Sinopse: Encontrar uma bela boneca antiga em uma venda de garagem é uma sensação incrível, até você levá-la consigo e ela decidir caminhar pela casa após a meia-noite. Antiquários, feirinhas de rua, heranças de família: os objetos assombrados estão em todos os lugares e invadem nossas vidas de uma maneira discreta, quase acidental. Será mesmo?
Autor(a): Stacey Graham | Editora: Darkside | Páginas: 224 | Ano: 2019

Em algum momento você já se pegou observando alguma peça em museu e se perguntou qual seria sua história? Ou talvez já ouviu relatos de pessoas que viram algum objeto se mover, barulhos em alguma casa antiga ou até mesmo ruídos em sua própria residência?

Caso ainda não tenha presenciado ou ouvido qualquer relato envolvendo objetos amaldiçoados ou que carregam energia negativa, você está tendo muita sorte. Se pretende permanecer assim, sugiro que não se aventure nesta leitura, mas posso adiantar que vai perder histórias bem interessantes.

Este livro apresenta histórias intrigantes, com um ar sombrio e que permite que o leitor comece a questionar se aquele barulho que ouviu durante a madrugada era normal ou se poderia ser algo a mais.

"Objetos encontrados carregam energias e às vezes lembranças boas e ruins que podem não pertencer a você. - Lorraine Warren"

Aos mais sensíveis posso adiantar que não há o que temer. As histórias trazem sim uma atmosfera mais sinistra à leitura, mas os fatos compartilhados não causam medo, tão pouco lhe deixarão com dificuldade de dormir, apenas lhe farão pensar se o que você vê é puro e simplesmente um objeto qualquer.

Dividido em categorias que variam desde bonecos demoníacos até casos envolvendo mistérios em oceanos, a autora transita por várias situações capazes de ampliar a curiosidade do leitor. Digo isso, pois ao concluir a leitura percebi que já estava na internet buscando imagens sobre alguns objetos citados e me aprofundando em alguns assuntos abordados, como por exemplo as maldições.

"Somente quando relaxamos e permitimos que os sentidos baixem a guarda é que vemos mesmo as bordas turvas da realidade."

É um livro fácil de ser lido, com um capricho especial característico das obras publicadas pela Darkside. Acredito ser uma boa pedida para quem tem curiosidade sobre o assunto ou apenas quer sair da sua zona de conforto dos contos de fadas.

Confesso que esperei sentir arrepios, mas infelizmente isso não aconteceu. Talvez se eu tivesse visto mais imagens impactantes durante a leitura esta impressão teria mudado.



Difícil de acreditar, mas já se passaram dois anos desde a nossa queridíssima Bienal do Rio. Parece que piscamos e chegou o tão aguardado ano de 2019. Aquele ano em que todos os leitores cariocas aguardam ansiosamente, vem a aflição, as listas são intermináveis de livros pretendidos, a saudade de rever rostos conhecidos nos corredores da bienal.

As novidades deixam nossos nervos a flor da pele, sempre ficamos pensando qual será a novidade que as editoras estão preparando para nos receber. Ainda ficamos pensando em como estará o estande daquela nossa editora preferida.

Assim, para você que ainda tem dúvida ou para você que nunca foi à Bienal, separei 4 motivos pra te convencer a fazer um esforço e, quem sabe, aquele planejamento futuro.


Contato direto com o autor
Sabe aquele autor do seu livro preferido? Se ele for internacional e você tiver sorte, pode ser que ele esteja nessa imensa feira literária, mas se o seu queridinho é nacional, essa é a GRANDE HORA de você dar bastante amor em forma de carinhos (isso acontece quando não queremos matar, claro que na brincadeirinha). Ao mesmo tempo que ficamos felizes por encontrar aquela pessoa que, de certa forma, fez parte do nosso dia a dia, deixamos o autor feliz por estarmos o privilegiando.


