Sinopse: Bri é uma jovem de dezesseis anos que sonha se tornar uma das maiores rappers de todos os tempos. Ou, pelo menos, ganhar sua primeira batalha. Filha de uma lenda do hip-hop underground que teve o sucesso interrompido pela morte prematura, Bri carrega o peso dessa herança.

Autor(a): Angie Thomas | Editora: Galera Record| Páginas: 378 | Ano: 2019

Nunca tive a oportunidade de contar pra vocês, mas fica aí um segredinho: sou o co-fundador da fanbase de Angie Thomas aqui no Brasil. Pra quem nos acompanha nos stories do instagram, isso não é novidade alguma. Pois bem, dessa vez falarei da história de Bri, uma aspirante a rapper.

Briana reside no Garden, um bairro periférico, com sua mãe e seu irmão. Possuindo apenas duas escolas no local, ela estuda onde tem uma concentração extrema de adolescentes brancos, o que já se torna um pequeno problema na mente da jovem, pelas questões de pertencimento e, os adolescentes que estudam no mesmo local e possuem a mesma etnia, são aqueles que residem no mesmo bairro.

A partir de um subsídio, tais jovens conseguem ingressar nesse colégio, onde o ensino é visto como melhor e exemplar, porém nem todos recebem os mesmos tratamentos que outros. Negros e latinos sofrem casos isolados de desconfianças raciais. Um dia, Bri é abordada por um dos seguranças na porta do colégio, que a joga no chão como se ela fosse um perigo, sendo a jovem taxada de marginal. A mesma se revolta e decide exteriorizar o que sentiu mediante comportamento da pessoa a qual deveria oferecê-la segurança.

“Ninguém quer dizer, mas se você tem a pele preta ou marrom, é mais provável que vá parar no radar deles, apesar de o próprio Long ser negro”

Escreve, então, uma letra que contra ataca, não só a atitude do inspetor, mas atitude de muitos policiais ou profissionais de segurança, que sempre agem da mesma maneira e sempre com as mesmas pessoas, pretas, que são marginalizadas a todo momento. Como uma grande sonhadora, Briana anseia em fazer sucesso e ter seu nome, positivamente, na boca do povo, quer realizar seu sonho de ser como o pai, porém ter seu sucesso próprio e não só por ser filha de um grande rapper. Depois de uma decepção tentando se lançar para o mundo, ela decide postar a música numa plataforma, música essa que se intitula ‘Na Hora da Virada’.

Angie faz uma construção incrível, desde os detalhes do local, até os personagens, com quem aprendo tantas coisas e me enxergo bastante, pelo simples fato dos personagens passarem pelas mesmas situações e terem as mesmas características que eu. Inclusive, neste livro tem um personagem que só faltou se chamar Fabio, de tanto que me enxerguei nele.

Esse trabalho que Thomas faz é lindo, pelo simples motivo de que também podemos protagonizar um livro, podemos representar coisas, também temos sonhos, problemas e podemos ter um felizes para sempre. Angie vem trazendo o que muitos jovens pretos sentiam falta, representatividade em histórias reais, que nos levam e nos deixam bem perto do nosso cotidiano. Somos sempre levados a outros lugares nas obras de Angie Thomas, nunca ficamos preso apenas à ideia inicial do livro somente. Sua obra possui bastante desdobramentos, fazendo com que discutamos sobre diversos assuntos que precisamos abordar.

Na Hora da Virada é leitura obrigatória a todos. Inclusive para você que está querendo saber como agir como antirracista, lendo e aprendendo com esse livro algumas atitudes que nos machucam, pois somos tipificados de diversas maneiras.

 

Sinopse: Bem-vindo a Qualityland, a nação mais poderosa e desenvolvida do planeta. Tudo em Qualityland é pensado de maneira a otimizar a sua vida. Um sistema identifica seu parceiro ideal, vermes-androides em sua orelha dizem o melhor caminho a tomar no seu dia a dia, drones já sabem, só pela sua cara, que você precisa de uma cervejinha bem gelada no fim de um dia de trabalho exaustivo. Humanos, robôs e algoritmos aparentemente convivem muito bem, e tudo gira em torno do mundo corporativo, hierárquico e do dinheiro. 

Autor(a): Marc Uwe Kling | Editora: Tusquets| Páginas: 352 | Ano: 2020

Marc Uwe Kling nos apresenta uma ficção onde podemos encontrar algumas inspirações que já ouvimos por alguém, assistimos de relance ou, até mesmo, tivemos uma experiência que pode nos remeter enquanto a leitura é realizada. O autor utiliza elementos de uma obra clássica, 1984.

