Sinopse: Um serial killer com poderes paranormais está assassinando evangelistas famosos — e os vídeos de cada um deles sendo torturados ganham cada vez mais público na internet. O assassino se proclama o novo messias, e os pecadores devem temer sua justiça. O que a Sociedade de São Tomé teme, no entanto, é que ele acabe com o trabalho de séculos de manter o sobrenatural bem afastado da consciência da população, embora seres mágicos povoem o submundo da cidade.Para garantir que o assassino seja capturado e o máximo de discrição mantida, a Sociedade convoca Judas Cipriano — um padre indisciplinado, descendente de são Cipriano e herdeiro de alguns poderes celestiais. Veterano nesse tipo de caso, o padre é enviado para trabalhar como consultor da Polícia Civil e fica responsável por apresentar à jovem inspetora Júlia Abdemi o lado místico da cidade.Para resolver o caso — e sobreviver —, os dois precisarão de toda ajuda que puderem encontrar... O que inclui se unir a uma súcubo imortal, um dragão chinês traficante de armas mágicas e um gárgula que é a síntese da sociedade carioca.
Autor(a): Gabriel Tennyson | Editora: Suma | Páginas: 300 | Ano: 2018

Posterguei um pouco a leitura deste livro, pois nunca achava o momento certo para lê-lo. Imaginava que se tratava apenas de mais uma fantasia sobrenatural dentre tantas outras, com anjos caídos e santos, mas tive uma grata surpresa quando decidi me render.


Judas Cipriano é uma pessoa única, de personalidade forte, sarcástica, divertida, homossexual e padre. Isso mesmo, ele rompe as convenções e assume sua sexualidade, usa seu humor negro como comediante e ainda tira tempo para combater entidades do mal.


"A Sociedade de São Tomé, agência da qual Cipriano fazia parte, era uma versão moderna a Inquisição e mantinha a pureza de seu propósito: impedir que as criaturas da noite se proliferasse para além do tolerável."

Há um serial killer solto pela cidade, mas apesar da crueldade com que tira a vida de suas vítimas o que mais intriga o padre e a polícia é a dificuldade de compreender como tais assassinatos acontecem e suas motivações.

Pense bem, se você soubesse que um homem teve sua tortura exposta na ao vivo na internet, mas os policiais ao chegarem no local do crime não encontram qualquer possibilidade de que o assassino tenha estado ali, isso não lhe intrigaria? Como ele teria saído se estava tudo trancado pelo lado de dentro?


" - Segundo a Igreja, a humanidade compartilha esse mundo com... coisas. Lendas sobre vampiros, demônios e criaturas similares não são fundamentadas em superstições. O mito sempre se inicia a partir de uma verdade, mesmo que uma verdade distorcida."

Este é apenas um pequeno mistério dentre tantos outros que surgirão no decorrer desta narrativa ágil, descomplicada e que apesar do peso que carrega se mostra divertida e interessante.

Cipriano tem alguns dons fora do comum, carrega em seu sangue o que alguns chamariam de dádiva e outros de maldição e que em alguns momentos nem ele sabe definir. Unindo sua capacidade de comunicação com seres sobrenaturais e de outras dimensões, com sua sagacidade investigativa, ele acaba compondo a equipe de trabalho que busca prender tal serial killer.

Mas ele não está sozinho, Júlia é uma inspetora inteligente, sagaz e que possui um dom que ainda não foi capaz de compreender. Há mais a ser revelado sobre seus antepassados do que ela é capaz de imaginar.

Mesclando elementos de diversas religiões e crenças a história prende o leitor às páginas, proporcionando a todo instante situações únicas e surpreendentes, como a motivação do assassino que se vê como justiceiro, afinal suas vítimas se utilizaram da fé alheia para tirar vantagem.


"Você prometeu cura, mas entregou enfermidade. Tirou a prosperidade de pais desesperados e seus filho foram presenteados à mote. Por isso o Senhor te devolverá sua porção em dobro - disse o anjo da máscara de ferro."

Todas as vítimas foram escolhidas por terem algo em comum, ambas se utilizavam do nome de Deus para enriquecer, mesmo que isso significasse criar a ideia de uma falsa cura e promessas ilusórias de salvação. Os falsos profetas serão julgados e é possível que não haja misericórdia na escolha da punição.

Acredito que eu precise deixar alguns avisos importantes sobre esta obra. O leitor encontrará trechos fortes e pesados, um choque de realidade no que diz respeito a alguns líderes religiosos e como não poderia ser diferente, um palavreado não tão rebuscado e contido.



