Sinopse: Em 1963, no Alabama, talvez o estado com maior segregação racial nos Estados Unidos, uma campanha lançada por Martin Luther King demonstrou ao mundo o poder da ação não-violenta. Neste livro, lançado em 1964, o vencedor do Prêmio Nobel da Paz narra esses eventos, traçando a história da luta pelos Direitos Civis nos últimos três séculos mas olhando para o futuro, avaliando o trabalho que precisava ser feito para a igualdade de direitos e oportunidades aos negros e a seus descendentes. Trata-se de uma análise eloquente dos fatos e pressões que impulsionaram o movimento dos Direitos Civis até as marchas públicas que tomaram as ruas naquela época e inspiram as de nosso tempo.
Autor(a): Martin Luther King | Editora: Faro Editorial| Páginas: 174| Ano: 2020

Martin Luther King é uma grande imagem para as pessoas que lutam pelos direitos igualitários, quando se trata de raça. Muitos o utilizam de referência e utilizam suas falas, seus discursos e não é por acaso que uma de suas frases é bem famosa e utilizada: ‘I have a dream’.

Nesse livro, podemos acompanhar cada passo dado para os mesmos direitos que ainda estamos lutando nos tempos atuais, claro que não podemos equiparar os tratamentos atuais com os antigos. Mesmo assim, precisamos lutar e fazer com que nossas vozes clamando às autoridades para que nos deem os mesmos direitos e privilégios, que sejamos, pelo menos, tratados, minimamente, como um cidadão.

“Os negros são humanos, não super-humanos. Como todas as pessoas, eles têm personalidades diferentes, interesses financeiros diversos e aspirações variadas. Há negros que nunca irão lutar pela liberdade. Há negros que buscarão lucrara sozinhos com a luta. Ha até alguns negros que irão cooperar com os seus opressores. Esses fatos não devem afligir ninguém.”

Houveram momentos que tirei de muito aprendizado e não só pessoal, mas aprendizado de discurso, pois se tem uma característica positiva de Martin, além de admirável, são suas melhores palavras na construção de um discurso. O trecho acima, consegui aprender algumas questões, posso dividir uma delas com vocês.

Quando King fala que possuímos personalidades diferentes, não quer dizer que somos gado. Mas você pode estra se perguntando o porquê de eu estar falando isso, porém o que mais acontece atualmente são as pessoas acharem que todos os negros pensam, agem e comem da mesma maneira, sendo que cada um possui sua personalidade e característica própria e, o mais importante, a própria construção de senso crítico! Ou seja, poderia ficar falando de milhares de ensinamentos a mais que esse livro me proporcionou, foi uma leitura incrível, ainda pretendo relê-lo para um estudo melhor, fazer anotações etc.

O que me entristeceu na hora da leitura foi a questão da tradução, não to dizendo que ela é ruim, nada disso viu, Sarah Pereira? Sei que você se empenhou tanto e fez um belíssimo trabalho, está impecável, mas queria que construíssem uma tradução mais acessível, que contemplasse mais pessoas que necessitam da leitura desse livro, pois a linguagem dele, pra muitos, pode ser mais rebuscada, ou, como dizem, ‘acadêmica’.

Por que não podemos esperar é um livro que deve ser lido por muitos, para que ensinamentos como os de Martin Luther King sejam repassados e que seus discursos, feitos em 1953 comecem a surtir algum efeito neste século XXI, pois são palavras atuais e necessárias.

“Um movimento social que só move as pessoas é apenas uma revolta. Um movimento que muda tanto as pessoas como as instituições é uma revolução.”



Sinopse: Dannie Kohan sabe exatamente o futuro que deseja e o que deve fazer para conquistá-lo. Depois de arrasar na entrevista para seu emprego dos sonhos em um dos maiores escritórios de advocacia de Nova York e de ser pedida em casamento pelo namorado, ela vai dormir com a certeza de que está no caminho certo para realizar todos os seus planos.
Autor(a): Rebecca Serle | Editora: Paralela| Páginas: 293 | Ano: 2020

Quando Dannie acorda, entretanto, ela está em um apartamento diferente, com outro anel de noivado no dedo e um homem que nunca viu antes ao seu lado. A televisão mostra que é a mesma noite — 15 de dezembro –, mas cinco anos no futuro. Seria esse o inverso da costumeira ‘pergunta de tio’, “Onde você se vê daqui a cinco anos?”, onde absolutamente toda família tem de fazer, sempre quando há a oportunidade. Só que, nessa questão, Kohan não estava ansiosa pra saber, nem havia se perguntado.