Peter Desempregado, — você pode estar achando estranho ou engraçado, dependendo do seu nível de humor. Mas os nomes são definidos de acordo com a profissão dos pais. Sendo que, menino herda o sobrenome da profissão do pai e menina da mãe — dono de uma loja de sucatas, tenta se reerguer numa sociedade definida por níveis.

Tais níveis explicitam aqueles que possuem mais direitos que outros. Aqueles que possuem baixo nível, tem menos direito ou acesso. Já os que possuem maiores níveis, receberam uma educação melhor, param o transporte público que desejam embarcar e, ainda, tem preferência nas filas.

Temos oportunidade também de conhecer John Of Us, um androide que é designado a concorrer às eleições de Qualityland. Não seria essa a melhor opção de comandante, já que não seria uma caricatura passível de erros, por não se tratar de um humano?

Marc-Uwe consegue unir elementos atuais, futuro distópico totalmente criativo e uma narrativa que nos prende do início ao fim. o conjunto desses elementos faz com que o livro fique perfeito, mesmo que sendo preocupante em alguns momentos, por medo de podermos estar desenvolvendo uma sociedade como Qualityland, pelo autor ter utilizado muitos elementos da sociedade atual.

Além de toda trama ser incrível, uma das coisas que mais me fez adorar esse livro, foi a interação que ele me propôs durante a leitura, de pequenos excertos. Seja de trechos de jornais, verbetes, entre outras coisas mais, dinamizando totalmente a minha leitura.

Qualityland foi um dos livros que me deixou surpreso ao fim da leitura, por parecer mais uma distopia chata, que emplacaria nos cinemas e seria sucesso de bilheteria por ser mais do mesmo, porém tive uma experiência totalmente agradável com o livro. Ansioso demais para conferir o filme e torcendo para que seja na mesma intensidade da obra.




Sinopse: Aria Watson era considerada invisível na escola, mesmo com todo seu talento para arte; em casa era uma boa filha e irmã. Mas tudo mudou quando ela anunciou, aos 16 anos, que estava grávida. E a notícia caiu como uma bomba. Agora ela está aterrorizada e se sentindo mais sozinha do que nunca. Levi Myers mudou-se para Wisconsin para ficar com o pai, que não via desde os 11 anos. Ele precisava se afastar um pouco da mãe e passar um ano com o pai parecia uma boa ideia, mas agora Levi não tem mais certeza.

Autor(a): Brittainy C. Cherry | Editora: Galera Record| Páginas: 314 | Ano: 2018

Ambos adolescentes despedaçados e cheio de cicatrizes, acabam por se esbarrar e, assim, nasce uma amizade onde um encontrará no outro alguma solução. Nas manhãs no bosque, quando tentam alimentar cervos, ou até esperando o ônibus para escola, acabam compartilhando medos e incertezas. Levi fica dividido entre ficar com o pai ou a mãe e Aria precisa decidir o futuro de seu bebê. Assim, mesmo que silenciosamente, ambos se apoiam e se dão forças.

Diferente de todo os romances que Brittainy já escreveu, neste seus protagonistas são bem jovens, onde ainda estão no colegial e enfrentando as conturbadas situações que a vida lhes proporciona. Visto que seus livros são sempre protagonizados por adultos, confesso que me surpreendi com essa nova experiência, onde fiquei me perguntando a todo instante antes de iniciar se ela não deveria alterar o estilo de escrita por se tratar de personagens mais novos.

A resposta foi não, o estilo de Brittainy continua o mesmo, sempre com as mesma sensibilidade que tem de tratar acerca de alguns assuntos que são necessários a conversa e atenção, sempre nos atentando e ensinando, ainda que de forma superficial- porém nem tanto-, a como lidar com algumas situações na vida. Mesmo sendo adolescentes, a autora nos mostra que alguns precisam enfrentar batalhas complexas na vida.

“Havia um desenho horrível que imagino que fosse eu comendo bolo ou algo do tipo. Ele desenhava tão mal quanto eu tocava bateria. Felizmente, assim, nós tínhamos um equilíbrio”.

Aria adorava se expressar através da sua arte, preferindo as abstratas, tendo uma personalidade introspectiva, de pouco sorriso. Já Levi, se expressava mais através da sua alma, com a música, sendo o violino sua melhor companhia. Ambos têm comportamentos e gostos adolescentes, mas a todo instante me peguei pensando: isso não é uma atitude fora do normal para alguém nessa idade? A resposta até pode ser positiva, mas conseguimos enxergar que Brittainy não normaliza tais atitudes, fazendo com que enxerguemos o problema e a essência que nos alcança.

