Sinopse: Do autor que já conta com mais de 1 milhão de seguidores na internet, estas tirinhas retratam as emoções contraditórias e as situações tragicômicas que enfrentamos no início da vida adulta.Às vezes você mal acorda e já sente que a vida quer te derrubar? Tenta, em vão, conciliar sono, trabalho, exercícios, lazer e vida social, e sente que tem sempre alguém muito melhor do que você em tudo? Não se preocupe, você não está sozinho! Porque a verdade é que não tá fácil pra ninguém.De forma acessível e certeira, as tiras de Andrew Tsyaston discutem ansiedade, depressão, masculinidade tóxica, autoestima e as expectativas de nossa sociedade em relação aos jovens. Ao longo da leitura, é inevitável se identificar e dar muita risada — ainda que, por dentro, você esteja chorando.

Eis um livro que em poucas páginas conseguiu representar muito bem várias fases da minha vida, admito que chegou a ser engraçado reconhecer as diversas semelhanças.

Através de "tirinhas" o autor trouxe muito humor para as situações chatas do cotidiano de muitas pessoas. Quem nunca reclamou por ter que acordar cedo para ir trabalhar ou se viu desanimado mesmo com todos felizes ao redor? 

Apesar de apresentar uma versão mais cômica da vida, é possível ter uma leve e rápida reflexão. Nada que lhe coloque olhando para o horizonte por horas, mas saiba que estas leves histórias trarão algumas recordações e nem todas serão boas.

Por se tratar de um livro com situações pontuais e que não se conectam obrigatoriamente, fica difícil fazer uma postagem mais aprofundada, então pensei bem e cheguei a uma conclusão, não há melhor forma de representar esta obra do que reproduzindo alguns trechos que me divertiram muito.

A regra é clara, vamos rir da desgraçada, pois não tá fácil pra ninguém.






Sinopse: Reinações de Narizinho é o primeiro de uma série de livros que abriria as porteiras do Sítio do Picapau Amarelo para os pequenos leitores do Brasil. Com seu universo único e encantador, as aventuras que Narizinho, Pedrinho, Emília e tantos outros personagens vivem nos arredores do Sítio e no Reino das Águas Claras marcaram a história da literatura brasileira e consagraram Monteiro Lobato como o grande nome de nossa literatura infantojuvenil.
Autor(a): Monteiro Lobato | Editora: Companhia das Letrinhas | Páginas: 248 | Ano: 2019

Esta história me traz boas recordações da minha infância. Não lembro ao certo qual foi o primeiro livro que li na vida, mas sem dúvida alguma as obras do Sítio do Picapau Amarelo marcaram o início da minha trajetória como leitora.

Quando soube do lançamento desta nova edição, sob os cuidados da Companhia das Letrinhas, logo me empolguei com a possibilidade que reviver tais recordações, contudo senti um certo receio, pois agora já com um olhar mais crítico sobre assuntos como racismo e machismo poderia fazer cara feia para algumas cenas retratadas nesta obra.

Fui positivamente surpreendida. Esta edição carrega a história original de uma menina com uma grande imaginação, ótimos amigos e ambientes magicamente descritos, mas não deixou de lado o contexto histórico em que tal narrativa foi construída.

Diversas notas de rodapé, além de uma bela introdução, permitem que o leitor, seja ele novo ou não, evidenciar que algumas falas estavam de acordo com a época em que Monteiro Lobato criou sua grande obra, porém isso não significa que alguns resgates históricos sejam dignos de aplausos.

A língua afiada da boneca Emília permanece intacta, sua fala continua descontrolada em alguns momentos se monstra inconveniente, porém a nota de rodapé trará um puxão de orelha na personagem sem filtro.

Reinações de Narizinho traz o início de uma bela história de aventura, amizade e companheirismo. Neste livro há muita fantasia, reinos mágicos, príncipes e princesas, duques, viscondes e muita alegria. 

A jovem Narizinho, seu primo Pedrinho e os demais personagens do Sítio trarão uma leveza agradável para o seu dia, o levando a recuperar aquela imaginação que rolava solta em sua infância.

Caso você esteja pensando em ler para uma criança ou dar de presente para um pequeno leitor, pode ficar tranquilo. Como eu disse logo no início, esta obra vem completa, pois traz uma história divertida com observações importantes que instigam o leitor da mais variada idade.