Arrisco dizer que a principal não gostaria de ter visto, pelo simples fato de se ver realizada com seu noivo e tendo planejamentos futuros com o mesmo. Ela fica totalmente abalada e sem entender o que houve, ela decide acreditar que foi apenas um sonho, por mais reaista que tenha sido bem realista.

"A proximidade dela é uma bênção para mim; e o meu silêncio, uma bênção para ela. Eu torno sua vida mais tranquila e estável. Ela torna a minha vida luminosa e exótica. Parece justo. Uma boa troca."

Assim que peguei a sinopse desse livro, tinha terminado de ler um que havia desgraçado com minha mente, então precisava de algo leve, divertido e que me fizesse viajar a um mundo diferente, a qual eu não estava tão acostumado. Por mais que eu seja apaixonada por romances, esses clichês leio pouco e não tenho muito costume!

Bati os olhos e sabia que necessitava realizar essa leitura, então solicitei o livro e não pensei duas vezes. Digo sem medo que foi um livro que me ajudou demais a relaxar e a dar boas risadas com Dannie e Bella, sua melhor amiga, que nos apresentou uma cumplicidade pura e linda. Ou seja, o objetivo do livro foi alcançado demais! Por mais que tenhamos presente algumas características de outros clichês, é uma história gostosa.

Ao ler a relação das duas, fiquei pensando, constantemente, em algumas relações que tenho e uma delas, que é super importante pra mim, então, ao ler essa história, você é convidado também a pensar e refletir acerca de amizade e decisões da vida, mesmo que tão raso e sendo apresentado exemplos que não se encaixem totalmente com sua vida, esse livro faz com que você comece a ver algumas coisas com outros olhos.

“Daqui a Cinco Anos” é o típico romance que você já sabe o final, porém fica curioso pra saber como a autora vai resolver tudo, de qual forma, então fica preso até o final e não consegue parar.

 

Sinopse: Criada nos arredores de Los Angeles por sua mãe hippie, Galaxy “Alex” Stern abandonou a escola cedo e se envolveu no perigoso submundo das drogas, entre namorados traficantes e empregos fracassados. Além de tudo isso, aos vinte anos, ela é a única sobrevivente de um massacre terrível, para o qual a polícia ainda não encontrou qualquer explicação. Alguns podem dizer que Alex jogou sua vida fora. No entanto, a garota acaba recebendo uma proposta inusitada: frequentar Yale, uma das universidades de maior prestígio do mundo... e com uma bolsa integral. Alex é a caloura mais improvável de uma instituição como essa. Por que logo ela? Ainda em busca de respostas, Alex chega a New Haven encarregada por seus misteriosos benfeitores de monitorar as atividades das sociedades secretas de Yale. Suas oito tumbas sem janelas são os locais mais frequentados pelos ricos e poderosos, desde políticos de alto escalão até os maiores magnatas de Wall Street. Alex descobrirá que as suas atividades ocultas nesses lugares são mais sinistras e extraordinárias do que qualquer imaginação paranoica poderia imaginar. Eles mexem com magia negra. Eles ressuscitam os mortos. E, às vezes, eles atormentam os vivos.

Autor(a): Leigh Bardugo | Editora: Minotauro (Planeta de Livros) | Páginas: 432 | Ano: 2020

        Alex é uma jovem com um passado conturbado e marcado por dolorosas perdas, companhias desagradáveis e visões assustadoras. No auge de sua dor, no dia em que acreditou que seu fim estava próximo, uma segunda chance surgiu, lhe dando a opção de se redimir e reescrever sua história.

    Este não é um conto de fadas, logo a solução para os problemas de Alex não seria simples, tão pouco fácil. Ao ser convidada a ingressar na universidade de Yale a protagonista se viu imersa em um mundo onde a magia era algo comum, aceitável, mas ao mesmo tempo secreto.

"Ela viu os mortos, ele pensou. Ela testemunhou horrores. Mas nunca viu magia."

    Oito casas do véu compõem o lado oculto da universidade e Alex possui uma capacidade única e invejada por alguns, desde pequena ela tem a capacidade de ver pessoas mortas e esta sua peculiaridade é desejada pela nona casa, Lethe, que busca fiscalizar e controlar a magia que emana dos rituais. É importante estar atento aos detalhes, um mero tropeço pode fazer com que algo terrível aconteça.

    Admito que fiquei surpreendida com a evolução da protagonista e como sua história se encaixava perfeitamente, seu passado, presente e futuro possuindo uma conexão que satisfaz o leitor, deixando no ar aquela sensação de "agora tudo faz sentido".