Em momento algum o livro fica massante, pelo contrário, nos consome e somos arrastados, de forma bem positiva, até o final para descobrirmos qual será a decisão de tais personagens perante de todo e qualquer problema relâmpago. Clamei muitas vezes para que Cherry viesse me auxiliar nas decisões.

Mesmo que, muitas vezes, somos obrigados a ficar pensando que a ficção não pode ser pega para espelharmos na vida real, Brittainy nos mostra que se encaixa perfeitamente e pode nos ajudar sim em algumas situações. Sendo um livro bem escrito, com uma escrita bem fechada e com personagens apaixonantes e cativantes, que nos leva à paixão imediata.

Arte e Alma deve ser lido por todos que querem encontrar esperança e se apaixonar por personagens reais, fazendo com que enxerguemos uma esperança e tenhamos mais otimismo e sejamos mais abertos àquilo que a vida está disposta a nos oferecer.



 

Sinopse: Quando Elsie perdeu o marido apenas algumas semanas após o casamento, achou que já tinha sofrido o suficiente para uma vida inteira. Praticamente sozinha em uma casa enorme e isolada, ela jamais imaginou que os companheiros silenciosos — painéis de madeira que imitavam pessoas em atividades cotidianas —, um dia, seguiriam seus movimentos com os olhinhos pintados. Muito menos que eles apareceriam por conta própria em cômodos aleatórios…


Autor(a): Laura Purcell | Editora: Darkside Books | Páginas: 288 | Ano: 2020

    Elsie cresceu em uma família não tão amorosa, mas teve muita sorte ao encontrar seu grande amor em um homem de boa família, com propriedades e dinheiro suficiente para lhe garantir todo conforto e proteção que ela sequer imaginava um dia ter, contudo algo abala gravemente seus sonhos, Rupert, seu marido, acaba falecendo durante a visita a uma antiga propriedade de família, agora Elsie, grávida e viúva, precisará lidar com seus pesadelos do passado e encarar os novos que o futuro lhe reserva.

    Sarah, única parente viva de Rupert, passa a fazer companhia para a pobre jovem viúva, ambas passam a residir na mansão antiga da família, local repleto de histórias e mortes que assombram os moradores da cidade.

    A história assume uma atmosfera sombria e é possível em certos momentos compreender o frio que invade os ambientes, algo que ultrapassa uma simples queda de temperatura proveniente do inverno e facilita o entendimento da sensação de arrepio, medo e insegurança que assombra a protagonista desta história.

    Elsie, em uma de suas caminhadas para conhecer melhor a casa, encontra uma porta trancada, sua curiosidade e teimosia a fazem insistir para adentrar no cômodo.

    Ok, você que está acostumado com histórias sombrias e filmes de terror já deve estar imaginando que seria melhor ela não abrir esta porta, você está certo! Apesar desta leve obviedade, a história se mostra envolvente ao ponto do leitor ser capaz de ignorar alguns detalhes um tanto quanto previsíveis e se dedicar a acompanhar a trama bem desenvolvida.

    Sarah e Elsie aos poucos vão conhecendo a história da família e o que realmente aconteceu naquela casa através do diário de uma antiga dona que relata sua vida naquele lugar, incluindo sua afeição inicial pelos companheiros silenciosos, figuras em madeira que representavam fielmente a imagem de um ser humano.

Fonte: nationaltrust.org.uk

    Tais companheiros são encontrados pelas jovens damas que decidem colocá-los na sala em constante evidência. As peças parecem pessoas reais e de certo modo passam a impressão de estarem vivos.

    Diversos acontecimentos estranhos acontecem desde a descoberta destes companheiros, mas seriam eles causadores de tanto transtorno ou seria apenas alucinação causada por diversos traumas vividos por Elsie? Estaria ela, no hospício, contando sua verdadeira história ou disfarçando suas dores?

    Uma história que mescla terror psicológico, com práticas de bruxaria e um suspense intenso de tirar o fôlego. 

    Aos interessados por histórias com mortes violentas, mas descritas na medida certa, com personagens capazes de instigar a dúvida no leitor e fazê-lo imaginar a verdade escondida entre as páginas, esta é uma ótima opção de leitura.