Sinopse: Uma história contemporânea, comovente e incrivelmente honesta sobre como encontrar forças para se libertar de relacionamentos tóxicos.Grace quer sair de casa. Ela se sente sufocada pelo padrasto agressivo e pela mãe obsessiva, que a faz esfregar o chão até toda a poeira (que só ela enxerga) sumir. Quer ir embora da cidadezinha onde mora, na Califórnia, pequena demais para seus sonhos. Quer fugir da vida que leva e se tornar uma artista em Paris, uma diretora de teatro em Nova York… qualquer futuro que seja distante do medo e da solidão que sente.Então ela se aproxima de Gavin: charmoso, talentoso e adorado por todos da escola. Quando os dois se apaixonam, Grace tem certeza de que aquele romance é bom demais para ser verdade. Mas as suas amigas enxergam um outro lado do garoto — controlador e perigoso —, que, com o tempo, vai transformar o relacionamento dos dois em uma prisão da qual Grace será incapaz de escapar sozinha.
Autor(a): Heather Demetrios | Editora: Seguinte | Páginas: 416 | Ano: 2018

Este não é mais um belo romance, nem mesmo posso dizer que seja leve, divertido e descontraído. A vida de Grace está longe de ser perfeita e suas escolhas, mesmo que não sejam as melhores, são com o intuito de sobreviver da forma como aprendeu.

A mãe de Grace assume um papel submisso e conformado diante de um relacionamento conturbado, agressivo e que não a faz bem, porém conforme a leitura transcorre é possível compreender o que a levou a aceitar viver em tal desarmonia, mesmo que em alguns momentos isso pareça difícil de legitimar.


"Garotas não se apaixonam por cretinos manipuladores que as tratam como merda e a fazem questionar seriamente suas escolhas. Elas se apaixonam por cretinos manipuladores (que as tratam como merda e as fazem questionar seriamente suas escolhas) que elas acham que são príncipes encantados."

Apesar de toda a complicação que a família traz para sua vida, Grace tem do seu lado duas amigas muito próximas e que a protegem sempre que possível, porém tal cuidado talvez não seja suficiente para impedi-la se envolver com Gavin, um garoto bonito e inteligente por quem Grace é apaixonada.

Esta grande paixão trará a ela muitos momentos de alegria e felicidade que jamais seria capaz de imaginar ter em seus dias, mas há algo de estranho em Gavin. Tão perfeito, amoroso, romântico, mas muito possessivo. O conto de fadas ganha um rumo sombrio quando as escolhas de Grace passam a serem feitas por seu namorado e quando sua autonomia começa a ser questionada.


"Percebo qual é o problema. Não é o seu ciúme, os mundos diferentes em que vivemos, as regras dos meus pais, mas o fato de eu ter me tornado um dente-de-leão. Você da um sopro e eu vou para todos os lados."

Diante de um relacionamento abusivo e que repete a história de sua mãe, Grace por vezes acredita ser normal e não questiona as atitudes grosseiras do jovem bonito por quem se apaixonou, mesmo que suas amigas lhe alertem sobre o que está acontecendo.


"É o nosso aniversário de um ano de namoro, mas acordei hoje desejando estar morta."

Neste livro o leitor encontrará situações em que acreditará que faria diferente, mas conhecendo o contexto e o histórico de Grace fica difícil criticá-la ou censurá-la, pelo menos eu senti vontade de acolhê-la e dar um longo abraço. Mas não se engane, ela não é tão frágil quando faz transparecer, esta menina que se vê como um patinho feio tem uma força enorme que está adormecida.

A história contada nestas páginas é envolvente, mas que para alguns pode não ser fácil de absorver, principalmente para quem prefere romances doces e perfeitos. Este traz algo mais real, concreto e marcante, bem parecido com o que infelizmente vemos aqui fora dos livros.

Não bastasse as reflexões que esta obra traz, a autora ainda deixa uma nota interessante, revelando que quando adolescente viveu uma história parecida e passa um recado importante que eu acredito que deveria ser repassado àquela amiga que você sabe que precisa de um apoio, mesmo que ela não perceba. Há também uma lista de telefones e sites voltados para o atendimento e acolhimentos de mulheres, crianças e adolescentes vítimas de violência. Um livro completo!


"Quem quer que você seja, saiba que as coisas ficam melhores. Só é necessário dar o primeiro passo. Você consegue."