"Uma mentira não é uma mentira até que alguém acredite nela. Não importa o quão encantador você é se não houver ninguém para encantar."

    Em meio a muitas perdas, perseguição, assassinato e uso de drogas, Alex não hesitará em mostrar que mudou. Aquela jovem confusa, desajeitada e que se sentia inútil dá espaço para uma mulher determinada, corajosa e teimosa.

    Quando o grande Stephen King faz um comentário positivo sobre um livro, eu, uma apaixonada por suas histórias, já começo a criar expectativas. Nona casa entrou para esta seleta lista de livros elogiados pelo mestre, então é claro que a ansiedade me dominou.

    Tem vezes que a empolgação atrapalha, mas não foi o caso com esta leitura. Preciso dizer que o envolvimento com a narrativa se manteve em constante ascensão, culminando em uma conclusão capaz de surpreender até o mais experiente leitor do gênero.

    Os leitores que estão habituados com histórias sobrenaturais dificilmente se sentirão incomodados com os trechos relacionados à morte, ou com as breves descrições de situações onde há a forte presença de sangue. Ao meu ver a autora conseguiu dosar bem as descrições de momentos mais pesados, sendo assim não senti qualquer tipo de incômodo. Para quem carrega o King no coração, um sangue jorrando não é nada. (risos)

    Talvez leitores mais sensíveis precisem ir com calma, só por precaução mesmo, pois esta é uma história onde não é só a magia que ceifa vidas, a ganância e o desejo também são capazes de matar.

    Li comentários onde diziam que a leitura tinha sido meio confusa, mas eu não senti qualquer tipo de problema com a narrativa, comigo fluiu muito bem. É possível que no início dê uma certa confusão com os nomes das casas e o que elas fazem, mas com um pouquinho de atenção e disposição tudo se ajeita. Caso você seja do time que ficou com nó na cabeça, sugiro dar uma virada de página e ir lá pro final, mas final mesmo, pois nas últimas folhas tem um breve resumo de quem é quem.

    Falando em final, a conclusão me pareceu interessante, além do que eu esperava. As investigações de assassinatos transcorrem de forma a não facilitar na hora do leitor coletar as pistas e desvendar o mistério antes da hora, mas preciso dizer que nem tudo se resolve neste livro e isso só serviu para me deixar ainda mais ansiosa pela continuação.





Sinopse: Emma Blair casou com seu namorado do colegial, Jesse, quando tinha vinte anos. Juntos, eles construíram uma vida diferente das expectativas de seus pais e das pessoas de sua cidade natal, Massachusetts. Sem perder nenhuma oportunidade de viver novas aventuras, eles viajam o mundo todo, curtindo a vida ao máximo.

Autor(a): Taylor Jenkins Reid | Editora: Paralela| Páginas: 411| Ano: 2020

Nesse livro, o tão fatídico “e viveram felizes para sempre” passou longe, uma tragédia separa os dois, no dia em que completam um ano de casados. O helicóptero onde Jesse sobrevoava o Pacífico desaparece e, simplesmente, o amor da vida de Emma se vai para sempre.

Não me estenderei mais contando e tentando deixá-los por dentro do enredo, por achar que, essa sinopse deveria ser limitada e parte dela poderia sair da orelha do livro, pois, quando se passa disso, acho que excedem muitas informações que o leitor não deveria saber antes de realizar a leitura. Por mais que, segundo Aristóteles, tenhamos conhecimento acerca de um spoiler, nosso corpo tende a se comportar de uma forma perante a notícia, tende a ter a experiência própria. Quando se é pego de surpresa, a reação é totalmente diferente.

Antes de iniciar todo e qualquer livro, dou uma conferida na sinopse, para que eu saiba do que se tratará a história e se, realmente, estou interessado e no momento correto para realizar a leitura, para que não haja uma falta de interesse na metade do processo e, também, para garantir que seja uma experiência gostosa, por estar realizando um hobby.

Com este livro foi diferente, busquei não saber ABSOLUTAMENTE nada antes da leitura, pelo simples fato de seguir uma produtora de conteúdo, assim como nós, que resenhou e disse um pouquinho deste livro. Ao apresentá-lo, a mesma não falou nada acerca do livro a não ser a opinião própria, pois achava que na sinopse há um grande spoiler. Então, só por isso, não sabia nem do que se tratava o livro, apenas de amores — o que é óbvio!

Uma história onde opiniões foram bem divididas e muitos questionamentos se levantaram a partir da análise de todo conjunto da história. A fatídica pergunta foi se as personagens agiram corretamente durante todo ato em todo decorrer do livro.