Reencontrar amigos
Você deve estar se perguntando: “Como assim? Eu já vejo meu amigo todos os dias e irei com ele”. Aí que você se engana. Se tem uma coisa que é estabelecida durante a Bienal é amizade. Com certeza você sairá com alguns conhecidos das imensas filas de lá (se tem uma coisa que Carioca gosta é fila). Logo, eventualmente, você estará sempre reencontrando amigos e unindo tudo o que há de bom: literatura e amizade.


Eventos 
Além dos estandes nos três imensos pavilhões, possuem auditórios para que sejam realizados muitos eventos literários. E sim, a essência é a mesma, se não melhor, pois esse é o seu momento de aproveitar um clube do livro com seu amigo que você só consegue reencontrar a cada 2 anos. Diversos blogs se juntam e apresentam seu clube do livro dando enfoque a algum tema recorrente do ano ou fazem um clube totalmente temático. Ao final da conversa, você ainda pode garantir aquele brinde adquirido através do sorteio. Lembrando que esses encontros ocorrem, muitas vezes, com iniciativa do blog. Não é sempre que eles possuem um auditório ou coisas do tipo.


Meet and Greet
Tirando os eventos literários organizados pelos blogueiros, tem os espaços que são organizados pela própria Bienal (Arena Sem Filtro e Café Literário), onde são feitas mesas redondas num esquema de bate papo. Sendo você livre para comentar, perguntar, falar o que achou e como se sentiu. Cada espaço tem sua particularidade de temas. Logo, pode ser que você curta os assuntos que serão tratados apenas em um espaço ou de todos eles, isso vai do seu gosto pessoal. Já adianto que todos são ótimos e você pode sair de lá com uma bagagem grande de aprendizagem. Além disso, alguns deles tem a presença dos autores renomados nacionais e internacionais, já se imaginou bem pertinho e naquele bate papo gostoso com seu autor preferido (vamos combinar que ele nem precisa ser preferido também, né?).


Tem como não querer estar presente nessa grande e queridíssima Feira Literária? Como andam os preparativos de vocês para essa XIX edição? Conta aqui para a gente!



Sinopse: Um crime brutal cometido há vinte anos, uma única sobrevivente, o retorno calculado do assassino. Em quem Victoria deve confiar? Neste thriller psicológico, Raphael Montes une romance e suspense em uma narrativa intrincada e sedutora. Victoria Bravo tinha quatro anos quando um homem invadiu sua casa e matou sua família a facadas, pichando seus rostos com tinta preta. Única sobrevivente, ela agora é uma jovem solitária e tímida, com pesadelos frequentes e sérias dificuldades para se relacionar. Seu refúgio é ficar em casa e observar a vida alheia pelas janelas do apartamento onde mora, na Lapa, Rio de Janeiro.Mas o passado bate à sua porta, e ela não sabe mais em quem pode confiar. Obrigada a enfrentar sua própria tragédia, Victoria embarca em uma jornada de amadurecimento e descoberta que a levará a zonas obscuras, mas também revelará as possibilidades do amor. Um psiquiatra, um amigo feito pela internet e um possível namorado — qual dos três homens está usando tudo o que sabe para aterrorizar a vida de Vic? E o que afinal ele quer com ela?
Autor(a): Raphael Montes | Editora: Companhia das Letras | Páginas: 256 | Ano: 2019

Victoria era muito pequena quando ocorreu um crime brutal envolvendo sua família, sendo ela a única sobrevivente do massacre ocorrido em sua residência. Apesar de tão nova, diversas imagens estão fixadas em sua memória e o trauma a acompanhará durante sua adolescência se enraizando em sua fase adulta.

"Na madrugada de seu aniversário de quatro anos, Victoria mergulho na escuridão."

A jovem protagonista apresenta dificuldade em criar vínculos, o que não é de se estranhar considerando o tormento pelo qual foi obrigada a passar. Nem mesmo as diversas sessões de terapia se mostram eficazes.