Para ver mais detalhes sobre a edição é só dar uma passada lá no nosso Instagram @confraria.cultural.


Sinopse: A pequena Mortina quer, como qualquer outra criança, fazer amigos. Mas há um detalhe: ela é uma menina-zumbi, e sua tia Fafá Lecida não a deixa sair de casa… Até que o Dia das Bruxas chega e, com ele, a chance de Mortina se aventurar fora de casa.
Mortina é uma menina diferente de todas as outras: ela é uma menina-zumbi. Passa os dias no Palacete Decrépito com sua tia Fafá Lecida e seu inseparável amigo, o galgo albino Tristão.
O maior sonho de Mortina é ter amigos de sua idade para brincar, mas sua tia nunca deixa que ela saia de casa, porque tem medo da reação dos humanos ao conhecerem a pequena zumbi.
Para sua alegria, um dia a oportunidade perfeita aparece: o Dia das Bruxas, quando todas as crianças saem às ruas com as fantasias mais horripilantes. Mortina nem vai precisar trocar de roupa para encarar a maior aventura de sua vida.
Autor(a): Barbara Cantini | Editora: Companhia das letrinhas | Páginas: 56 | Ano: 2019

Com uma pele de cor fora do normal, olhos redondinhos diferentes do comum e uma ausência de vida, tornam a existência desta menina-zumbi um tanto quanto solitária. Até mesmo as crianças zumbis precisam de amigos, mas como fazer amizades sem assustar as pessoas? 

Mortina teve uma grande ideia e decide aproveitar a época do ano em que todas as crianças se fantasiam de monstros, seria impossível reconhecê-la em meio aos vampiros e múmias que andam pedindo doces pela vizinhança, sua fantasia com certeza será muito convincente. 

A narrativa é rápida e divertida. Mesmo a história sendo curta é muito fácil se encantar com a imaginação e doçura da protagonista. Seu único desejo é brincar como qualquer outra criança. Mortina não espera grandes mudanças e nem lamenta sua existência, só quer ter companhia.

As ilustrações são belíssimas e caracterizam muito bem os personagens e a história que está sendo narrada. As imagens dão um ar ainda mais encantador ao livro.

Com pouco mais de 50 páginas a leitura se torna muito rápida para os leitores mais afoitos e que querem saber se há um final feliz para a jovem Mortina.

Para os leitores mais jovens, que estão iniciando sua paixão por livros, minha dica é que aproveite muito a companhia desta menina. Ela também está pronta para ser sua amiga, não se deixe levar por sua aparência fora do comum.

Para ver mais detalhes sobre a edição é só dar uma passada lá no nosso Instagram @confraria.cultural.







Sinopse: Quem cuida dos seus filhos quando você não está olhando? Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de Ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de Ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês.
Autor(a): Leïla Slimani | Editora: Planeta (Tusquets)  | Páginas: 192 | Ano: 2018

Duas crianças foram assassinadas pela babá perfeita. Um crime que jamais poderia passar pela cabeça dos pais, vizinhos e demais pessoas que constantemente conviviam com a família. O que teria levado a doce Louise a cometer tamanho ato de crueldade?

Louise era a babá dos sonhos, ao estilo Mary Poppins. Encantadora, inteligente, preocupada com a felicidade de suas crianças e comprometida com o trabalho. Apesar de não se saber muito sobre sua história, nada que se sabe desabonaria sua credibilidade.

Myriam e seu esposo estão felizes com a forma com que Louise organiza a casa, educa as crianças e sempre se faz presente. Os problemas dos pais, cansados após um longo dia de trabalho, parece ser facilmente solucionado com a simples presença da doce babá.


"Quanto mais o tempo passa, mais Louise se sobressai na arte de se tornar, ao mesmo tempo, invisível e indispensável."

Bons sentimentos emanam de Louise, todos notam sua felicidade ao se dedicar às crianças e em nenhum momento se cogita a possibilidade de ela se cansar, parece que ela tem tanta energia quanto os pequenos Mila e Adam.

É fácil encontrar uma leve crítica social nesta obra, principalmente quando a autora demonstra que a babá vive para a família e que seus patrões esperam que ela não tenha outras opções a não ser ficar cuidando dos filhos deles. Nem mesmo suas férias são respeitadas, fazendo com que Louise não apresente vontade própria, realmente sua existência se limita a cuidar dos filhos dos outros.