Esse foi um livro que me fez pensar e repensar muito, seja em todo enredo que Jenkins quis promover e, até mesmo, na nota em que daria para ele, pois foi todo um conjunto da mente fervilhar com pensamentos e reflexões nos problemas que a protagonista nos traz. A autora nos dá um tapa sem mão, perante todo ocorrido.

As coisas com as quais o livro se encaminha, ele serve para lhe dá uma lição de moral, que você deve levar para a vida o que lhe servir e for proveitoso. Amore(s) Verdadeiro(s) é o típico livro que você fica rezando e perturbando a editora para que haja uma adaptação. Dito isso, recomendo muito essa leitura ainda este ano!





Sinopse: Dentro dos muros de uma escola de elite as expectativas são altas, e as regras, rígidas. Na floresta, além do campus bem cuidado, há uma pensão abandonada que é utilizada pelos alunos como ponto de encontro noturno. Para quem entra, existe apenas uma regra: não deixe sua vela apagar ― a menos que você queira encontrar o Homem do Espelho... Há um ano, dois estudantes foram mortos em um massacre terrível. Desde então, o caso se tornou o foco do podcast “A casa dos suicídios”. Embora um professor tenha sido condenado pelos assassinatos, muitos mistérios e perguntas permanecem. O mais urgente é: por que tantos alunos que sobreviveram àquela noite macabra voltaram ao lugar para se matar? Rory Moore, especialista em casos arquivados, e seu parceiro, Lane Philips, começam a investigar a noite dos assassinatos, em busca de pistas que possam ter escapado da escola e da polícia. Porém, quanto mais descobrem sobre os alunos e aquele jogo perigoso que deu errado, eles se convencem de que algo fora do normal ainda está acontecendo. O jogo não acabou. Ele prospera... em segredo, em silêncio. E, para seus jogadores, pode não haver uma maneira de vencer ou de sobreviver.


Autor(a): Charlie Donlea | Editora: Faro | Páginas: 352 | Ano: 2020


    Anualmente os alunos da Escola Preparatória de Westmont passam por um ritual de iniciação, todos os terceiranistas que desejam fazer parte do grupo secreto devem passar por alguns desafios, que variam desde pregar peças em algum professor até se reunir em uma casa abandonada e invocar o homem do espelho.

    Uma brincadeira boba e que mexe com a imaginação dos jovens mais influenciáveis pode acabar de uma forma trágica. Caso você não seja o tipo de leitor que se interessa por assuntos sobrenaturais pode ficar tranquilo, os acontecimentos que envolvem os mistérios por trás desta escola são bem reais e humanos.


"As regras da iniciação foram criadas para para separá-los e forçá-los a entrar na floresta sozinhos para procurar as suas chaves, cada um correndo para ser o primeiro a chegar ao destino."


    Algo sai do controle e dois adolescentes são mortos, a polícia investiga o caso e acredita que um dos professores pode ter sido responsável, afinal Gorman fora escolhido como vítima das brincadeiras de mal gosto para iniciação daquele ano. Várias peças da trama apontam para sua culpa, mas seria assim tão fácil solucionar o mistério?

    Um podcast de sucesso e um blog nem tão famoso, acabam trazendo à tona dúvidas sobre o que teria acontecido naquela noite. Abrindo espaço para que os sobreviventes fossem questionados e fazendo com que uma sequência de suicídio tomasse conta da escola. O que seria tão terrível ao ponto de induzir os sobreviventes a tirarem sua vida ao invés de revelar o que teria acontecido naquela casa abandonada?


"Naquele momento, mais do que nunca, eles tinham que ficar juntos. Tinham que manter a boca fechada. Só por mais um ano. Só até se formarem na Westmont e irem para a faculdade. Então, as coisas melhorariam. As imagens daquela noite desapareceriam. As suas consciências iriam se curar. Eles iriam esquecer. O segredo deles seria preservado, e tudo voltaria ao normal."


    São muitas perguntas e poucas respostas, muitas mortes sem solução, uma localização 13:3:5, um diário comprometedor e peças que não se encaixam. 

    Quem já leu "Uma mulher na escuridão" também escrito por Donlea terá a oportunidade de rever personagens importantes neste novo livro. Lane e Rory estão de volta e aos poucos auxiliarão a equipe local na busca por respostas, mas não se preocupe, caso este seja seu primeiro contato com a escrita do autor pode ler sem medo, perderá apenas alguns momentos de empolgação causado por recordações do livro anterior, porém não terá dificuldades para compreender a história de "Nunca saia sozinho".