Sinopse: Em 1985, Anthony Ray Hinton foi preso sob duas acusações de assassinato no estado do Alabama, sul dos Estados Unidos. Atordoado, confuso e com apenas 29 anos de idade, Hinton sabia que se tratava de um erro de identidade e acreditava que a verdade provaria sua inocência, acabando por libertá-lo rapidamente.Mas sem nenhum dinheiro e sujeito a um sistema de justiça que operava de maneira diferente para um homem negro e pobre do Sul, Hinton foi condenado à cadeira elétrica. À medida que compreendia e aceitava o próprio destino, ele decidiu não apenas sobreviver, mas também encontrar uma maneira de viver no corredor da morte, tornando-se luz na escuridão – para si mesmo e para seus colegas detentos.
Autor(a): Anthony Ray Hinton | Editora: Vestígio | Páginas: 320 | Ano: 2019

Tudo começou em 1985, eu nem era nascida ainda, mas mesmo assim a história se manteve muito atual. Ray era um jovem preto, pobre, com poucas oportunidades na vida, mas muito amado por sua mãe. Apesar das dificuldades que a vida lhe apresentou, se esforçou para se manter de cabeça erguida, porém cansado de trabalhar tanto e nunca conseguir adquirir algo pra chamar de seu, acabou tendo um deslize, se arrependeu e pagou por isso.

O que Ray não poderia imaginar era que mesmo tendo decidido voltar a ser aquele filho do qual sua mãe se orgulhava, trabalhando em escalas noturas exaustivas, ele seria apontado como responsável por cometer assassinato.


"Meu único crime era ter nascido negro, ou ter nascido negro no Alabama. Para onde eu olhasse no tribunal, via rostos brancos - um mar de rostos brancos."

As provas o inocentavam, mas a sua cor foi usada como motivação para condená-lo. Mesmo declarando insistentemente sua inocência, sua voz não foi ouvida, seu álibi não foi considerado e seu advogado branco não demonstrou interesse em realmente lutar pela absolvição de seu cliente.

A sentença foi dura e clara. Anthony Ray Hinton caminharia rumo à cadeira elétrica, sua vida seria encurtada e sua morte serviria como pagamento por um crime que ele não havia cometido. Como as pessoas que o julgaram conseguiriam dormir tranquilas sabendo que um inocente teria sua vida ceifada? Infelizmente a vida de Ray não parecia valer muito diante do júri branco.


"Eu não estou preocupado com aquela cadeira elétrica. Você pode me sentenciar a ela, mas não pode tirar minha vida. Ela não lhe pertence. Eu não pertenço a você. Você não pode pôr as mãos na minha alma."

O protagonista desta história relata seus dias de angustia, medo, incerteza, vergonha e esperança. Sim, no meio de todo o turbilhão em que foi inserido, ele sonhava com o dia que conseguiria provar sua inocência e que voltaria a poder abraçar sua mãe.

A justiça não foi justa para Ray. Anos se passaram, diversas apelações foram feitas, muitos prazos foram cobrados e mesmo assim a corte não se mostrava disposta a dar a ele mais uma chance. Hinton não queria acordo, nem redução de pena, não aceitaria nada menos do que o reconhecimento de que a justiça falhara com ele.


"Na realidade, eu acho que não foi você. Mas não importa. Se não foi você, foi um dos seus irmãos. E você vai levar a culpa."

Este não é um livro grosso, porém é pesado. Carrega a história de um homem que passou três décadas preso, tendo que conviver com a injustiça por causa de sua cor. Uma leitura capaz de despertar o senso de justiça do leitor, a empatia pelo próximo e a vergonha pela sociedade em que vivemos e com o nosso silêncio diante do racismo.

Eu queria falar muito mais sobre esse livro, ele me prendeu de tal forma que não percebi o tempo passar. Me vi imersa no sofrimento de Ray e a cada página eu ansiava para que o sofrimento dele fosse cessado.


"Você precisa saber que é responsável pela maneira como trata os outros, mas não é responsável pela maneira como os outros tratam você."

Por favor, leia este livro. Eu entendo que talvez não seja uma leitura fácil e que nos tira da nossa zona de conforto, mas LEIA! 

Leia pela sociedade, pelos nossos filhos, leia pela necessidade de mudança. Mesmo tantos anos após a prisão de Ray, temos muitos como ele passando pela mesma situação.