"- Talvez não devêssemos convidá-la de novo. Acho que é difícil demais pra ela. Deve ser duro ficar vendo tudo aquilo que ela não pode ter."


Esta é uma daquelas histórias que começa pelo fim, onde logo nas primeiras páginas o leitor se depara com um crime terrível e percebe que o decorrer da leitura servirá para explicar o ocorrido. Quando o início já traz uma carga de tensão enorme, o que se espera é que os próximos capítulos sejam evolventes e convincentes, mas infelizmente não foi bem isso que encontrei nestas páginas.

Esperei encontrar traços de psicopatia na assassina, histórico de maldades ou simplesmente uma justificativa para que esta tivesse uma dupla personalidade. Não posso explorar muito o final aqui, mas posso dizer que ele não me convenceu. Sigo imaginando em que momento a perfeição de Louise deu espaço para a crueldade. A linha que separa da babá perfeita da assassina de crianças é muito fina, quase imperceptível.

A história é interessante e permite que o leitor tenha mais cuidado, principalmente na escolha do profissional que ficará a maior parte do dia com seus filhos, porém senti falta de detalhes sobre a vida da babá, algo que ao menos por uma fração de segundo tornasse possível compreender sua atitude final.



Sinopse: Depois de passar algumas décadas fechada, a propriedade no número 112 da Ocean Avenue no subúrbio de Nova York finalmente abre as portas para os leitores da DarkSide® Books. Cercada pela natureza, com janelas amplas e uma sacada espaçosa, ela poderia ser uma casa de bairro tranquila como todas as outras, não fosse seu passado devastador e sangrento. Em 1975, George e Kathleen Lutz resolveram recomeçar a vida em uma nova residência que compraram por uma pechincha. Vinte e oito dias depois, os cinco membros da família fugiram aterrorizados, deixando a maior parte de seus pertences para trás. Estranhos eventos começaram a acontecer, afetando a vida dos Lutz e indicando que uma presença maligna habitava a casa. Embora tenha sido amplamente divulgada pela mídia, em especial nos jornais e nas revistas da época, muitas vezes de maneira sensacionalista, a história da casa nunca havia sido contada com riqueza de detalhes — até Jay Anson decidir reconstruí-la e transformar seu livro de não-ficção em um dos relatos paranormais mais importantes e conhecidos de todos os tempos.
Autor(a): Jay Anson | Editora: Darkside | Páginas: 240 | Ano: 2016

Os anos passam e a história da casa localizada no número 112 da Ocean Avenue permanece sendo contada. As memórias dos antigos moradores continuam sendo contadas, em livros ou filmes, mas sempre trazendo o lado mais sombrio e assustador que a residência proporcionou a quem ousou viver naquele lindo lugar.

Uma casa como qualquer outra, repleta de conforto, em uma propriedade ampla e valorizada que poderia despertar o interesse em qualquer família, porém assim como os seres humanos, aquela residência possui uma história.


"Ao que parece, todos no país tinham ouvido falar sobre aquela tragédia, sobre como Ronald DeFeo, 23 anos, assassinou o pai, a mãe, os dois irmãos e as duas irmãs enquanto dormia, na noite do dia 13 de novembro de 1974."

Não se sabe muito sobre sua construção, mas em um determinado momento de sua existência uma família feliz foi brutalmente morta enquanto dormia. O assassino, membro da família, alegou ter sido induzido a cometer tais assassinatos por vozes que o perseguiam. Se os ouvintes tivessem dado mais atenção para a fala desesperada e desconexa do assassino talvez muitos pesadelos teriam sido evitados.

Tido como um crime qualquer a casa ficou a disposição para um novo dono. Não havia motivos para desconfiar, afinal mortes acontecem em todo lugar e quem em sã consciência deixaria passar a oportunidade de adquirir a residência perfeita por um preço que se poderia pagar?

Os Lutz pensaram assim e ansiaram pelo momento em que realizariam a mudança de seus pertences. George, sua esposa e filhos estavam preparados para uma nova vida naquela linda propriedade, infelizmente eles não imaginaram que esta novidade não seria tão positiva.


"George saiu do Newsday pensando no relatório do legista, que declarava que as mortes dos DeFeo aconteceram por volta das 3h15. Aquele era o momento exato em que vinha acordando desde a mudança para casa!"