Há apenas um amigo em sua vida, mas apesar do laço de amizade, Victoria não se sente pronta para mostrar mais de si, tão pouco se interessa em conhecer seu amigo. Nem mesmo nomes verdadeiros são necessários, se não há interesse em aproximação para que saber mais do que apelidos?

Com o decorrer da narrativa a protagonista começa a se interessar pelo passado que tentou esquecer. Diversas situações mostram que mesmo após tantos anos ela ainda não está segura.

"Ignorar o passado foi a maneira que você encontrou para seguir em frente, e funcionou até hoje. mas, diante do que aconteceu, não dá para continuar assim. Não pode simplesmente suspender sua vida por causa dessa pichação na parede. Esse cara é perigoso. Se estiver de volta, você tem que se proteger."

Este thriller promete envolver o leitor em sua trama. A protagonista tem o poder de crescer durante os capítulos, seus medos se tornam reais e sua vida passa a ficar em jogo. Desistir não é uma opção válida!

O assassino é guiado por uma motivação, que durante anos foi ignorada por alguns e ocultada por outros. Victoria precisará conhecer os segredos de sua família, compreender seu próprio passado para ter alguma chance de sobrevivência.

"Até hoje me pergunto por que ele fez aquilo. Mas acho que sempre vai ser um mistério. Talvez nem ele soubesse responder. Pra mim, nunca fez sentido. Um dia, um bom garoto invade uma casa com uma faca e mata todo mundo. Cadê a lógica?"

Acertei quem era o assassino, estou virando especialista nisso e penso até em trocar de profissão. Brincadeiras à parte, o leitor mais atento conseguirá captar as pistas certas, mas não se engane, pois mesmo encontrando o suspeito perfeito, será importante entender sua motivação e isso é um pouco mais difícil.

Esta é uma história onde todos são suspeitos até que se prove o contrário. A regra é clara, não confie em ninguém e desconfie de si mesmo.



Sinopse: "Em abril de 1986, uma explosão na usina nuclear de Tchernóbil, na Ucrânia então parte da finada União Soviética , provocou uma catástrofe sem precedentes: uma quantidade imensa de partículas radioativas foi lançada na atmosfera e a cidade de Pripyat teve que ser imediatamente evacuada. Tão grave quanto o acidente foi a postura dos governantes soviéticos, que expunham trabalhadores, cientistas e soldados à morte durante os reparos na usina. Pessoas comuns, que mantinham a fé no grande império comunista, pereciam após poucos dias de serviço. Por meio das vozes dos envolvidos na tragédia, Svetlana constrói este livro arrebatador, que tem a força das melhores reportagens jornalísticas e a potência dos maiores romances literários. Uma obra-prima do nosso tempo. "
Autor(a): Svetlana Aleksiévitch | Editora: Companhia das letras | Páginas: 384 | Ano: 2016

Há algumas décadas um acidente nuclear mudou a vida de milhares de pessoas. Um incidente digno de ficar na memória da população mundial e despertar diversos alertas nas nações que se utilizam de tal meio para produzir energia.

"Em menos de uma semana, Tchernóbil se tornou um problema para o mundo inteiro."

Recentemente a HBO lançou uma mini série que explora o ocorrido naquele terrível acidente e como vidas foram impactadas pela falta de informação. Diversos momentos retratados realmente existiram, outros fizeram parte da ficção para atrair o público. 

"Antes de Tchernóbil, havia 82 casos de doenças oncológicas para cada 100 mil habitantes. Hoje a estatística indica que há 6 mil doentes para os mesmos 100 mil habitantes. Os casos multiplicaram-se quase 74 vezes."

Neste livro você terá a oportunidade de conhecer apenas o que realmente aconteceu na vida das pessoas atingidas por esta catástrofe. A autora se pautou em relatos, sem fantasias ou exageros, apenas as falas dos inúmeros personagens desta história.

A autora trouxe para as páginas deste livro algo digno de promovera empatia. A narrativa de cada personagem é distinta, pois cada um absorveu a tragédia de uma forma e com o passar dos anos puderam concluir de forma diferente o que acabaram vivenciando.