Sinopse: Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.
Autor(a): Angie Thomas | Editora: Galera Record | Páginas: 378 | Ano: 2018 - 8º edição


Starr é uma adolescente negra que mora em um bairro pobre e comandado pelo tráfico. Seu pai, Maverick, já fez parte dos King Lords, um grupo de homens perigosos e envolvidos com diversos crimes, mesmo que atualmente ele seja apenas o dono do mercadinho ainda é respeitado e temido por alguns.

Quando criança a jovem protagonista teve seu primeiro contato com a morte. Sua melhor amiga foi assassinada enquanto brincavam despreocupadas na rua. Estavam elas se divertindo como qualquer outra criança, mas toda a alegria foi brutalmente interrompida por tiros vindos de um carro desconhecido.

Este fato terrível fez com que os pais de Starr decidissem que precisariam proteger seus filhos, assim os colocaram em uma escola afastada e composta por pessoas brancas com um poder aquisitivo mais elevado. Continuariam residindo na periferia, mas ao menos as crianças teriam a oportunidade de conhecer uma realidade diferente enquanto se afastam do mundo das drogas.

"Meus pais não me criaram para ter medo da polícia, só para ficar esperta perto de policiais. Eles me disseram que não é inteligente se mexer quando um policial está de costas para você."


A passagem de Starr pela nova escola é capaz de proporcionar uma profunda reflexão no leitor, pois será possível observar de perto a dura realidade enfrentada pela protagonista. Esta precisa interpretar um papel para não ser vista com olhares carregados de pena ou desprezo. Esta dupla personalidade é cansativa, confusa e cruel, ainda mais depois que a jovem vê seu segundo melhor amigo, Khalil, ser morto por um policial que o julgou como criminoso devido à sua cor da pele.



"Só fica perguntando sobre Khalil, como se ele fosse o motivo de estar morto. Como ela disse, ele não puxou o gatilho contra ele mesmo."

Starr começa a questionar a atitude de alguns colegas que antes considerava normal. Ao sair da bolha de proteção em que seus pais a colocaram, a adolescente passa a enfrentar as situações de cabeça erguida, mesmo que em alguns momentos se sinta magoada e ferida. 

A jornada em busca de justiça para Khalil é inspiradora e faz brotar um fio de esperança, mesmo que seja angustiante ver a árdua luta de Starr por direito à voz.


" - Como eu falei, ninguém gosta de vender drogas - diz ele. - Eu odiava aquela merda. De verdade. Mas odiava ver minha mãe e minhas irmãs passarem fome, sabe?"

Nós não somos capazes de sentir a dor alheia, tão pouco conseguimos mensurar o sofrimento que as pessoas ao nosso redor sentem, porém tem algo que está ao nosso alcance e que pode amenizar todo o peso carregado por quem acaba sentindo na pele o desprezo da sociedade. Podemos usar da empatia, do respeito, do olhar crítico sobre os absurdos que vemos, como muitas outras atitudes que podem parecer pequenas, mas que fazem uma grande diferença.



"Engraçado. Os senhores de escravos também achavam que estavam fazendo diferença na vida dos negros. Que os estavam salvando do 'jeito selvagem africano'. Mesma merda, século diferente. Eu queria que as pessoas parassem de pensar que gente como eu precisa ser salva."

"O ódio que você semeia" surge para dar uma sacudida no leitor, o tirando do comodismo e do conforto proporcionado por histórias com finais felizes ou fantasiosos. Esta obra é carregada de sentimentos que sufocam ao mesmo tempo em que despertam um lado justiceiro. 


Ainda me sinto extasiada com esta história, não consegui fechar o livro e deixar para trás tudo que li, por isso fui assistir ao filme homônimo. Confesso que apesar de muito bem feito e de ter se mantido o mais fiel possível ao texto original, o longa não me conquistou da mesma forma que as páginas intensas e carregadas de ensinamentos me proporcionou.




Sinopse: Deprimida após sofrer um aborto espontâneo, Fig Coxbury passa seu tempo em praças observando as crianças que poderiam ser a sua filha. Até que uma menininha brincando com a mãe desperta uma obsessão. Logo, Fig se vê mudando de casa e de bairro não por necessidade, mas porque a casa vizinha oferece tudo o que ela mais deseja: a filha, o marido e a vida que pertence a outra pessoa.
Autor(a): Tarryn Fisher | Editora: Faro | Páginas: 256 | Ano: 2018

Fig é uma mulher misteriosa, com um ar conquistador muito forte, determinada e um tanto quanto manipuladora, mesmo que de forma inconsciente acaba conseguindo o que quer.