Através da forma como são apresentadas as situações de repleto suspense o leitor ganha a possibilidade de ser ver diante dos fatos, não como mero espectador, mas como parte da história. Não estranhe caso comece a imaginar se já vivenciou situações parecidas, mas não saia procurando espíritos por aí.

O autor construiu uma narrativa convincente, bem estruturada e com diálogos úteis para a compreensão dos sentimentos dos personagens, variando entre a ingenuidade das crianças até o ceticismo de George. 

O que fazer quando seus pesadelos começam a se mostrar reais, o padre que poderia lhe auxiliar decide se afastar para se manter seguro e o poder que existe na casa não lhe permite sair?


"Sem dúvida os fenômenos narrados neste livro realmente acontecem - e com pessoas e famílias comuns, que não querem chamar atenção e nem são carentes."

Há quem diga que esta é uma história real e existem elementos que levam o leitor a crer nesta afirmação. Deixe sua imaginação lhe surpreender e permita que Amtyville lhe mostre que até um simples amigo imaginário pode ter olhos assustadores.





Sinopse: Paul Sheldon descobriu três coisas quase simultaneamente, uns dez dias após emergir da nuvem escura. A primeira foi que Annie Wilkes tinha bastante analgésico. A segunda, que ela era viciada em analgésicos. A terceira foi que Annie Wilkes era perigosamente louca. Paul Sheldon é um famoso escritor reconhecido pela série de best-sellers protagonizados por Misery Chastain. No dia em que termina de escrever um novo manuscrito, decide sair para comemorar, apesar da forte nevasca. Após derrapar e sofrer um grave acidente de carro, Paul é resgatado pela enfermeira aposentada Annie Wilkes, que surge em seu caminho.A simpática senhora é também uma leitora voraz que se autointitula a fã número um do autor. No entanto, o desfecho do último livro com a personagem Misery desperta na enfermeira seu lado mais sádico e psicótico. Profundamente abalada, Annie o isola em um quarto e inicia uma série de torturas e ameaças, que só chegará ao fim quando ele reescrever a narrativa com o final que ela considera apropriado. Ferido e debilitado, Paul Sheldon terá que usar toda a criatividade para salvar a própria vida e, talvez, escapar deste pesadelo.
Autor(a): Stephen King | Editora: Suma | Páginas: 326 | Ano: 2014

Quem me conhece sabe que nem sempre fui apaixonada pelas obras de Stephen King, já tive algumas decepções, mas que após um período de resistência acabaram sendo superadas. Gostaria de ter lido este livro antes, provavelmente teria me poupado de anos de ranço com o autor.



Nesta obra somos apresentados a Paul, um autor famoso e que ganhou notoriedade após escrever seu romance de sucesso, Misery, contudo após alguns anos escrevendo o mesmo estilo acabou se cansando e dando um fim à protagonista que havia conquistado milhares de fãs.

O que era para ser um momento de liberdade acabou se transformando em sua prisão, algo que jamais passaria em seus piores pesadelos. Após um período de confusão e dor Paul percebeu que estava em um lugar estranho, com uma mulher que falava coisas que ele não conseguia compreender devido ao efeito alucinante da medicação administrada.

Annie é a fã número um de Paul, diz ter salvo sua vida na estrada e agora o cuida com muito carinho, pois não poderia deixar que seu grande ídolo tivesse um triste fim.

Poderia ser uma história de amor e redenção, mas estamos falando de Stephen King, autor mundialmente conhecido por suas histórias fortes, tensas e repletas de cenas capazes de arrepiar até o leitor mais corajoso.

A grande fã não se mostra muito contente após descobrir o fim de sua protagonista preferida. Ela poderia escrever uma carta reclamando, mas não teria tanto efeito quanto fazer Paul compartilhar da mesma dor. Isso mesmo que você está pensando, Annie não poupará esforços para provocar sofrimento ao criador de Misery, mesmo que em sua louca imaginação ela apenas esteja lhe dando o que merece para que se torne um bom menino e escreva um novo e lindo livro.

"- Então fique aí sentado - disse ela, com os lábios repuxados no ricto sorridente - e lembre-se de quem é que manda, e em tudo o que eu posso fazer para machucar você se você se comportar mal ou tentar me enganar."