"Eu quero testemunhar , a minha filha morreu por culpa de Tchernóbil. E ainda querem nos calar. Dizem que a ciência ainda não comprovou, não há banco de dados."

Senti uma proximidade com cada narrador, é fácil ao leitor imaginar estar construindo um diálogo com cada um. Algumas perguntas começam a permear a imaginação de quem lê, mas nem tudo será respondido, lembre que até hoje, décadas depois do acidente, muita informação segue sendo ocultada.

"Dez anos se passaram. E é como se nada tivesse acontecido; se não fosse pela doença, eu teria esquecido..."

É uma leitura mais densa, carregada de dor, traumas, medos e insegurança, por este motivo acabei lendo em pequenas doses, intercalando com outras histórias mais leves ou totalmente ficcional. 





Sinopse: Ao limpar o escritório de seu pai, falecido há uma semana, a investigadora forense Rory encontra pistas e documentos ocultados da justiça que a fazem mergulhar num caso sem solução ocorrido 40 anos atrás. No verão de 1979, cinco mulheres de Chicago desapareceram. O predador, apelidado de Ladrão, não deixou nenhum corpo ou pista — até que a polícia recebeu um pacote enviado por uma mulher misteriosa chamada Angela Mitchell, cujas habilidades não-ortodoxas de investigação levaram à sua identidade. Mas antes que a polícia pudesse interrogá-la, Angela desapareceu. Agora, Rory descobre que o Ladrão está prestes ser posto em liberdade condicional pelo assassinato de Angela: o único crime pelo qual foi possível prendê-lo. Sendo um ex-cliente de seu pai, Rory reluta em representar o assassino, que continua afirmando não ser o assassino de Angela. Agora o acusado deseja que Rory faça o que seu pai prometeu: provar que Angela ainda está viva. Enquanto Rory começa a reconstruir os últimos dias de Angela, outro assassino emerge das sombras, replicando o mesmo modus operandi daqueles assassinatos. A cada descoberta, Rory se enreda mais no enigma de Angela Mitchell, e na mente atormentada do Ladrão.Traçar conexões entre passado e presente é a única maneira de colocar um ponto final naquele pesadelo, mas até Rory pode não estar preparada para a verdade...

Autor(a): Charlie Donlea | Editora: Faro | Páginas: 304 | Ano: 2019

No final de década de 1970 algumas mulheres começaram a desaparecer, seus corpos nunca foram encontrados e sequer se suspeitava a causa, tão pouco o responsável. O medo tomava conta das pessoas que moram próximas aos desaparecimentos e a insegurança era presente na vida da maior parte das mulheres.

O leitor terá a oportunidade de visualizar o que aconteceu com uma destas mulheres, acompanhando a motivação de seu assassino e a forma como sua vida era tirada, contudo sua identidade não será revelada tão facilmente.

Anos depois um homem é preso, há suspeita de que ele seja o terrível Ladrão, porém como provar se os corpos nunca foram encontrados? É preciso traçar muito bem a estratégia para incriminá-lo, porém as famílias das mulheres desaparecidas não terão a oportunidade de enterrar os corpos de suas mães, irmãs, esposas, etc.

O passado e o presente se conectam de forma intensa e bem desenvolvida nesta trama repleta de surpresas.

O autor permite que o leitor acompanhe a história em diferentes perspectivas, variando entre períodos e personagens diferentes. Ora acompanhará um pouco das motivações do criminoso, ora dará um salto do tempo e acompanhará descobertas importantes reveladas por um advogado.

Mas há algo que é preciso estar atento, este serial killer não foi tão esperto quanto imaginava. Em algum momento de sua busca por vítimas outra pessoa estava atenta a pequenos detalhes e passou a desenvolver hipóteses na esperança de revelar sua identidade.