    A narrativa se mostra intensa, ora prendendo o leitor sob os relatos sombrios contidos num diário cujo dono não é rapidamente nomeado, ora caminhando junto com os investigadores atrás das provas necessárias para concluir a investigação.

    Um trem e algumas moedas achatadas podem dizer mais sobre o ocorrido do que o depoimento de determinadas testemunhas. Policiais podem não ser tão espertos, crimes antigos aparentemente solucionados podem ser úteis e a determinação de Rory contaminará os demais envolvidos.

    Junte as peças, recolha as moedas, leia o diário e apure seus sentidos. Observe com cautela os alunos e não se deixe levar pelas aparências da equipe da escola.





Sinopse: Bri é uma jovem de dezesseis anos que sonha se tornar uma das maiores rappers de todos os tempos. Ou, pelo menos, ganhar sua primeira batalha. Filha de uma lenda do hip-hop underground que teve o sucesso interrompido pela morte prematura, Bri carrega o peso dessa herança.

Autor(a): Angie Thomas | Editora: Galera Record| Páginas: 378 | Ano: 2019

Nunca tive a oportunidade de contar pra vocês, mas fica aí um segredinho: sou o co-fundador da fanbase de Angie Thomas aqui no Brasil. Pra quem nos acompanha nos stories do instagram, isso não é novidade alguma. Pois bem, dessa vez falarei da história de Bri, uma aspirante a rapper.

Briana reside no Garden, um bairro periférico, com sua mãe e seu irmão. Possuindo apenas duas escolas no local, ela estuda onde tem uma concentração extrema de adolescentes brancos, o que já se torna um pequeno problema na mente da jovem, pelas questões de pertencimento e, os adolescentes que estudam no mesmo local e possuem a mesma etnia, são aqueles que residem no mesmo bairro.

A partir de um subsídio, tais jovens conseguem ingressar nesse colégio, onde o ensino é visto como melhor e exemplar, porém nem todos recebem os mesmos tratamentos que outros. Negros e latinos sofrem casos isolados de desconfianças raciais. Um dia, Bri é abordada por um dos seguranças na porta do colégio, que a joga no chão como se ela fosse um perigo, sendo a jovem taxada de marginal. A mesma se revolta e decide exteriorizar o que sentiu mediante comportamento da pessoa a qual deveria oferecê-la segurança.

“Ninguém quer dizer, mas se você tem a pele preta ou marrom, é mais provável que vá parar no radar deles, apesar de o próprio Long ser negro”

Escreve, então, uma letra que contra ataca, não só a atitude do inspetor, mas atitude de muitos policiais ou profissionais de segurança, que sempre agem da mesma maneira e sempre com as mesmas pessoas, pretas, que são marginalizadas a todo momento. Como uma grande sonhadora, Briana anseia em fazer sucesso e ter seu nome, positivamente, na boca do povo, quer realizar seu sonho de ser como o pai, porém ter seu sucesso próprio e não só por ser filha de um grande rapper. Depois de uma decepção tentando se lançar para o mundo, ela decide postar a música numa plataforma, música essa que se intitula ‘Na Hora da Virada’.

Angie faz uma construção incrível, desde os detalhes do local, até os personagens, com quem aprendo tantas coisas e me enxergo bastante, pelo simples fato dos personagens passarem pelas mesmas situações e terem as mesmas características que eu. Inclusive, neste livro tem um personagem que só faltou se chamar Fabio, de tanto que me enxerguei nele.

Esse trabalho que Thomas faz é lindo, pelo simples motivo de que também podemos protagonizar um livro, podemos representar coisas, também temos sonhos, problemas e podemos ter um felizes para sempre. Angie vem trazendo o que muitos jovens pretos sentiam falta, representatividade em histórias reais, que nos levam e nos deixam bem perto do nosso cotidiano. Somos sempre levados a outros lugares nas obras de Angie Thomas, nunca ficamos preso apenas à ideia inicial do livro somente. Sua obra possui bastante desdobramentos, fazendo com que discutamos sobre diversos assuntos que precisamos abordar.

Na Hora da Virada é leitura obrigatória a todos. Inclusive para você que está querendo saber como agir como antirracista, lendo e aprendendo com esse livro algumas atitudes que nos machucam, pois somos tipificados de diversas maneiras.

 

Sinopse: Bem-vindo a Qualityland, a nação mais poderosa e desenvolvida do planeta. Tudo em Qualityland é pensado de maneira a otimizar a sua vida. Um sistema identifica seu parceiro ideal, vermes-androides em sua orelha dizem o melhor caminho a tomar no seu dia a dia, drones já sabem, só pela sua cara, que você precisa de uma cervejinha bem gelada no fim de um dia de trabalho exaustivo. Humanos, robôs e algoritmos aparentemente convivem muito bem, e tudo gira em torno do mundo corporativo, hierárquico e do dinheiro. 