King criou uma personagem cruel e ao mesmo tempo doce, esperta e ao mesmo tempo ingênua. Annie consegue oscilar perfeitamente em suas mais distintas características, enquanto isso Paul precisará lidar com cada uma delas, ou seu destino será o pior do que o de Misery. 

A fã de Paul tem uma história terrível, uma fama assustadora e um temperamento difícil. Conforme o leitor vai conhecendo estes detalhes de Annie passa a compartilhar da tensão que o protagonista vive, ansiando pela página seguinte na esperança de que exista alguma salvação.

"- Eu posso não saber o que vai acontecer com Misery, mas eu sei o que vai acontecer comigo... e com você. Eu vou escrever FIM, você vai ler, e então você vai escrever FIM, não vai? O nosso fim."

Esta história me envolveu ao ponto de eu acabar almoçando mais rápido que o normal para poder lê-la no intervalo do trabalho. Senti o que Annie sentia ao ler a história de sua doce Misery, eu também esta loucamente interessada pelo desfecho da trama. E ainda bem que o final foi de acordo com minhas expectativas, caso contrário eu não me responsabilizaria pelos meus atos. Calma, esta última parte foi brincadeirinha (risos).

Alguns leitores poderão se sentir mais angustiados ou com mais repulsa que outros, pois Annie no auge de sua insanidade será capaz de promover as mais diferentes formas de sofrimento ao seu autor preferido e isso será ricamente exposto ao estilo King.

Para quem não sabe, na década de 90 foi lançado um filme baseado nesta obra. Eu ainda não assisti, mas pretendo fazer em breve. Se você já assistiu, comente se vale a pena!




Sinopse: 2017... Uma profecia esquecida do Livro do Apocalipse, reiterada por outros profetas modernos, ressurge…Cientistas descobrem um planeta vermelho em rota de colisão com a Terra. Depois de muito pânico nos quatro cantos do mundo, eles asseguram que o astro passaria a uma distância segura de nós. E todos ficam tranquilos acreditando que nada iria acontecer…
Então 2/3 de todas as pessoas no Planeta caem desmaiadas, vítimas de um estranho surto… "E abriu-se o poço do abismo, de onde saíram seres como gafanhotos com poderes de escorpiões. E os homens buscarão a morte e a morte fugirá deles.” Apocalipse 9,2-6.
E um grupo luta para sobreviver num mundo dominado pelo mal.
Autor(a): Rodrigo de Oliveira | Editora: Faro | Páginas: 304 | Ano: 2014

Muito se especula sobre o fim do mundo, diversas teorias já foram compartilhadas com a humanidade, algumas mais científicas e outras envolvendo crenças religiosas, mas todas chegam a mesma conclusão, a humanidade deixará de existir em algum momento.

Neste livro somos apresentados a algumas destas teorias, devo parabenizar o autor pela bela introdução neste sentido, pois Rodrigo soube criar uma explicação interessante sobre o assunto, criando espaço para introduzir o apocalipse zumbi em sua história.

Mas tenha em mente que a ambientação e descrição do autor sobre os fatos é algo a se elogiar, então saiba que a forma como o surgimento dos zumbis acontece é bem convincente e esclarecedora. Nada aconteceu por acaso, tão pouco os mortos retornaram à vida do nada. Saiba também que personalidades famosas e conhecidas no mundo todo serão citadas em algum momento, nem mesmo presidentes estão a salvo.

"Boa parte de Pequim dormia quando o evento maligno começou. Já era tarde da noite, e muitos haviam se recolhido. Assim, famílias foram surpreendidas por maridos, mulheres e filhos que, de repente, se levantaram de suas camas transformados em feras assassinas."

Apesar de ter me conectado bem os detalhes logo no início, aos poucos comecei a me sentir um pouco cansada com a lentidão que o detalhamento começava a trazer para a narrativa. Confesso que cheguei a pensar que talvez o livro poderia ter menos páginas e ainda assim passaria bem a mensagem. 

Tirando este detalhe, o leitor acompanhará de perto a luta pela sobrevivência de pessoas que nunca se viram antes, mas que precisaram se unir, mesmo que isso não fosse algo que desejassem muito. Crianças dependem das escolhas de adultos desconhecidos, mulheres tomam a frente em determinados momentos e homens precisam deixar seus egos de lado e aprender a trabalhar em equipe.