"Com a conscientização do público, ele passou a espreitar com mais cuidado, planejar com mais detalhes e encobrir os rastros com mais perfeição."

Já tive a oportunidade de ler outros livros escritos por Charlie, mas sem dúvida este foi o que mais me surpreendeu. Não digo que seja impossível criar teorias e desvendar alguns mistérios, porém a forma como tudo se conectou e fez sentido acabou dando à história um ar de veracidade incrível.

Senti facilidade em concluir a leitura, pois a todo instante encontrava mais motivos para me prender à história. Não fui conquistada pelos personagens de forma individual, mas como ocorre em raros momentos, este detalhe não interferiu no meu interesse pela conclusão e na torcida pelo final, que por sinal não me decepcionou.
 
Sinopse: Do autor que já conta com mais de 1 milhão de seguidores na internet, estas tirinhas retratam as emoções contraditórias e as situações tragicômicas que enfrentamos no início da vida adulta.Às vezes você mal acorda e já sente que a vida quer te derrubar? Tenta, em vão, conciliar sono, trabalho, exercícios, lazer e vida social, e sente que tem sempre alguém muito melhor do que você em tudo? Não se preocupe, você não está sozinho! Porque a verdade é que não tá fácil pra ninguém.De forma acessível e certeira, as tiras de Andrew Tsyaston discutem ansiedade, depressão, masculinidade tóxica, autoestima e as expectativas de nossa sociedade em relação aos jovens. Ao longo da leitura, é inevitável se identificar e dar muita risada — ainda que, por dentro, você esteja chorando.

Eis um livro que em poucas páginas conseguiu representar muito bem várias fases da minha vida, admito que chegou a ser engraçado reconhecer as diversas semelhanças.

Através de "tirinhas" o autor trouxe muito humor para as situações chatas do cotidiano de muitas pessoas. Quem nunca reclamou por ter que acordar cedo para ir trabalhar ou se viu desanimado mesmo com todos felizes ao redor? 

Apesar de apresentar uma versão mais cômica da vida, é possível ter uma leve e rápida reflexão. Nada que lhe coloque olhando para o horizonte por horas, mas saiba que estas leves histórias trarão algumas recordações e nem todas serão boas.

Por se tratar de um livro com situações pontuais e que não se conectam obrigatoriamente, fica difícil fazer uma postagem mais aprofundada, então pensei bem e cheguei a uma conclusão, não há melhor forma de representar esta obra do que reproduzindo alguns trechos que me divertiram muito.

A regra é clara, vamos rir da desgraçada, pois não tá fácil pra ninguém.






Sinopse: Reinações de Narizinho é o primeiro de uma série de livros que abriria as porteiras do Sítio do Picapau Amarelo para os pequenos leitores do Brasil. Com seu universo único e encantador, as aventuras que Narizinho, Pedrinho, Emília e tantos outros personagens vivem nos arredores do Sítio e no Reino das Águas Claras marcaram a história da literatura brasileira e consagraram Monteiro Lobato como o grande nome de nossa literatura infantojuvenil.
Autor(a): Monteiro Lobato | Editora: Companhia das Letrinhas | Páginas: 248 | Ano: 2019

Esta história me traz boas recordações da minha infância. Não lembro ao certo qual foi o primeiro livro que li na vida, mas sem dúvida alguma as obras do Sítio do Picapau Amarelo marcaram o início da minha trajetória como leitora.

Quando soube do lançamento desta nova edição, sob os cuidados da Companhia das Letrinhas, logo me empolguei com a possibilidade que reviver tais recordações, contudo senti um certo receio, pois agora já com um olhar mais crítico sobre assuntos como racismo e machismo poderia fazer cara feia para algumas cenas retratadas nesta obra.

Fui positivamente surpreendida. Esta edição carrega a história original de uma menina com uma grande imaginação, ótimos amigos e ambientes magicamente descritos, mas não deixou de lado o contexto histórico em que tal narrativa foi construída.