Autor(a): Marc Uwe Kling | Editora: Tusquets| Páginas: 352 | Ano: 2020

Marc Uwe Kling nos apresenta uma ficção onde podemos encontrar algumas inspirações que já ouvimos por alguém, assistimos de relance ou, até mesmo, tivemos uma experiência que pode nos remeter enquanto a leitura é realizada. O autor utiliza elementos de uma obra clássica, 1984.

Peter Desempregado, — você pode estar achando estranho ou engraçado, dependendo do seu nível de humor. Mas os nomes são definidos de acordo com a profissão dos pais. Sendo que, menino herda o sobrenome da profissão do pai e menina da mãe — dono de uma loja de sucatas, tenta se reerguer numa sociedade definida por níveis.

Tais níveis explicitam aqueles que possuem mais direitos que outros. Aqueles que possuem baixo nível, tem menos direito ou acesso. Já os que possuem maiores níveis, receberam uma educação melhor, param o transporte público que desejam embarcar e, ainda, tem preferência nas filas.

Temos oportunidade também de conhecer John Of Us, um androide que é designado a concorrer às eleições de Qualityland. Não seria essa a melhor opção de comandante, já que não seria uma caricatura passível de erros, por não se tratar de um humano?

Marc-Uwe consegue unir elementos atuais, futuro distópico totalmente criativo e uma narrativa que nos prende do início ao fim. o conjunto desses elementos faz com que o livro fique perfeito, mesmo que sendo preocupante em alguns momentos, por medo de podermos estar desenvolvendo uma sociedade como Qualityland, pelo autor ter utilizado muitos elementos da sociedade atual.

Além de toda trama ser incrível, uma das coisas que mais me fez adorar esse livro, foi a interação que ele me propôs durante a leitura, de pequenos excertos. Seja de trechos de jornais, verbetes, entre outras coisas mais, dinamizando totalmente a minha leitura.

Qualityland foi um dos livros que me deixou surpreso ao fim da leitura, por parecer mais uma distopia chata, que emplacaria nos cinemas e seria sucesso de bilheteria por ser mais do mesmo, porém tive uma experiência totalmente agradável com o livro. Ansioso demais para conferir o filme e torcendo para que seja na mesma intensidade da obra.




Sinopse: Aria Watson era considerada invisível na escola, mesmo com todo seu talento para arte; em casa era uma boa filha e irmã. Mas tudo mudou quando ela anunciou, aos 16 anos, que estava grávida. E a notícia caiu como uma bomba. Agora ela está aterrorizada e se sentindo mais sozinha do que nunca. Levi Myers mudou-se para Wisconsin para ficar com o pai, que não via desde os 11 anos. Ele precisava se afastar um pouco da mãe e passar um ano com o pai parecia uma boa ideia, mas agora Levi não tem mais certeza.

Autor(a): Brittainy C. Cherry | Editora: Galera Record| Páginas: 314 | Ano: 2018

Ambos adolescentes despedaçados e cheio de cicatrizes, acabam por se esbarrar e, assim, nasce uma amizade onde um encontrará no outro alguma solução. Nas manhãs no bosque, quando tentam alimentar cervos, ou até esperando o ônibus para escola, acabam compartilhando medos e incertezas. Levi fica dividido entre ficar com o pai ou a mãe e Aria precisa decidir o futuro de seu bebê. Assim, mesmo que silenciosamente, ambos se apoiam e se dão forças.

Diferente de todo os romances que Brittainy já escreveu, neste seus protagonistas são bem jovens, onde ainda estão no colegial e enfrentando as conturbadas situações que a vida lhes proporciona. Visto que seus livros são sempre protagonizados por adultos, confesso que me surpreendi com essa nova experiência, onde fiquei me perguntando a todo instante antes de iniciar se ela não deveria alterar o estilo de escrita por se tratar de personagens mais novos.

A resposta foi não, o estilo de Brittainy continua o mesmo, sempre com as mesma sensibilidade que tem de tratar acerca de alguns assuntos que são necessários a conversa e atenção, sempre nos atentando e ensinando, ainda que de forma superficial- porém nem tanto-, a como lidar com algumas situações na vida. Mesmo sendo adolescentes, a autora nos mostra que alguns precisam enfrentar batalhas complexas na vida.

“Havia um desenho horrível que imagino que fosse eu comendo bolo ou algo do tipo. Ele desenhava tão mal quanto eu tocava bateria. Felizmente, assim, nós tínhamos um equilíbrio”.