Sinopse: Veronica Clarke nunca foi reprovada num teste e nunca desejou isso. Até agora... Aluna exemplar, aos 17 anos, ela parece ter uma vida perfeita: um namorado apaixonado, pais que se orgulham dela e uma vaga na universidade dos seus sonhos. Mas, pela primeira vez, um resultado de positivo não lhe parece algo bom.


Autor(a): Jenni Hendriks e Ted Caplan | Editora: Faro Editorial| Páginas: 254 | Ano: 2020

Sendo uma menina estimada, Veronica tem uma vida perfeita e invejável, tendo um grupo de três amigas, que sonham em ter a boa fama da menina, porém, após um teste cujo desejo foi que não desse positivo, Veronica descobre uma gravidez, fica totalmente abalada e não sabe o que fazer ao se deparar com o resultado.

Após tentar se conformar e ter de encarar, como no dito popular: “nada está tão ruim que não possa piorar”, porém piora. Veronica deixa seu teste cair para fora da cabine do banheiro da escola, mas não esperava que alguém pudesse entrar neste exato momento e se deparasse com o objeto no chão e essa pessoa não era ninguém menos que Bailey Butler, sua ex melhor amiga há anos.

Por ser a Garota Exemplar, Clarke não gostaria de enfrentar julgamentos, ainda mais por questões familiares, então decide realizar um aborto. Não tendo com quem contar, ela implora para que sua ex melhor amiga a acompanhe, pois ela é a única que restou que poderia se compadecer com a situação. Já tendo toda rota, metas e tudo que fosse necessário, só faltavam colocar o pé na estrada.

A construção do livro foi boa e agradável, mas algumas coisas acabam ficando repetitivas, quem é ansioso e adora saber as coisas rápido, entenderá. Acabamos ficando um pouco cansado das trapalhadas existentes, por mais que sejam engraçadas, algumas loucuras não tem muita explicação. Mesmo assim, a construção dos personagens é ótima e não fica nenhuma ponta solta.

Achei o final do livro um pouco fraco, os autores poderiam ter investido num final melhor, pois o rumo da história não era levado para como tudo foi resolvido, então achei até um pouco forçado, poderia ter tido uma outra construção, pois não tem um ar de fim. Podemos dizer que a história poderia ter sido continuada para que outro final fosse construído.

Por mais que a proposta do livro seja cômica, as ações construídas nos faz pensar acerca de questões enfrentadas pela protagonista, sendo a principal delas o direito das mulheres perante o próprio corpo, porém há abordagens também em outros assuntos, como sexualidade, religião e relacionamento abusivo. Mesmo tendo uma trama leve, a trama nos leva a pensamentos sérios e que ainda precisamos muito conversar.

Desgrávida” é um livro leve, engraçado e típico filme que passará na sessão da tarde, apresentando uma história que nos entusiasma e ficamos sempre ansioso para saber o que acontecerá. 

A edição deste livro está incrível, contando com o título em alto relevo, com acabamento áspero. A contracapa também tem um capricho enorme. 


Sinopse: Em meio a amigos e filhotinhos de seu pet shop, Willa Davis leva uma vida de enorme realização profissional. Mas falta algo: a seção de sua vida “relacionamentos amorosos” anda paralisada. E nada parece estar a caminho para mudar esse destino.Keane também anda desiludido depois de muitos desencontros. Mas após receber a tarefa de cuidar da temperamental gata de sua tia-avó, ele procura uma especialista no assunto, e o destino joga suas cartas. Ele não faz a mínima ideia de quem seja a proprietária da loja de animais, mas Willa sabe exatamente quem ele é… Alguém que no passado já partiu seu coração.

Autor(a): Jill Shalvis | Editora: Faro Editorial | Páginas: 304 | Ano: 2019

Há um tempo tenho tentado sair da minha zona de conforto no que diz respeito aos livros. Quem acompanha o Confraria deve ter percebido que sou do time do suspense e terror, enquanto o Fabio vai mais pro lado do romance. Esta história surgiu na hora certa.


Willa é aquele tipo de mulher que está bem resolvida com alguns detalhes sobre sua vida, mesmo que isso signifique que o lado amoroso não ande lá grande coisa. Seu envolvimento com o trabalho a satisfaz e o fato de estar rodeada por ótimos amigos lhe garante momentos de alegria. 

Seu trabalho no Pet Shop a faz retomar contato com alguém de seu passado, Keane. Apesar de Willa lembrar muito bem deste homem que em algum momento a desprezou, o mocinho que arrasa corações não tem esta recordação tão viva em sua memória.


"- Por que você não quer gostar de mim?

- Quê? - Ela disse, com expressão de espanto.