Diversas notas de rodapé, além de uma bela introdução, permitem que o leitor, seja ele novo ou não, evidenciar que algumas falas estavam de acordo com a época em que Monteiro Lobato criou sua grande obra, porém isso não significa que alguns resgates históricos sejam dignos de aplausos.

A língua afiada da boneca Emília permanece intacta, sua fala continua descontrolada em alguns momentos se monstra inconveniente, porém a nota de rodapé trará um puxão de orelha na personagem sem filtro.

Reinações de Narizinho traz o início de uma bela história de aventura, amizade e companheirismo. Neste livro há muita fantasia, reinos mágicos, príncipes e princesas, duques, viscondes e muita alegria. 

A jovem Narizinho, seu primo Pedrinho e os demais personagens do Sítio trarão uma leveza agradável para o seu dia, o levando a recuperar aquela imaginação que rolava solta em sua infância.

Caso você esteja pensando em ler para uma criança ou dar de presente para um pequeno leitor, pode ficar tranquilo. Como eu disse logo no início, esta obra vem completa, pois traz uma história divertida com observações importantes que instigam o leitor da mais variada idade.

Para ver mais detalhes sobre a edição é só dar uma passada lá no nosso Instagram @confraria.cultural.


Sinopse: A pequena Mortina quer, como qualquer outra criança, fazer amigos. Mas há um detalhe: ela é uma menina-zumbi, e sua tia Fafá Lecida não a deixa sair de casa… Até que o Dia das Bruxas chega e, com ele, a chance de Mortina se aventurar fora de casa.
Mortina é uma menina diferente de todas as outras: ela é uma menina-zumbi. Passa os dias no Palacete Decrépito com sua tia Fafá Lecida e seu inseparável amigo, o galgo albino Tristão.
O maior sonho de Mortina é ter amigos de sua idade para brincar, mas sua tia nunca deixa que ela saia de casa, porque tem medo da reação dos humanos ao conhecerem a pequena zumbi.
Para sua alegria, um dia a oportunidade perfeita aparece: o Dia das Bruxas, quando todas as crianças saem às ruas com as fantasias mais horripilantes. Mortina nem vai precisar trocar de roupa para encarar a maior aventura de sua vida.
Autor(a): Barbara Cantini | Editora: Companhia das letrinhas | Páginas: 56 | Ano: 2019

Com uma pele de cor fora do normal, olhos redondinhos diferentes do comum e uma ausência de vida, tornam a existência desta menina-zumbi um tanto quanto solitária. Até mesmo as crianças zumbis precisam de amigos, mas como fazer amizades sem assustar as pessoas? 

Mortina teve uma grande ideia e decide aproveitar a época do ano em que todas as crianças se fantasiam de monstros, seria impossível reconhecê-la em meio aos vampiros e múmias que andam pedindo doces pela vizinhança, sua fantasia com certeza será muito convincente. 

A narrativa é rápida e divertida. Mesmo a história sendo curta é muito fácil se encantar com a imaginação e doçura da protagonista. Seu único desejo é brincar como qualquer outra criança. Mortina não espera grandes mudanças e nem lamenta sua existência, só quer ter companhia.

As ilustrações são belíssimas e caracterizam muito bem os personagens e a história que está sendo narrada. As imagens dão um ar ainda mais encantador ao livro.

Com pouco mais de 50 páginas a leitura se torna muito rápida para os leitores mais afoitos e que querem saber se há um final feliz para a jovem Mortina.

Para os leitores mais jovens, que estão iniciando sua paixão por livros, minha dica é que aproveite muito a companhia desta menina. Ela também está pronta para ser sua amiga, não se deixe levar por sua aparência fora do comum.

Para ver mais detalhes sobre a edição é só dar uma passada lá no nosso Instagram @confraria.cultural.