Ivan e Estela se mostrarão importantes para o desenrolar da trama. Um casal que tinha uma vida perfeitinha, com a casa dos sonhos, filhos educados, bem ao estilo família de comercial de margarina. Conseguiu imaginar? Agora pense essa perfeição toda em meio a tiros, porrada e bomba!

"A internet funcionava de forma intermitente, e agora também parou, portanto, está muito difícil obter detalhes, mas é certo que o fenômeno atingiu todos os países da Terra. Repetindo: todas a nações do mundo foram afetadas por essa infestação..."

O desespero trará à tona o que as pessoas têm de melhor, mas também abrirá portas para que o lado mais terrível de cada um ganhe espaço para se manifestar. Brigas serão inevitáveis e a disputa por poder se tornará presente, por ora a necessidade de sobrevivência dará espaço para intrigas, mentiras, fortes laços de amizades, mas também vontade de vingança.

Me desanimei um pouco em determinados momentos, isso é verdade, mas acredito que tenha valido a pena, pois o final me fez recuperar toda a energia que fui perdendo no decorrer da leitura. Agora sigo ansiosa para ler a continuação, que por sinal já está aqui na estante só aguardando um tempinho para ser lida.




 
Sinopse: Considerada a obra mais visceral de Tarryn Fisher, você entenderá porque leitores de vários países o elegeram como um dos livros mais especiais de suas vidas.Quando a escritora Senna Richards acorda na manhã de seu aniversário, ela não está em seu quarto. Raptada e trancada numa casa em meio a uma tempestade de neve, ela precisa decifrar as pistas ligadas ao seu passado para conseguir fugir. Forjada pela dor, moldada pelo abandono, Senna se tornou uma mulher que destrói antes de ser destruída...Apenas uma pessoa conseguiu atravessar suas barreiras e conquistar sua confiança, mas isso aconteceu há muitos anos...“Isaac era um estranho, mas foi capaz de enxergar minhas feridas mais do que qualquer outra pessoa.”O cirurgião Isaac encontrou Senna em um momento de caos e vulnerabilidade, depois de um furacão que lançava cinzas sobre suas feridas. Ele a ajudou quando ninguém mais pôde, mas agora, tudo está diferente. Depois de tanto tempo distantes um do outro, os dois estão presos na mesma cabana, e podem ser consumidos por recordações que esperavam esquecer. Além do perigo que os cerca, a escassez de comida e água, e os jogos perigosos do raptor, um sentimento antigo começa a despertar, ameaçando romper novamente as defesas de Senna, o que pode ser fatal.
Autor(a): Tarryn Fisher | Editora: Faro | Páginas: 288 | Ano: 2019

Senna acorda em um lugar desconhecido, possui vagas lembranças da noite anterior, mas apesar do leve esquecimento não vê motivos para estar uma cama diferente da sua. O medo passa a ocupar sua mente e as respostas ficam cada vez mais distantes.

Alguns detalhes no quarto podem despertar sua atenção, contudo nada será mais atrativo do que a presença de outra pessoa aprisionada na mesma residência. Isaac está amarrado e tão confuso quanto Senna, porém há um motivo para os dois terem sido colocados juntos sob o mesmo teto. Em alguma parte do passado o caminho dos dois se cruzou e esta história será relembrada por ambos.

A autora traz ao leitor a possibilidade de conhecer o passado dos protagonistas, mediante algumas recordações, enquanto intercala com situações atuais e difíceis que ambos precisam enfrentar. Imagine quão difícil deve ser acordar e perceber que se está preso em um lugar estranho e que não há formas seguras de sair da casa, mas ficar nela pode também trazer riscos.

"A espera pela morte é a pior forma de tortura que uma pessoa pode imaginar. Isaac está aturdido, sem rumo... posso perceber isso nos círculos escuros que se formaram em torno dos olhos deles. Tem dormido menos que eu, mas sei que não estou muito melhor. Isso está devorando a gente por dentro."

A narrativa por vezes se torna um pouco cansativa, com trechos desnecessários, mas que não atrapalham tanto na leitura. É possível se envolver pela situação dos personagens, mesmo se em determinado momento a história caminhar para algo meio fora da realidade.

Durante a leitura é possível criar algumas teorias, todas obviamente giram em torno da intimidade que os protagonistas um dia tiveram, mas quem se importaria tanto com o passado deles ao ponto de querer colocá-los juntos novamente e correndo riscos?