"Eu faço suposições demais, sabe? Minha mente é feito um computador com milhares de janelas abertas ao mesmo tempo. Tenho uma inteligência superior, é por isso. Gente muito inteligente pensa o tempo todo, a cabeça está sempre tomada por pensamentos brilhantes."

Tudo se intensifica quando ela conhece uma criança linda e passa a segui-la. Não contente em observar toda a rotina da pequena Mercy, Fig se aproxima de tal forma da família da menina que passa a integrar o círculo de amizades do casal Darius e Jolene.

"Consultei uma médium logo depois que todas aquelas coisas horríveis aconteceram. Ela me disse que um dia eu toparia com a alma da minha filha e que eu saberia que era ela."



Darius é um homem sedutor, inteligente e manipulador. Aos poucos o leitor vai conhecendo melhor suas imperfeições e questionando algumas de suas atitudes. Eu pelo menos senti desprezo pelo personagem em alguns momentos. 

Já Jolene representa o papel da mulher "ideal". Se desdobra em mil para dar conta da casa, filha, marido, trabalho, amigos, vida social e etc. Nunca deixando de ser bela, magra e inteligente. 

A família de Mercy é exatamente o que Fig tanto sonhava em ter. Jolene era o modelo perfeito em quem ela poderia se inspirar, porém seu lado obsessivo a impediu de ser parecida, pois ela desejava ser exatamente igual.

Em determinados momentos a estratégia de Fig me assustou, não por se tratar de algo envolvendo terror ou elementos sobrenaturais, mas por ter reconhecido nela algumas atitudes de pessoas com as quais já convivi. Sabe quando aos poucos alguém começa a querer muito ter o que você tem? A protagonista desta história é justamente a pessoa que se dispõem a desejar a vida alheia.


"A Fig era uma pessoa fácil de lidar. Eu a classifiquei como psicopata na primeira vez em que a vi, o que significava que ela era seria charmosa e simpática  e que conquistar a nossa afeição era parte do jogo."



A narrativa apresenta revelações interessantes e que agregam ao desenvolvimento da trama, porém algumas passagens ocorrem de forma mais superficial e previsível, no entanto é possível se prender às páginas ao ponto de perceber o tempo passar. A linguagem é descomplicada, sem elementos desnecessários e aborda de uma forma clara a convivência com uma pessoa com toques de psicopatia.

Gostei muito da relação de amor e ódio que vivenciei com os personagens e principalmente da sensação de proximidade que senti com Jolene, mesmo que eu tivesse sentido uma leve vontade de sacudi-la.

Confesso que eu desejava um final impactante e que me proporcionasse um momento de satisfação, algo que fizesse com que eu me sentisse "vingada", porém não foi bem isso que encontrei. Infelizmente foi algo mais morno, previsível e sem qualquer grande revelação.

Contudo acredito que valha a pena usar um tempinho do seu dia para conhecer esta história, só não se empolgue com o final e fica tudo certo.





Sinopse: A obra-prima de George Orwell adaptada para os quadrinhos. Clássico moderno, A revolução dos bichos ganha vida e movimento no traço do gaúcho Odyr. Ao narrar a insurreição dos animais de uma granja contra seus donos, a obra mostra como o conflito os leva a uma tirania ainda mais opressiva que a dos humanos.
Autor(a): George Orwell | Adaptado e ilustrado por: Odyr | Editora: Quadrinhos na Cia. | Páginas: 176 | Ano: 2018

Eis uma forma mais leve e rápida de absorver a mensagem que Geroge Orwell construiu em uma de suas grandes obras. Como já resenhamos esta história, não me estenderei muito a respeito da trama, mas deixarei no final do post o link para que você possa conferir maiores detalhes de um dos meus livros preferidos.

Dito isto, vamos para o que esta versão em quadrinhos trouxe de novo para o público apaixonado por histórias com um fundo de realidade e que proporcionam uma reflexão sobre a realidade vivida.

Com belas ilustrações e uma síntese da obra original esta apresenta os pontos altos de sua versão completa. Calma, nada se perde nesta edição, apenas foi preciso reduzir alguns trechos para que pudessem se encaixar neste novo formato, mantendo o que há de mais impactante e importante para compreensão do que realmente o autor quis retratar.

O conteúdo principal segue intacto, então caso você conheça alguém que precisa conhecer esta história, mas tende a resistir em ingressar no universo da leitura, mostre esta versão ilustrada. 