Sinopse: Quem cuida dos seus filhos quando você não está olhando? Apesar da relutância do marido, Myriam, mãe de duas crianças pequenas, decide voltar a trabalhar em um escritório de advocacia. O casal inicia uma seleção rigorosa em busca da babá perfeita e fica encantado ao encontrar Louise: discreta, educada e dedicada, ela se dá bem com as crianças, mantém a casa sempre limpa e não reclama quando precisa ficar até tarde. Aos poucos, no entanto, a relação de dependência mútua entre a família e Louise dá origem a pequenas frustrações – até o dia em que ocorre uma tragédia. Com uma tensão crescente construída desde as primeiras linhas, Canção de Ninar trata de questões que revelam a essência de nossos tempos, abordando as relações de poder, os preconceitos entre classes e culturas, o papel da mulher na sociedade e as cobranças envolvendo a maternidade. Publicado em mais de 30 países e com mais de 600 mil exemplares vendidos na França, Canção de Ninar fez de Leïla Slimani a primeira autora de origem marroquina a vencer o Goncourt, o mais prestigioso prêmio literário francês.
Autor(a): Leïla Slimani | Editora: Planeta (Tusquets)  | Páginas: 192 | Ano: 2018

Duas crianças foram assassinadas pela babá perfeita. Um crime que jamais poderia passar pela cabeça dos pais, vizinhos e demais pessoas que constantemente conviviam com a família. O que teria levado a doce Louise a cometer tamanho ato de crueldade?

Louise era a babá dos sonhos, ao estilo Mary Poppins. Encantadora, inteligente, preocupada com a felicidade de suas crianças e comprometida com o trabalho. Apesar de não se saber muito sobre sua história, nada que se sabe desabonaria sua credibilidade.

Myriam e seu esposo estão felizes com a forma com que Louise organiza a casa, educa as crianças e sempre se faz presente. Os problemas dos pais, cansados após um longo dia de trabalho, parece ser facilmente solucionado com a simples presença da doce babá.


"Quanto mais o tempo passa, mais Louise se sobressai na arte de se tornar, ao mesmo tempo, invisível e indispensável."

Bons sentimentos emanam de Louise, todos notam sua felicidade ao se dedicar às crianças e em nenhum momento se cogita a possibilidade de ela se cansar, parece que ela tem tanta energia quanto os pequenos Mila e Adam.

É fácil encontrar uma leve crítica social nesta obra, principalmente quando a autora demonstra que a babá vive para a família e que seus patrões esperam que ela não tenha outras opções a não ser ficar cuidando dos filhos deles. Nem mesmo suas férias são respeitadas, fazendo com que Louise não apresente vontade própria, realmente sua existência se limita a cuidar dos filhos dos outros.


"- Talvez não devêssemos convidá-la de novo. Acho que é difícil demais pra ela. Deve ser duro ficar vendo tudo aquilo que ela não pode ter."


Esta é uma daquelas histórias que começa pelo fim, onde logo nas primeiras páginas o leitor se depara com um crime terrível e percebe que o decorrer da leitura servirá para explicar o ocorrido. Quando o início já traz uma carga de tensão enorme, o que se espera é que os próximos capítulos sejam evolventes e convincentes, mas infelizmente não foi bem isso que encontrei nestas páginas.

Esperei encontrar traços de psicopatia na assassina, histórico de maldades ou simplesmente uma justificativa para que esta tivesse uma dupla personalidade. Não posso explorar muito o final aqui, mas posso dizer que ele não me convenceu. Sigo imaginando em que momento a perfeição de Louise deu espaço para a crueldade. A linha que separa da babá perfeita da assassina de crianças é muito fina, quase imperceptível.

A história é interessante e permite que o leitor tenha mais cuidado, principalmente na escolha do profissional que ficará a maior parte do dia com seus filhos, porém senti falta de detalhes sobre a vida da babá, algo que ao menos por uma fração de segundo tornasse possível compreender sua atitude final.