Aria adorava se expressar através da sua arte, preferindo as abstratas, tendo uma personalidade introspectiva, de pouco sorriso. Já Levi, se expressava mais através da sua alma, com a música, sendo o violino sua melhor companhia. Ambos têm comportamentos e gostos adolescentes, mas a todo instante me peguei pensando: isso não é uma atitude fora do normal para alguém nessa idade? A resposta até pode ser positiva, mas conseguimos enxergar que Brittainy não normaliza tais atitudes, fazendo com que enxerguemos o problema e a essência que nos alcança.

Em momento algum o livro fica massante, pelo contrário, nos consome e somos arrastados, de forma bem positiva, até o final para descobrirmos qual será a decisão de tais personagens perante de todo e qualquer problema relâmpago. Clamei muitas vezes para que Cherry viesse me auxiliar nas decisões.

Mesmo que, muitas vezes, somos obrigados a ficar pensando que a ficção não pode ser pega para espelharmos na vida real, Brittainy nos mostra que se encaixa perfeitamente e pode nos ajudar sim em algumas situações. Sendo um livro bem escrito, com uma escrita bem fechada e com personagens apaixonantes e cativantes, que nos leva à paixão imediata.

Arte e Alma deve ser lido por todos que querem encontrar esperança e se apaixonar por personagens reais, fazendo com que enxerguemos uma esperança e tenhamos mais otimismo e sejamos mais abertos àquilo que a vida está disposta a nos oferecer.



 

Sinopse: Quando Elsie perdeu o marido apenas algumas semanas após o casamento, achou que já tinha sofrido o suficiente para uma vida inteira. Praticamente sozinha em uma casa enorme e isolada, ela jamais imaginou que os companheiros silenciosos — painéis de madeira que imitavam pessoas em atividades cotidianas —, um dia, seguiriam seus movimentos com os olhinhos pintados. Muito menos que eles apareceriam por conta própria em cômodos aleatórios…


Autor(a): Laura Purcell | Editora: Darkside Books | Páginas: 288 | Ano: 2020

    Elsie cresceu em uma família não tão amorosa, mas teve muita sorte ao encontrar seu grande amor em um homem de boa família, com propriedades e dinheiro suficiente para lhe garantir todo conforto e proteção que ela sequer imaginava um dia ter, contudo algo abala gravemente seus sonhos, Rupert, seu marido, acaba falecendo durante a visita a uma antiga propriedade de família, agora Elsie, grávida e viúva, precisará lidar com seus pesadelos do passado e encarar os novos que o futuro lhe reserva.

    Sarah, única parente viva de Rupert, passa a fazer companhia para a pobre jovem viúva, ambas passam a residir na mansão antiga da família, local repleto de histórias e mortes que assombram os moradores da cidade.

    A história assume uma atmosfera sombria e é possível em certos momentos compreender o frio que invade os ambientes, algo que ultrapassa uma simples queda de temperatura proveniente do inverno e facilita o entendimento da sensação de arrepio, medo e insegurança que assombra a protagonista desta história.

    Elsie, em uma de suas caminhadas para conhecer melhor a casa, encontra uma porta trancada, sua curiosidade e teimosia a fazem insistir para adentrar no cômodo.

    Ok, você que está acostumado com histórias sombrias e filmes de terror já deve estar imaginando que seria melhor ela não abrir esta porta, você está certo! Apesar desta leve obviedade, a história se mostra envolvente ao ponto do leitor ser capaz de ignorar alguns detalhes um tanto quanto previsíveis e se dedicar a acompanhar a trama bem desenvolvida.

    Sarah e Elsie aos poucos vão conhecendo a história da família e o que realmente aconteceu naquela casa através do diário de uma antiga dona que relata sua vida naquele lugar, incluindo sua afeição inicial pelos companheiros silenciosos, figuras em madeira que representavam fielmente a imagem de um ser humano.

Fonte: nationaltrust.org.uk

    Tais companheiros são encontrados pelas jovens damas que decidem colocá-los na sala em constante evidência. As peças parecem pessoas reais e de certo modo passam a impressão de estarem vivos.

    Diversos acontecimentos estranhos acontecem desde a descoberta destes companheiros, mas seriam eles causadores de tanto transtorno ou seria apenas alucinação causada por diversos traumas vividos por Elsie? Estaria ela, no hospício, contando sua verdadeira história ou disfarçando suas dores?

    Uma história que mescla terror psicológico, com práticas de bruxaria e um suspense intenso de tirar o fôlego. 