Na minha humilde opinião, acredito que todos deveriam conhecer A revolução do bichos, afinal, conhecimento nunca é demais, ainda mais quando é transmitido de uma forma clara e envolvente.

Independente do formato, esta história tem muito a ensinar ao leitor. Há sim insinuações políticas, diferença de classe e muita disputa por poder, onde o que é considerado mais inteligente acaba tomando uma grande vantagem sobre os demais.



*Confira a resenha:
 ► A revolução dos bichos


Sinopse: Em 'Guia do incrível' nada é impossível e qualquer pergunta, por mais idiota que pareça, merece uma explicação. GleisonNunes, criador do Nem Eu Sabia, canal de curiosidades no YouTube, desvenda mais de 300 curiosidades malucas, bizarras e inacreditáveis.
Os peixes sentem sede? Qual é o tamanho do Universo? E se os dinossauros voltassem à vida? Por que a água é molhada? Por que o ar é invisível? É possível um astronauta chorar? Você conhece o planeta feito de gelo quente? O que aconteceu quando os astronautas da Apollo 12 pousaram na Lua? Você sabia que neste exato momento está perdendo pele? Já imaginou como seria não sentir nenhuma dor? E como seria dormir 11 dias seguidos? E, se por acaso, você encontrasse a loira do banheiro? E o monstro do lago Ness? Você sabia que algumas formigas são mais inteligentes que humanos? É possível um asteroide destruir a Terra? E congelar uma pessoa e ela voltar a viver no futuro?
Autor(a): Gleison Nunes | Editora: Planeta | Páginas: 224 | Ano: 2018

Eis um livro interessante, daqueles que você não precisa seguir uma sequência de leitura e que lhe traz informações divertidas, curiosas e dignas de compartilhar em alguma roda de conversa.

Através de uma linguagem simples, descomplicada e super acessível, Gleison Nunes reuniu inúmeras curiosidades nas páginas deste livro, sendo divididas por categorias como corpo humano, lendas urbanas, teorias malucas, etc.

Eu me surpreendi com algumas revelações, porém nem tudo é novidade, algumas respostas ou histórias já foram constantemente compartilhadas na internet, porém isso não tira o valor da obra, afinal temos muitas coisas para descobrir através deste guia.

Você sabia, por exemplo, que um dia não tem 24 horas? Me senti um pouco enganada quando descobri, mas a explicação fez total sentido e acredito que eu deveria ter prestado mais atenção no que a professora falava nas aulas. Diversas outras questões são levantas e abrem espaço para o questionamento "como eu nunca pensei nisso antes?".

Esteja aberto para ampliar seu conhecimento, descobrir que algumas coisas são tão óbvias que você sequer cogitava sua possibilidade de existir. O li um pouco por dia, assim fiquei com a sensação de que sempre estava descobrindo algo  (risos).

Recomendo este livro para quem gosta de se manter informado sobre os mais diversos assuntos e que busca uma leitura leve. Uma ótima opção para quem deseja uma distração repleta de conteúdo útil.




Sinopse: Há muito tempo Mo decidiu nunca mais ler um livro em voz alta. Sua filha Meggie é uma devoradora de histórias, mas apesar da insistência não consegue fazer com que o pai leia para ela na cama. Meggie jamais entendeu o motivo dessa recusa, até que um excêntrico visitante noturno finalmente vem revelar o segredo que explica a proibição.
É que Mo tem uma habilidade estranha e incontrolável: quando lê um texto em voz alta, as palavras tomam vida em sua boca, e coisas e seres da história surgem como que por mágica. Numa noite fatídica, quando Meggie ainda era um bebê, a língua encantada de Mo trouxe à vida alguns personagens de um livro chamado "Coração De Tinta". Um deles é Capricórnio, vilão cruel e sem misericórdia, que não fez questão de voltar para dentro da história de onde tinha vindo e preferiu instalar-se numa aldeia abandonada. Desse lugar funesto, comanda uma gangue de brutamontes que espalham o terror pela região, praticando roubos e assassinatos. Capricórnio quer usar os poderes de Mo para trazer de "Coração De Tinta" um ser ainda mais terrível e sanguinário que ele próprio. Quando seus capangas finalmente sequestram Mo, Meggie terá de enfrentar essas criaturas bizarras e sofridas, vindas de um mundo completamente diferente do seu.