- Você me ouviu. Tem alguma coisa que eu não sei, alguma coisa muito importante."


Não é tão difícil imaginar como a aproximação entre eles ocorre, nem mesmo sobre a evolução divertida e envolvente que esta trama trará ao leitor ao introduzir amigos interessantes e que se encaixam bem na história. Ouso dizer que encontrei nas páginas deste livro uma boa dose de romance clichê, bem ao estilo daqueles filmes de Sessão da Tarde, gostosinhos de assistir em um dia chuvoso, mas que não deixam aquela grande marca em nossas vidas.


“Keane a fitava intensamente e fixamente com seus olhos negros. Deus, ela adorava isso. Ela se sentia à deriva, correndo risco de perder a noção das coisas, mas ele estava ali. E o simples ato de olhar para Keane a acalmava.”


Apesar de não haver tantos elementos que causem surpresa no leitor, posso dizer que a forma como a narrativa foi construída vale a leitura, pois proporciona momentos de leveza e diversão a quem se permitir conhecer este casal tão diferente e ao mesmo tempo tão igual.

Não vou me aprofundar na história, pois por ter visto nela elementos previsíveis receio em acabar compartilhando spoilers por aqui. Só posso reforçar a ideia de que este livro aquece o coração e coloca um belo sorriso no rosto, ao menos eu consegui me sentir assim ao acompanhar a trajetória não apenas dos mocinhos da história, mas dos personagens ao redor do casal que contribuiram para que eu não me sentisse desconfortável ao sair da minha bolha de leitura.


Sinopse: A universitária Darby Thorne já tinha problemas demais. Sem sinal de celular e com pouca bateria, ela precisava dirigir em meio a uma nevasca para visitar sua mãe que fora internada às pressas e poderia morrer, mas o mau tempo a obriga a fazer uma parada. Num estacionamento no meio do nada, Darby se depara com uma criança presa e amordaçada dentro de uma van. Aterrorizada, ela precisa manter a calma. Mais que descobrir quem é o proprietário do veículo, é fundamental escolher quem, dos quatro desconhecidos no local, pode ser um aliado para ajudar no resgate. O desafio são as consequências: isolados pela neve, qualquer deslize pode ser fatal. É preciso resistir até o amanhecer, mas o perigo aumenta e cada minuto pode ser o último.
Autor(a): Taylor Adams | Editora: Faro Editorial | Páginas: 272 | Ano: 2019

Darby e sua mãe possuem um relacionamento um tanto quanto conturbado, alguns atritos a afastaram por diversas vezes, algo que podemos considerar normal, afinal famílias perfeitas costumam ficar apenas nos comerciais de TV. Em meio aos seus problemas, Darby descobre algo que a abala e lhe faz correr ao encontro de sua mãe, ao menos seu objetivo é este, ir encontrá-la ainda com vida no hospital.

Em meio a uma nevasca a protagonista se vê presa, sem sinal de telefone e sem condições de ir adiante com seu carro. Muito frio, pouca visibilidade e o medo transportam Darby para um refúgio, um local no meio do caminho onde é possível se esquentar e aguardar em segurança.

Outras pessoas estão passando por dificuldades semelhantes à de Darby em relação à tempestade que domina o lado de fora do refúgio, porém uma boa conversa não seria suficiente para resolver seus problemas, ela teria que encontrar meios de fazer contato com sua mãe. 

Ao caminhar em busca de sinal para o telefone a personagem nota algo estranho em um dos carros estacionados próximo ao local onde se encontra. Ao que tudo indica há uma pequena menina presa, sem identificação e sem qualquer sinal de um responsável por perto. De quem seria aquele carro? Algum dos seus companheiros de refúgio poderia ser um criminoso?

Até este momento confesso que senti a narrativa um pouco lenta, dando rodeios e explorando alguns detalhes que não me pareciam tão relevantes, contudo devo admitir que a inserção da criança misteriosa deu um gás à história.

Darby precisa escolher bem o próximo passo, pois não conhece as pessoas que estão no refúgio com ela, tão pouco faz ideia de onde teria vindo aquela menina assustada e presa, mas algo era certo, ela não poderia seguir seu caminho deixando a criança para trás. Há algo muito ruim acontecendo e ela não poderá ignorar isso.

Os capítulos são divididos em forma de hora, assim fica fácil compreender o tempo transcorrido entre os principais fatos, mas não vou mentir, a partir de um determinado momento eu já nem reparava mais no horário, só queria devorar as páginas e conseguir acompanhar o desfecho desta trama.