"Eu prefiro não ter ninguém por perto se tudo o que as pessoas veem são as coisas que eu faço ou as coisas que acontecem comigo, e não quem realmente sou."

Não espere encontrar surpresas arrebatadoras e que proporcionem momentos de falta de ar. Este livro traz uma dose de suspense, mas não o suficiente para deixar o leitor por horas pensando no que acabou de ler, nem mesmo se questionando se entendeu corretamente cada "pista".

Há um mistério a se desvendar, que na minha opinião não foi tão difícil, mas que valeu a leitura. O final é interessante, mas segue o ritmo dos demais capítulos, não deixa uma grande marca.




Sinopse: Lançado em 1974, o quinto romance de James Baldwin narra os esforços de Tish para provar a inocência de Fonny, seu noivo, preso injustamente. Livro que inspirou o filme dirigido por Barry Jenkins, vencedor do Oscar por Moonlight.Tish tem dezenove anos quando descobre que está grávida de Fonny, de 22. A sólida história de amor dos dois é interrompida bruscamente quando o rapaz é acusado de ter estuprado uma porto-riquenha, embora não haja nenhuma prova que o incrimine. Convicta da honestidade do noivo, Tish mobiliza sua família e advogados na tentativa de libertá-lo da prisão.
Autor(a): James Baldwin | Editora: Companhia das Letras | Páginas: 224 | Ano: 2019

Recentemente um filme homônimo ganhou notoriedade após ser indicado em algumas categorias de uma premiação muito famosa, o Oscar.

Confesso que até então eu desconhecia completamente a existência deste livro, uma falha minha, pois com certeza se o tivesse lido antes acabaria me sentindo empolgada para assistir ao filme, que por sinal eu ainda não vi.

Nesta história estaremos diante de um casal jovem, com uma história de amor real, sem aquela romantização exagerada ou fantasiosa. Tish e Fonny são pessoas simples e tão próximas da realidade que a dor deles se mistura com a do leitor.

"O homem branco é um demônio. Com certeza não é humano. Algumas das coisas que eu vi, cara, vão me dar pesadelo até o dia em que eu morrer."

Fonny estava seguindo sua vida normalmente, almejando se casar com seu grande amor e construir uma bela família, contudo sua trajetória foi marcada pela acusação de um crime. Há quem acredite que ele seja o responsável por estuprar uma mulher, principalmente o policial reconhecido por suas atitudes racistas. O depoimento da vítima pode não ser tão sincero quanto a família de Fonny e Tish gostariam, mas como culpar uma mulher amedrontada e induzida ao erro?

"E não tenho vergonha do Fonny. Tenho mais é orgulho. Ele é um homem. Pelo jeito que aguentou essa merda toda, dá para ver que é um homem de verdade."

A cor da pele do acusado dirá mais sobre seu caminho diante da justiça do que sua palavra. Conseguiu imaginar algum tipo de conexão entre esta obra e a realidade em que vivemos? Acredito que em algum momento do livro o leitor identificará traços da sociedade em vive, das pessoas ao seu redor e não conseguirá conduzir a leitura sem se ver atingido pela tormenta que pairou sobre a cabeça dos protagonistas.

Tish poderia ter abandonado o futuro marido, mas se viu obrigada a descobrir a verdade e mostrar para todos. Sua fé na inocência de Fonny se torna surpreendente, pois ela não oscila.

"Espero que ninguém nunca seja obrigado a ver a pessoa que ama através de um vidro."

Apesar de se tratar de um assunto tão sério, posso dizer que a leitura transcorre tranquilamente, sem grandes revelações dignas de causar tensão. Não encontrei nestas páginas algo que mexesse com meus sentimentos, mas nem por isso deixei de me envolver pela belíssima forma como foram escritas.

Uma coisa importante a falar aos que não gostam que os livros tenham capa relacionada ao filme, é que esta edição possui uma jacket, ou seja, a capa segue intacta, porém com uma roupinha bonita com referência ao longa.