Autor(a): Cornelia Funke | Editora: Seguinte | Páginas: 456 | Ano: 2014

Há algum tempo comecei a assistir um filme com o mesmo título deste livro, confesso que não cheguei ao final, mas de alguma forma sua história ficou gravada na minha memória. Ao descobrir que havia uma trilogia de livros logo me empolguei, porém acabei postergando a leitura até que me rendi e na última semana me deixei envolver pelas palavras de Cornelia Funke.

Mo é um restaurador de livros, devido a sua paixão por literatura acabou por criar sua filha, Meggie, em meio a muitas histórias que a transformou em uma leitora voraz e apaixonada.

"Eles acolhiam Meggie de páginas abertas na mesa do café da manhã, espantavam o tédio nos dias cinzentos - e de vez em quando tropeçava neles."

Meggie é uma menina doce, porém determinada e intensa. Não é do tipo que acredita em tudo que ouve e sua lealdade é algo que não se pode questionar. As dificuldades que enfrentou não a enfraqueceram, pelo contrário, no decorrer da história pude vê-la crescer e se tornar ainda mais completa.

Há um mistério que envolve a família de Meggie e este é relacionado com uma especificidade de seu pai, conhecido como Língua Encantada. Mo tem um dom único. Capaz de trazer para o mundo real os personagens das histórias que lê, também acaba por causar um desequilíbrio que traz consequências para algumas pessoas. Mo opta por esconder este detalhe de sua vida, porém isso não significa que sua história deixará de ser comentada, afinal, ele trouxe para a vida real alguns personagens ambiciosos, perigosos e que desejam que o poderoso leitor traga dos livros outras figuras importantes.

"Alguns livros devem ser degustados,
Outros são devorados,
Apenas poucos são mastigados
E digeridos totalmente."

Há diversas referências a outros livros no decorrer da história, realmente não tem como ler Coração de tinta sem se pegar recordando de outras narrativas que por ventura já tenha marcado o leitor. Eu, particularmente, me deliciei com diversas referências e recordando a existências de outros personagens que conheci durante minha vida como leitora.

"- Você mesmo sempre diz que os livros têm que ser pesados, porque o mundo inteiro está dentro deles."

A forma como a autora criou seus personagens, ambientou os acontecimentos e desenvolveu a magia presente em cada página, permitiu que eu me sentisse imersa na realidade vivida por Meggie. Em certos momentos consegui visualizar o que esta menina estava passando, como se os personagens saltassem realmente para fora das páginas. 

Esta é uma daquelas histórias gostosas de se ler, que mesmo tendo alguns toques de maldade não se torna pesada, sofrida e sombria. A magia é encantadora, os personagens são marcantes e intensos e a narrativa é ágil e completa, mas saiba que a história não termina por aqui...


Sinopse: Considerada uma das melhores histórias de terror do século XX, a A Assombração da Casa da Colina promete calafrios aos seus leitores. Vista por mestres como Stephen King e Neil Gaiman como a rainha do terror, Shirley Jackson entrega um livro perturbador sobre a relação entre a loucura e o sobrenatural.
Sozinha no mundo, Eleanor fica encantada ao receber uma carta do dr. Montague convidando-a para passar um tempo na Casa da Colina, um local conhecido por suas manifestações fantasmagóricas. O mesmo convite é feito a Theodora, uma alma artística e “sensitiva”, e a Luke, o herdeiro da mansão.
Mas o que começa como uma exploração bem-humorada de um mito inocente se transforma em uma viagem para os piores pesadelos de seus moradores. Com o tempo, fica cada vez mais claro que a vida, e a sanidade, de todos está em risco.
Autor(a): Shirley Jackson | Editora: Suma | Páginas: 240 | Ano: 2018

Dr. Montague decidiu iniciar um estudo a respeito de eventos paranormais, explorando a vivência de algumas pessoas em uma casa tida como assombrada.

O local escolhido não poderia ser outro, a misteriosa Casa da Colina. Pouco se sabe sobre sua história, mas muito se teme em relação ao que lá se esconde. A casa já foi o lar de uma família, mas teria sido cenário de momentos felizes ou acabou sendo marcada por uma atmosfera pesada, densa e triste?

"A Casa da Colina, desprovida de sanidade, se erguia solitária contra os montes, aprisionando as trevas em seu interior; estava desse jeito havia oitenta anos e talvez continuasse por mais oitenta."

O grupo composto por pessoas com personalidades e histórias totalmente distintas passará por provações constantes. A sanidade destes personagens será contestada, assim como serão postos diante de diversos momentos de risco.

Há mais do que uma narrativa sinistra repleta de aparições neste livro. O leitor encontrará nestas páginas algo mais voltado para o lado psicológico de uma das personagens, deixando algumas dúvidas e questionamentos sobre determinados fatos. 