A protagonista, que inicialmente eu via como uma estudante qualquer, ganhou uma nova identidade ao desafiar seus medos e seguir seus instintos na busca pela verdade. Sua determinação em desvendar o ocorrido e garantir que aquela criança tivesse o menor dando possível diante da situação me fez vê-la como uma mulher forte e intensa.

Esta história é daquelas que a todo instante insere algo novo para movimentar a trama, desde pequenos obstáculos até grandes descobertas. Sobre o final obviamente não posso falar muito, mas ele foi tão intenso e surpreendente quanto o resto da trama.



Sinopse: Uma história de otimismo ambientada no Mississippi em 1962, durante a gestação do movimento dos direitos civis nos EUA.Eugenia Skeeter Phelan acabou de se graduar na faculdade e está ansiosa para tornar-se escritora, mas encontra a resistência da mãe, que quer vê-la casada. Porém, o único emprego que consegue é como colunista de dicas domésticas do jornal local. É assim que ela se aproxima de Aibellen, a empregada de uma de suas amigas. Em contanto com ela, Skeeter começa a se lembrar da negra que a criou e, aconselhada a escrever sobre o que a incomoda, tem uma ideia perigosa: escrever um livro em que empregadas domésticas negras relatam o seu relacionamento com patroas brancas.
Autor(a): Kathryn Stockett | Editora: Betrand Brasil | Páginas: 574 | Ano: 2011

Muito já se leu sobre as damas da sociedade, as princesas dos contos de fadas e as delicadas moças em busca de um par perfeito, mas e sobre as empregadas? Alguém já pensou em escrever um livro contando o outro lado com aquelas personagens que não passam o dia no salão de beleza, nem mesmo estão rodeadas por cuidado? Skeeter, uma jovem privilegiada, recém formada e criada por uma empregada preta, decide dar voz à parcela da sociedade que é silenciada.

"Se alguma mulher branca ler a minha historia, é isso que quero que elas saibam. Dizer obrigada quando é de coração, quando você lembra o que alguém fez por você - ela balança a cabeça e olha para baixo, para a mesa riscada -, é muito bom."

O ano é 1962 e o risco em falar sobre igualdade racial é enorme. Skeeter sabe que está indo por um caminho sem volta, mas ela nunca foi igual as suas amigas. Mesmo tendo sido criada sob os moldes da sociedade da época a jovem tem traços revolucionários. Nada de sonhar com marido, mesmo que se apaixone. Pensar em ficar na casa dos pais até se casar? Nada disso, o plano é ir pra uma cidade movimentada e se tornar uma brilhante escritora, mas como chamar atenção das editoras? Uma boa opção seria escrever um livro contando histórias onde as empregadas relatariam como era trabalhar para famílias brancas tradicionais.


"É sempre mais assustador quando uma pessoa acostumada a gritar fala baixo."


Mas não se engane, o foco não é a carreira promissora da jovem personagem, tão pouco será explorada sua veia revolucionária. Este livro lhe mostrará muito mais, trará para o protagonismo as empregadas e suas histórias tristes, alegres, de sofrimento, de perda e de apego.


Aibellen já trabalhou para muitas famílias, se considera uma ótima babá, então quando ela acredita que as crianças brancas que cria já estão prontas para seguirem sem ela significa que é hora de encontrar outra jovem mãe que não tem muito jeito com criança. 


Criar os filhos dos outros é algo comum entre estas empregadas, suas histórias contam que seus próprios filhos foram deixados de lado devido a necessidade. As crianças brancas tinham toda atenção, enquanto seus filhos aprendiam desde cedo como o mundo os obrigava a ser forte.


"Muitas mulheres de cor precisam dar os filhos, dona Skeetet. Mandar os filhos embora, porque precisam cuidar de uma família branca."

Enquanto Aibe é mais tranquila, apesar de decidida, Minny é mais rebelde, não leva desaforo pra casa e isso a fez ser demitida diversas vezes. Meu amor por esta mulher é sem medidas, sua garra, sua forma de ver a vida e sua evolução neste livro me conquistaram de uma forma que não consigo descrever, mas se você estivesse me vendo neste momento notaria um sorriso em meu rosto enquanto me lembro desta personagem tão marcante, intensa e divertida.


Outras empregadas pretas ganham voz neste livro, algumas um pouco mais tímidas e receosas, outras mais ao estilo furacão que deixam marcas por onde passam.