Sinopse: Uma releitura corajosa e atual da trajetória de Circe, a poderosa – e incompreendida – feiticeira da Odisseia de Homero. Na casa do grande Hélio, divindade do Sol e o mais poderoso da raça dos titãs, nasce uma menina. Circe é uma garotinha estranha: não parece ter herdado uma fração sequer do enorme poder de seu pai, muito menos da beleza estonteante de sua mãe, a ninfa Perseis. Deslocada entre deuses e seus pares, os titãs, Circe procura companhia no mundo dos homens, onde enfim descobre possuir o poder da feitiçaria, sendo capaz de transformar seus rivais em monstros e de aterrorizar os próprios deuses. Sentindo-se ameaçado, Zeus decide bani-la a uma ilha deserta, onde Circe aprimora suas habilidades de bruxa, domando perigosas feras e cruzando caminho com as mais famosas figuras de toda a mitologia grega: o engenhoso Dédalo e Ícaro, seu filho imprudente, a sanguinária Medeia, o terrível Minotauro e, é claro, Odisseu. E os perigos são muitos para uma mulher condenada a viver sozinha em uma ilha isolada. Para proteger o que mais ama, Circe deverá usar toda a sua força e decidir, de uma vez por todas, se pertence ao reino dos deuses ou ao dos mortais que ela aprendeu a amar. Personagens vívidos e extremamente cativantes, aliados a uma linguagem fascinante e um suspense de tirar o fôlego, fazem de Circe um triunfo da ficção, um épico repleto de dramas familiares, intrigas palacianas, amor e perda. Acima de tudo, é uma celebração da força indomável de uma mulher em meio a um mundo comandado pelos homens.
Autor(a): Madeline Miller | Editora: Planeta | Páginas: 368 | Ano: 2019

Circe está pronta para lhe contar sua história, então esteja aberto para conhecer este mundo fantástico e repleto de mitologia do qual ela faz parte.

Eis uma jovem ninfa um pouco diferente, não a imagine bela e dona de uma simpatia estonteante, Circe estava mais para o patinho feio das ninfas, a filha desprezada e a mulher ignorada. 

"Foi a minha primeira lição. Por baixo da face lisa e familiar das coisas, há outra que aguarda para rasgar o mundo em dois."

Desde cedo ela percebeu que não recebia os mesmos tratamentos que seus irmãos e conforme foi crescendo se deu conta de que nem mesmo os mortais a respeitariam, sendo assim precisaria se mostrar importante de alguma forma, se não fosse por seus dotes físicos, que fosse por sua inteligência.

"Minha vida inteira, eu tinha esperado a tragédia me encontrar. Nunca duvidara de que me encontraria, pois trazia em mim mais desejos, desafios e poderes do que os outros pensavam que eu merecia - todas as coisas atraíam o raio."

Após ser rejeitada por um homem que desejava, a protagonista opta por um ato de rebeldia e passa a ter seu nome gravado na história. Ao se ver tão longe do que tanto almejava e observando sua grande paixão desejar outra, ela decide usar de seu conhecimento com plantas e magia para provar que o alvo de seu amado não era digno de amor.

"Deixe-me dizer o que a magia não é: não é poder divino, que vem com um pensamento e um piscar de olhos. Deve ser feita e trabalhada, planejada e procurada, desenterrada, secada, fatiada e moída, cozinhada, encantada e cantada."

Circe deu vida a um dos monstros mais aterrorizantes do mar, Cila. O que antes era uma jovem bela e radiante se tornou um ser abominável, destruidor e sedento por vingança. Não havia uma pessoa que não conhecesse a fama de Cila.

Mas há muito mais a se saber sobre a vida desta protagonista vingativa, porém com um bom coração. Circe se mostra intensa e determinada nesta história, o que por vezes a mostra como uma personagem egoísta.

Gostei da forma como esta figura mitológica foi criada nesta obra, suas atitudes foram guiadas por suas crenças e desejos, até seus momentos de maldade foram pautados por seus sentimentos, então saiba Circe oscila entre boa filha e rebelde, uma bruxa brilhante e uma frágil mulher, uma mãe exemplar e um ser desprezível.

"Humilhar mulheres parece ser um dos passatempos preferidos dos poetas. Como se não pudesse haver uma história se não rastejarmos e choramingarmos."

Este é um ótimo livro para que se interessa por mitologia e suas mais variadas interpretações e releituras. Não sou grande especialista no tema, mas sempre me empolgo com histórias mitológicas. Confesso que às vezes até imagino como elas foram construídas, considerando a época em que foram contadas pela primeira vez.

A narrativa é simples e envolvente, capaz de proporcionar ao leitor uma experiência tão gostosa que o livro pode ser lido de forma muito rápida.