"A casa era repugnante. Estremeceu e pensou, as palavras vindo livremente à sua mente, a Casa da Colina é repugnante, é doente; vai correndo embora daqui."

A narrativa não me envolveu tanto quanto eu esperava. Ansiava por uma história arrebatadora, que me deixasse marcas e trouxesse à tona aquela sensação de medo ou insegurança, porém acabei me deparando com algo mais lento e sem revelações capazes de me fazer perder o fôlego. 

Conforme a leitura transcorre é possível reconhecer a evolução e uma leve agilidade na escrita, porém me senti em uma montanha russa, nem tudo era grandioso ou interessante, porém alguns trechos se mostraram surpreendentes.

"Você tem que esquecer de tudo o que diz respeito à Casa da Colina. Cometi um enorme erro te trazendo pra cá."

Não posso determinar que este seja um livro bom ou ruim, acredito que vai depender muito do que o leitor está buscando encontrar. Talvez eu não tenha absorvido tanto quanto a autora tentou passar por ter esperado algo mais intenso e sombrio, mas creio que possa ser uma ótima opção para quem se interessa por algo que exija mais atenção e lhe transporte para um lado mais instável da mente humana.






Sinopse: Baseado na história O Patinho Feio, esse é o terceiro volume da série Contos de Fadas. Como ela ousa achar que ele a ama, quando Londres inteira a chama de Duquesa Feia?Theodora Saxby é a última mulher com quem se poderia esperar que o lindo James Ryburn, herdeiro do ducado de Ashbrook, se casasse. Mas depois de um pedido romântico feito na frente do próprio príncipe, até a realista Theo se convence de que o futuro duque está apaixonado.Ainda assim, os tablóides dizem que a união não durará mais do que seis meses.Em seu íntimo, Theo acredita que os dois ficarão juntos para sempre… até que ela descobre que o que James desejava não era seu amor, mas seu dote.E a sociedade, que primeiro se chocou com seu casamento, se escandaliza com sua separação. Agora James precisará enfrentar a batalha de sua vida para convencer Theo que ele amava a patinha feia antes que ela se transformasse em cisne. E Theo logo descobrirá que, para um homem com alma de pirata, vale tudo no amor – e na guerra.


Este livro faz parte da série Contos de Fadas*

Autor(a): Eloisa James | Editora: Arqueiro | Páginas: 272 | Ano: 2018


Este é o terceiro livro da série Contos de Fadas. Desta vez o leitor terá a oportunidade de conhecer um romance de época com elementos de "O patinho feio". Dito isto acredito que seja fácil imaginar o que estas páginas podem reservar.

Romances de época não são minha preferência, mas confesso que tenho gostado da escrita da autora e isso tem me estimulado a continuar conhecendo suas mocinhas doces, mas determinadas.

Em A Duquesa Feia conhecemos Theodora, uma jovem que não nasceu muito bela, possui alguns traços mais masculinos e por vezes acaba ouvindo comentários maldosos sobre sua aparência. Devido a tudo isso ela não espera se casar com algum belo príncipe, mas nem por isso deixa de se interessar pelos jovens nos bailes.


Qual era o problema de ser chamada duquesa feia, contanto que James a olhasse como se ela fosse linda?



Como sua aparência não a ajudou muito durante sua vida, ela traça um plano que considera infalível para despertar a atenção de um determinado homem por quem nutre interesse. James, seu amigo de infância e por vezes considerado um irmão, deverá fingir estar interessado por ela, afinal, se as pessoas perceberem que ela pode ser cortejada como qualquer outra jovem, talvez assim chame atenção de quem tanto deseja.

O que Theo não poderia imaginar era que James já estava cogitando a possibilidade de envolver-se com ela, mas não por profundos e sinceros sentimentos e sim para livrar sua família da ruína.

- Não me interessa se a mocinha é feia como pecado. Você vai conquistá-la. Vai fazer com que ela se apaixone por você. Do contrário, não terá nenhuma propriedade para herdar. Nada!

Acredito que você já pôde perceber diversos elementos previsíveis e, se está habituado com romances de época, já está imaginando a reviravolta que este relacionamento trará para a vida dos protagonistas. Posso até supor que suas suspeitas se confirmem, já que não há nada de muito novo nesta trama.

