laços mesmo com uma cerca entre eles. Uma lição para quem desiste diante de obstáculos.
Não torne as coisas piores, pensando que dói mais do que você realmente está sentindo.

Esta nova edição em capa dura e repleta de ilustrações magníficas, deram um ar ainda mais emocionante à obra. Visualizar os meninos, o centro de concentração e os soldados com fisionomia cruel deram à esta história ainda mais veracidade. Não posso deixar de imaginar nos vários Bruno e Shmuel que existiram naquele período, quantas crianças tiveram suas inocências roubadas e seu futuro traçado por pessoas desconhecidas?

Sem dúvida alguma é uma obra que nos faz refletir e nos mostra que nossas ações possuem consequências, podendo cair sobre quem mais amamos.

Leia esta bela história de amizade, apaixone-se, envolva-se e deixe a emoção tomar conta.