Sinopse: Depois de passar algumas décadas fechada, a propriedade no número 112 da Ocean Avenue no subúrbio de Nova York finalmente abre as portas para os leitores da DarkSide® Books. Cercada pela natureza, com janelas amplas e uma sacada espaçosa, ela poderia ser uma casa de bairro tranquila como todas as outras, não fosse seu passado devastador e sangrento. Em 1975, George e Kathleen Lutz resolveram recomeçar a vida em uma nova residência que compraram por uma pechincha. Vinte e oito dias depois, os cinco membros da família fugiram aterrorizados, deixando a maior parte de seus pertences para trás. Estranhos eventos começaram a acontecer, afetando a vida dos Lutz e indicando que uma presença maligna habitava a casa. Embora tenha sido amplamente divulgada pela mídia, em especial nos jornais e nas revistas da época, muitas vezes de maneira sensacionalista, a história da casa nunca havia sido contada com riqueza de detalhes — até Jay Anson decidir reconstruí-la e transformar seu livro de não-ficção em um dos relatos paranormais mais importantes e conhecidos de todos os tempos.
Autor(a): Jay Anson | Editora: Darkside | Páginas: 240 | Ano: 2016

Os anos passam e a história da casa localizada no número 112 da Ocean Avenue permanece sendo contada. As memórias dos antigos moradores continuam sendo contadas, em livros ou filmes, mas sempre trazendo o lado mais sombrio e assustador que a residência proporcionou a quem ousou viver naquele lindo lugar.

Uma casa como qualquer outra, repleta de conforto, em uma propriedade ampla e valorizada que poderia despertar o interesse em qualquer família, porém assim como os seres humanos, aquela residência possui uma história.


"Ao que parece, todos no país tinham ouvido falar sobre aquela tragédia, sobre como Ronald DeFeo, 23 anos, assassinou o pai, a mãe, os dois irmãos e as duas irmãs enquanto dormia, na noite do dia 13 de novembro de 1974."

Não se sabe muito sobre sua construção, mas em um determinado momento de sua existência uma família feliz foi brutalmente morta enquanto dormia. O assassino, membro da família, alegou ter sido induzido a cometer tais assassinatos por vozes que o perseguiam. Se os ouvintes tivessem dado mais atenção para a fala desesperada e desconexa do assassino talvez muitos pesadelos teriam sido evitados.

Tido como um crime qualquer a casa ficou a disposição para um novo dono. Não havia motivos para desconfiar, afinal mortes acontecem em todo lugar e quem em sã consciência deixaria passar a oportunidade de adquirir a residência perfeita por um preço que se poderia pagar?

Os Lutz pensaram assim e ansiaram pelo momento em que realizariam a mudança de seus pertences. George, sua esposa e filhos estavam preparados para uma nova vida naquela linda propriedade, infelizmente eles não imaginaram que esta novidade não seria tão positiva.


"George saiu do Newsday pensando no relatório do legista, que declarava que as mortes dos DeFeo aconteceram por volta das 3h15. Aquele era o momento exato em que vinha acordando desde a mudança para casa!"

Através da forma como são apresentadas as situações de repleto suspense o leitor ganha a possibilidade de ser ver diante dos fatos, não como mero espectador, mas como parte da história. Não estranhe caso comece a imaginar se já vivenciou situações parecidas, mas não saia procurando espíritos por aí.

O autor construiu uma narrativa convincente, bem estruturada e com diálogos úteis para a compreensão dos sentimentos dos personagens, variando entre a ingenuidade das crianças até o ceticismo de George. 

O que fazer quando seus pesadelos começam a se mostrar reais, o padre que poderia lhe auxiliar decide se afastar para se manter seguro e o poder que existe na casa não lhe permite sair?


"Sem dúvida os fenômenos narrados neste livro realmente acontecem - e com pessoas e famílias comuns, que não querem chamar atenção e nem são carentes."

Há quem diga que esta é uma história real e existem elementos que levam o leitor a crer nesta afirmação. Deixe sua imaginação lhe surpreender e permita que Amtyville lhe mostre que até um simples amigo imaginário pode ter olhos assustadores.