Nesta história a autora não conseguiu me prender tanto quanto nas anteriores. Senti uma falta de conexão com a protagonista. Seguindo a sequência desta série, eu esperava encontrar mais uma mulher forte, intensa, determinada e com uma história de vida interessante, porém me vi diante de uma jovem que sabia se impor em alguns momentos, mas que se deixava levar por ataques de infantilidade e orgulho. A respeito de James nem vou me estender muito, até o momento ele foi o mocinho desta série que menos me apaixonou.

Eu aguardava algo mais arrebatador e envolvente, mas acabei me deparando com protagonistas rasos, sem uma boa química e com uma narrativa sem grandes revelações.

Fica a sugestão para quem está buscando uma leitura mais rápida, para passar o tempo ou simplesmente para sair de uma ressaca literária, já que este livro fornece uma distração agradável sem deixar grandes marcas.





*Resenhas anteriores da série:

Sinopse: Milo Moon tem nove anos e sofre de retinite pigmentosa. Ele está perdendo a visão e logo ficará cego. Mas, por enquanto, vê o mundo por um buraco de agulha e percebe coisas que as outras pessoas não notam.
Mas quando a adorada avó de Milo começa a sofrer de demência e vai para uma casa de repouso, ele percebe que há algo de muito errado naquele lugar. Os adultos não lhe dão atenção e, por isso, com a ajuda do cozinheiro Tripi e de Hamlet, seu porquinho de estimação, Milo decide mostrar o que realmente acontece na casa de repouso e quem é a sinistra enfermeira Thornhill.
Perspicaz, inteligente e surpreendente, O olhar de Milo é um romance cheio de grandes ideias, verdades simples e uma mensagem emocionante, capaz de tocar todas as pessoas. Milo vê o mundo de uma forma muito especial e será impossível não se apaixonar por ele, saborear cada momento e depois compartilhar sua história.
Autor(a): Virginia Macgregor | Editora: Leya | Páginas: 384 | Ano: 2015

Uma história que promete ao leitor um misto de sentimentos, desde uma sensação gostosa de fidelidade vinda de um menino aparentemente frágil, mas que não esconde sua coragem, até um aperto no coração ao se deparar com o sofrimento que de alguma forma o cerca.

Milo tem uma doença que não possui cura, sua visão vai se perdendo aos poucos e ele sabe que num futuro não muito distante estará completamente cego. Mesmo enxergando por um buraco de agulha, sua inteligência, curiosidade e esperteza o direcionam para observar o que realmente é importante.

Sua amada avó também não é muito saudável, a idade avançada veio junto com algumas doenças. Agora fragilizada, com lapsos de memória e dificuldade para se comunicar, Lou não pode mais ficar sozinha e Milo se sente responsável por ela, disposto a fazer de tudo para mantê-la por perto, porém um incidente coloca tudo a perder.

Após acidentalmente colocar fogo na cozinha, a idosa acaba sendo encaminhada para uma casa de repouso. Aparentemente tudo é lindo e perfeito, ainda mais se considerar o valor exorbitante que é cobrado para os familiares dos idosos que lá se abrigam.

Milo não se conforma com esta mudança e fará o possível para levar a avó de volta para casa. Sua fragilidade acaba ficando em segundo plano e a autora passa a explorar o poder de observação e compreensão do que acontece ao seu redor. O menino pode ser muitas coisas, menos ingênuo.

Milo sabia que de vez em quando era preciso mostrar as coisas várias vezes até que Vovó se lembrasse de como funcionavam, mas não gostou da maneira como a enfermeira Thornhill puxou o dedo de Vovó, ou da marca branca que deixou por causa do aperto.

Disposto a mostrar bons motivos para sua mãe buscar a avó, ele começa a descobrir algumas coisas desagradáveis sobre os cuidados naquela casa para idosos. A beleza que os adultos enxergam nas visitas não é tão perfeita quanto Milo percebe nos momentos de menos movimentação.

Acompanhar o menino nesta jornada em busca da verdade pode causar um nó na garganta. O que há por trás das boas fotos, vídeos e prêmios que a casa recebe é capaz de comover ao mesmo tempo em que causa desconforto.

- Eles nunca ouvem as crianças. Fingem que ouvem, mas no fim das contas, quando você tenta contar alguma coisa importante, os adultos são todos iguais.

Milo está pronto para nos dar uma lição de perseverança, lealdade, companheirismo e intuição. Ele não se deixa levar por aparências e não crê em tudo que vê ou ouve.

Sem dúvida alguma esta é uma história que envolve o leitor e lhe proporciona uma dolorosa e válida reflexão sobre relacionamentos, família e o envelhecimento.