"Louvenia me conta que seu neto, Robert, foi cegado no início deste ano por um homem branco, porque usou um banheiro de brancos."

Relatos de abuso, violência, perdas e dor são frequentes neste livro, contudo a forma como tudo é conduzido traz uma certa leveza à narrativa. Não digo que a dor destas mulheres é menosprezada, tão pouco que o racismo seja romantizado, nada disso, o livro coloca o dedo na ferida mesmo, mas estas mulheres tão fortes também possuem uma vida fora da casa dos patrões, se encontram na igreja, conversam sobre assuntos diversos e até se sentem motivadas para efetuarem mudanças.








Extra:
O filme Histórias Cruzadas foi baseado na história deste livro. Normalmente adaptações não me parecem dignas da história original, contudo neste caso é diferente. A atuação de Viola Davis e Octavia Spencer, estão ótimas como Aibelleen e Minny.



Viola e Octavia foram indicadas a prêmios importantes como Óscar e Globo de ouro, sendo a segunda premiada em ambos como melhor atriz coadjuvante.




Sinopse: Bem-vindo ao mundo único de Doggerland! Uma nação formada por grande extensão de terras, hoje, a maior parte submersas, das quais restaram apenas três ilhas, localizada em algum lugar entre o Reino Unido e os países nórdicos. É lá que Maria Adolfsson cria o cenário perfeito para uma história arrebatadora.Na manhã seguinte ao grande festival das ilhas de Doggerland, norte da Escandinávia, a detetive Karen Hornby acorda em um quarto de hotel com uma ressaca gigantesca, mas não maior que os arrependimentos da noite anterior. Na mesma manhã, uma mulher foi encontrada morta, quase desfigurada, em outra parte da ilha. As notícias daquele crime abalam a comunidade. Karen é encarregada do caso, algo complexo pelo fato de a vítima ser ex-esposa de seu chefe. O homem com quem Karen acordou no quarto de hotel... Ela era o seu álibi. Mas não podia contar a ninguém. Karen começa a seguir as pistas, que vão desenrolando um novelo de segredos há muito tempo enterrados. Talvez aquele evento tenha origem na década de 1970... Talvez o seu desfecho esteja relacionado a um telefonema estranho, naquela primavera. Ainda assim, Karen não encontra um motivo para o assassinato. Mas, enquanto investiga a história das ilhas, descobre que as camadas de mistérios daquelas terras submersas são mais profundas do que se imagina.
Autor(a): Maria Adolfsson | Editora: Faro Editorial | Páginas: 368 | Ano: 2020

Karen teve uma noite um tanto quanto animada, uma dose a mais de álcool com seus colegas de trabalho culminou em uma manhã que ela preferia esquecer. A investigadora acorda na mesma cama que seu chefe, Jounas Smeed, mas a vergonha e o arrependimento a fazem fugir do quarto antes que ele acorde. Tudo o que ela não precisa é de uma conversa sobre o ocorrido.

Pronta para se recuperar da ressaca da noite anterior, Karen acaba sendo chamada às pressas para ocupar o papel de chefe em uma investigação. Confusa, afinal acabou de deixar seu superior adormecido em uma cama de hotel, acaba descobrindo a causa desta mudança brusca de comando, a vítima é ninguém menos que a ex-esposa de Smeed.

Um assassinato brutal e com poucas pistas a mostra, o processo de descoberta não será tão simples e é possível que Karen precise ir além do que imagina para obter as informações necessárias. 

Conforme as respostas vão aparecendo é possível tentar encaixá-las junto com a investigadora, mas não se engane, pois há muito a ser explorado nas páginas deste livro e o leitor será remetido há outros momentos importantes que antecederam o assassinato. Não se espante caso precise retornar algumas décadas para encontrar todas as peças deste quebra cabeças, as ilhas de Doggerland têm muitos mistérios a serem revelados.

Eis uma história repleta de investigação e que tende a deixar o leitor imerso em busca de respostas junto com a protagonista, contudo considero importante frisar que por alguns momentos a leitura desta obra me pareceu um pouco lenta, explorando detalhes da ambientação e fazendo com que eu me afastasse um pouco da tensão exposta pela trama.

Sou apaixonada pelo gênero policial, mas admito que ando pendendo mais pro lado das histórias ágeis e com menos detalhes da ambientação local, apenas por este motivo acabei não me prendendo tanto a esta trama, mas não se deixe levar pela minha preferência literária, principalmente se você não se importa em passar por momentos de lentidão em troca de informação útil para caracterização.