    Aos interessados por histórias com mortes violentas, mas descritas na medida certa, com personagens capazes de instigar a dúvida no leitor e fazê-lo imaginar a verdade escondida entre as páginas, esta é uma ótima opção de leitura.



Sinopse: Em 1985, Anthony Ray Hinton foi preso sob duas acusações de assassinato no estado do Alabama, sul dos Estados Unidos. Atordoado, confuso e com apenas 29 anos de idade, Hinton sabia que se tratava de um erro de identidade e acreditava que a verdade provaria sua inocência, acabando por libertá-lo rapidamente.Mas sem nenhum dinheiro e sujeito a um sistema de justiça que operava de maneira diferente para um homem negro e pobre do Sul, Hinton foi condenado à cadeira elétrica. À medida que compreendia e aceitava o próprio destino, ele decidiu não apenas sobreviver, mas também encontrar uma maneira de viver no corredor da morte, tornando-se luz na escuridão – para si mesmo e para seus colegas detentos.
Autor(a): Anthony Ray Hinton | Editora: Vestígio | Páginas: 320 | Ano: 2019

Tudo começou em 1985, eu nem era nascida ainda, mas mesmo assim a história se manteve muito atual. Ray era um jovem preto, pobre, com poucas oportunidades na vida, mas muito amado por sua mãe. Apesar das dificuldades que a vida lhe apresentou, se esforçou para se manter de cabeça erguida, porém cansado de trabalhar tanto e nunca conseguir adquirir algo pra chamar de seu, acabou tendo um deslize, se arrependeu e pagou por isso.

O que Ray não poderia imaginar era que mesmo tendo decidido voltar a ser aquele filho do qual sua mãe se orgulhava, trabalhando em escalas noturas exaustivas, ele seria apontado como responsável por cometer assassinato.


"Meu único crime era ter nascido negro, ou ter nascido negro no Alabama. Para onde eu olhasse no tribunal, via rostos brancos - um mar de rostos brancos."

As provas o inocentavam, mas a sua cor foi usada como motivação para condená-lo. Mesmo declarando insistentemente sua inocência, sua voz não foi ouvida, seu álibi não foi considerado e seu advogado branco não demonstrou interesse em realmente lutar pela absolvição de seu cliente.

A sentença foi dura e clara. Anthony Ray Hinton caminharia rumo à cadeira elétrica, sua vida seria encurtada e sua morte serviria como pagamento por um crime que ele não havia cometido. Como as pessoas que o julgaram conseguiriam dormir tranquilas sabendo que um inocente teria sua vida ceifada? Infelizmente a vida de Ray não parecia valer muito diante do júri branco.


"Eu não estou preocupado com aquela cadeira elétrica. Você pode me sentenciar a ela, mas não pode tirar minha vida. Ela não lhe pertence. Eu não pertenço a você. Você não pode pôr as mãos na minha alma."

O protagonista desta história relata seus dias de angustia, medo, incerteza, vergonha e esperança. Sim, no meio de todo o turbilhão em que foi inserido, ele sonhava com o dia que conseguiria provar sua inocência e que voltaria a poder abraçar sua mãe.

A justiça não foi justa para Ray. Anos se passaram, diversas apelações foram feitas, muitos prazos foram cobrados e mesmo assim a corte não se mostrava disposta a dar a ele mais uma chance. Hinton não queria acordo, nem redução de pena, não aceitaria nada menos do que o reconhecimento de que a justiça falhara com ele.


"Na realidade, eu acho que não foi você. Mas não importa. Se não foi você, foi um dos seus irmãos. E você vai levar a culpa."

Este não é um livro grosso, porém é pesado. Carrega a história de um homem que passou três décadas preso, tendo que conviver com a injustiça por causa de sua cor. Uma leitura capaz de despertar o senso de justiça do leitor, a empatia pelo próximo e a vergonha pela sociedade em que vivemos e com o nosso silêncio diante do racismo.

Eu queria falar muito mais sobre esse livro, ele me prendeu de tal forma que não percebi o tempo passar. Me vi imersa no sofrimento de Ray e a cada página eu ansiava para que o sofrimento dele fosse cessado.


"Você precisa saber que é responsável pela maneira como trata os outros, mas não é responsável pela maneira como os outros tratam você."

Por favor, leia este livro. Eu entendo que talvez não seja uma leitura fácil e que nos tira da nossa zona de conforto, mas LEIA! 

Leia pela sociedade, pelos nossos filhos, leia pela necessidade de mudança. Mesmo tantos anos após a prisão de Ray, temos muitos como ele passando pela mesma situação.